O discernimento

O discernimento
Quando vem uma ideia, um sonho da cabeça, é hora de ir à luta ou sempre convém ser prudente e cauteloso.

O discernimento

O filme/documentário “Quem somos nós?”, que fala sobre a visão da física quântica, traz uma cena impressionante. Quando a protagonista acorda, o mundo externo não está lá, mas vai se construindo aos seus olhos à medida que ela acorda. Com isso o filme tenta visualizar um dos princípios da física quântica, para a qual a matéria não é algo fixo e pré-constituído e sim algo em constante formação, algo que muda a partir do olhar de um observador.

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Se por um lado isso pode fazer pensar no poder de nossa mente, capaz de criar cenários novos, até então inexistentes, por outro lado não impede que constatemos que a mente muitas vezes nos engana. Em suma, nada é como parece ser para a nossa mente e nada parece para a nossa mente como de fato é.

Estamos falando de um paradoxo. A nossa necessidade é afirmar que as coisas são exatamente como nós as percebemos, no entanto, a nossa percepção é apenas um ponto para ver as coisas e nada garante que elas possam ser reduzidas ao que nós vemos. Talvez isso possa nos ajudar a perceber que o ser humano precisa de fato viver a realidade de forma compartilhada, pois o outro, com a sua presença, questiona o nosso ponto de vista e nos sugere que pode haver outros pontos para ver as coisas tão autorizados quanto o nosso.

A tendência atual que leva indivíduos e grupos a se fechar em suas visões narcísicas parece contradizer tudo isso, mas os resultados desse fenômeno estão manifestando cada vez mais claramente os seus efeitos destruidores e desagregadores. Cada um parece capaz de criar a sua própria realidade e de acreditar que isso é Real, sem desconfiar que estamos falando apenas de significantes ligados ao discurso de um sujeito ou de um grupo.

Seguir a nossa mente, suas ideias e seus sonhos, pode ser bom e ruim ao mesmo tempo, depende da nossa capacidade de manter os sonhos em constante diálogo com o mundo externo, para que não se tornem devaneios alucinatórios.

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Roberto Girola
https://robertogirola.com.br
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