Copa: pertencer para vencer

Copa: pertencer para vencer

Trinta-e-dois países estão disputando a Copa do Mundo de Futebol. O primeiro jogo do Brasil será com a Croácia. Dois times, duas nações e, atrás deles dois povos. Os croatas sobreviveram a uma guerra marcada pelo genocídio e pela barbárie. São um povo que está tentando esquecer o sangue derramado e os anos difíceis, durante os quais lutaram para sobreviver e se constituir como nação. Hoje têm orgulho de ser croatas e a copa é para eles uma ocasião de se unir em torno de sua identidade nacional, de sua bandeira e dizer para o mundo que são um povo, uma grande “torcida”, palavra que importaram do português, inspirados nas grandes torcidas do futebol brasileiro. Provavelmente não ganharão a Copa, mas sairão com o orgulho de tê-la disputado como nação.

Do outro lado do campo, o “gigante pela própria natureza”, hoje um Golias irritado e cambaleante.

 Para “torcer”, como alguém já observou, precisa “pertencer”. Eu não sou brasileiro, mas escolhi pertencer a este país, me identificando aos poucos com sua língua, seu povo e seus costumes, alguns, para dizer a verdade, um  pouco estranhos para mim.

Hoje posso dizer que pertenço a este país que conheci do norte ao sul. Enquanto muitos brasileiros estão pensando em abandonar o barco, com medo do destino que os espera, eu continuo morando aqui, mesmo sendo cidadão da União Europeia.

Fico porém imensamente triste, quando percebo que muitos brasileiros não “pertencem” ao seu país, não o amam, pois os sinais do desrespeito estão espalhados por toda parte, do lixo nas ruas, às pichações, ao desrespeito pelos mais fracos e por tudo que é público, ao desmando e à corrupção que, de forma geral, toma conta dos que têm algum tipo de poder.

No primeiro jogo da Copa descem em campo o pequeno David, que se orgulha de pertencer ao povo que representa e o gigante adormecido. Muitos dos jogadores do Brasil vieram das classes mais humildes e desamparadas. Embora hoje tenham se tornado milionários, esperemos não tenham esquecido suas origens, as comunidades às quais pertenceram um dia. E que as comunidades possam ver neles um Brasil capaz de crescer, evoluir, não apenas financeiramente, mas também como país civilizado, capaz de vencer!

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Roberto Girola
https://robertogirola.com.br
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