Website de Roberto Girola - Psicanalista

Microcefalia psíquica

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Já temos no Brasil milhares de casos de bebês nascidos com microcefalia. A possibilidade que a doença se espalhe e assuma proporções bem maiores infelizmente ainda existe. No entanto, o que sem dúvida já assumiu proporções bem mais sérias é outro tipo de microcefalia, que poderíamos chamar de microcefalia psíquica.

Em seu livro O sujeito na contemporaneidade, o psicanalista Joel Birman, um dos maiores e mais respeitados pensadores da psicanálise no Brasil, analisa com profundidade as características do mal-estar da contemporaneidade (que, aliás, é o título de outro livro dele), parafraseando o famoso texto de Freud, escrito em 1927, O mal-estar da civilização.

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De patinete para o trabalho

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Conversando com um amigo, descobri com surpresa que ele tinha substituído o carro como meio de transporte para ir ao trabalho por um patinete. Os 25 minutos do trajeto de carro se tornaram 15 minutos de patinete, aproveitando as ciclovias construídas pela prefeitura de São Paulo.

“As pessoas acham engraçado um tiozinho de terno e gravata andando de patinete” comenta o meu amigo, “mas o mais interessante, é perceber que algo mudou na forma como o trajeto entre casa e escritório é processado pela minha mente”. Este comentário me fez relembrar o texto de uma psicanalista, publicado anos atrás, no qual ela comentava sobre como faz falta para o nosso psiquismo estabelecer esses espaços intermediários entre uma coisa e outra.

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Tempo sem história

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Para o nosso mundo interno o que vivemos do ponto de vista emocional e o que significamos a partir dessa experiência não é percebido automaticamente em sua dimensão temporal. Nossas experiências mais intensas do ponto de vista emocional são percebidas e vividas “como se” fossem eternas. Ao ligar experiências atuais com lembranças recalcadas (e portanto inacessíveis à consciência) o nosso mundo interno distorce o valor das experiências atuais de várias formas.

Uma primeira distorção tem a ver com a “intensidade emocional” que atribuímos às experiências atuais. Tal sobrecarga não vem dos fatos atuais e sim de uma carga afetiva “guardada” no inconsciente, com um equilíbrio energético instável, que busca uma descarga, projetando em eventos atuais a emoção represada, ligada a experiências emocionais do passado. Daí a sensação que “exageramos” ao reagir a determinadas situações do nosso dia-a-dia que não mereceriam tanta atenção.

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Ansiedade: qual a causa

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Tenho a impressão de sempre estar atrasado nas minhas obrigação

A ansiedade é uma síndrome que afeta de forma cada vez mais profunda o modo de vida contemporâneo. A progressiva aceleração do tempo e o encurtamento das distâncias afetam a forma como a mente percebe a dimensão espaço temporal. Tudo é para já, as interações de qualquer tipo são em grande parte online e as distâncias se tornam cada vez menos significativas, trazendo uma sensação de encurtamento dos espaços, pois tudo está ao alcance, nem que seja de forma virtual. Poderíamos dizer que a respiração da nossa psique ficou acelerada.

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A preocupação com o futuro

Publicado em Comportamento

Vivo preocupado em planejar o futuro e acabo não vivendo o presente. O que faço?


A preocupação com o futuro

As viagens no tempo são uma fantasia que ocupa a mente humana desde sempre. Alguns gostariam de retroceder para o passado, como o protagonista do filme Uma noite em Paris, outros, como o nosso leitor, gostariam de entrar em uma máquina do tempo para uma mágica Viagem no futuro. Para quem se vê aprisionado nessa síndrome, o grande desafio é viver o presente.

Uma primeira constatação nos levaria a pensar que a fuga para o passado ou para o futuro supõe uma frustração com o presente. Neste caso, o que tornaria o presente tão difícil de ser sustentado e habitado? Embora a insatisfação exista, nem sempre reflete algo real. Frequentemente, a terapia ajuda a constatar que, na realidade, a vida não é tão ruim assim. Obviamente existem frustrações, mas quando são mapeadas e vivenciadas no processo terapêutico, fica claro que não correspondem à forma como são vivenciadas emocionalmente pela mente.

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