Bipolaridade e transtorno bipolar

{jcomments on}Ouvi tempos atrás que uma pessoa estava sofrendo de transtorno bipolar afetivo. Trata-se de uma doença? Como este transtorno se manifesta? Maria das Dores, Vale do Paraíba (SP).

Bipolaridade: sinal da ambivalência do psiquismo

 

“Transtorno bipolar” é uma designação genérica para indicar diferentes estados psíquicos marcados pela ambivalência. As oscilações podem envolver estados afetivos (amor/ódio), emocionais (depressão/exaltação), volitivos (querer/não querer), e intelectuais (saber/não saber; negar/afirmar a mesma coisa ao mesmo tempo).

Na realidade o psiquismo, em seu funcionamento normal se apresenta como “bipolar”, pois oscila entre a necessidade de se fechar em si (mundo interno) e de ir em busca de objetos fora de si (mundo externo).

Na criança a bipolaridade se manifesta com maior intensidade e é observável em uma certa volubilidade de comportamento. O ser humano de fato nasce com uma conformação psíquica narcísica, que tem características psicóticas (poderíamos dizer que o bebê grosso modo nasce “louco”), para, aos poucos, com a ajuda da mãe e do meio que o recebe, se abrir para a realidade externa.

No adulto, se tudo correr bem, se estabelece, entre esses estados opostos do psiquismo, uma harmonia que permite um maior equilíbrio emocional, afetivo, volitivo e intelectual. Quanto mais uma pessoa é equilibrada, tanto mais é considerada madura.

O termo transtorno bipolar é usado de maneira genérica para indicar síndromes de diferente tipo que podem ser mais ou menos graves. A bipolaridade de fato se apresenta tanto em casos de neuroses obsessivas, como em casos chamados limítrofes (borderline, ou seja, no limiar entre a neurose e a psicose), nas próprias psicoses maníaco-depressivas e na esquizofrenia.

No neurótico “normal”, a mente reprime no inconsciente os núcleos emocionais e afetivos de caráter psicótico ligados ao mundo interno, por considera-los “inadequados” para lidar com o mundo externo (agressividade, ódio, idéias persecutórias e obsessivas, desejos demasiadamente intensos e inaceitáveis, etc.).

No psicótico, ao contrário, esses núcleos não podem ser controlados e aparecem de forma muito intensa, cindindo 9separando0 a mente em personalidades múltiplas (esquizofrenia), em estados emocionais opostos (depressão e exaltação maníaca), ou em comportamentos compulsivos que são negados pelo intelecto, mas que não conseguem ser evitados pela vontade.

As oscilações afetam o comportamento da pessoa, seus estados afetivos, sua maneira de “sentir” os outros e até a maneira como o mundo externo é percebido.

O bom-humor se transforma em mau-humor sem motivos aparentes. Ao entusiasmo se alterna um profundo desânimo. Gestos afetuosos e carinhosos se transformam em ataques de raiva muito intensos e aparentemente desmotivados. Algo que antes era negado, agora é afirmado om força. Algo considerado nocivo em um primeiro momento a seguir é perseguido de forma compulsiva.

É fácil perceber que esse tipo de funcionamento psíquico provoca um grande desconforto pessoal e problemas no convívio com os outros. É portanto necessário que seja devidamente tratado mediante uma terapia e, nos casos mais graves, com um tratamento psiquiátrico, com uso de medicação adequada.

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