Website de Roberto Girola - Psicanalista

“Ela”: a namorada perfeita

Publicado em Filmes

O sonho de todo homem e toda mulher é encontrar um parceiro que entenda suas necessidades e desejos e saiba se adaptar a eles da melhor forma possível. Melhor ainda se para isso não tiver sequer que se dar o trabalho de “discutir a relação”.

O filme “Ela” transporta esse “sonho” para uma realidade situada em um futuro próximo. Mas não precisa ir tão longe: o mundo virtual já nos proporciona algo parecido. Basta acessar uma rede social ou um aplicativo de relacionamento para que o usuário possa viver suas fantasias e encontrar o parceiro “ideal”. Para isso terá que realizar uma “busca” até identificar o perfil adequado. Se não conseguir, já existem sites e aplicativos de relacionamento que facilitam o processo, aproximando perfis “compatíveis”.

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Ficar, namorar, noivar em tempos de mudança

Publicado em Vida amorosa e sexualidade

Ficar, namorar, noivar em tempos de mudança

Estamos vivendo em tempos de mudanças, não há dúvida, mas será que as mudanças também afetam questões tão básicas do humano como a própria vida amorosa? Se fizéssemos uma pesquisa, provavelmente as respostas divergiriam, alguns achando que sim, outros que não.

Creio que ambos tenham razão. Há aspectos que não mudam, por estarem inscritos na própria natureza humana. As considerações sobre o amor tecidas por Shakespeare, Goethe, Fernando Pessoa ou outros escritores do passado continuam tocando o coração do homem de hoje. Por outro lado, o ambiente externo acaba exigindo adaptações que podem ser vistas como “mudanças”, mesmo em áreas tão essenciais do humano.

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Namoro à distância

Publicado em Vida amorosa e sexualidade

Por motivos de trabalho meu namorado teve de ir embora para o Pará. Não terminamos o relacionamento porque temos planos para o futuro. Confesso que está difícil ver a pessoa que amo apenas duas vezes ao ano. O senhor acredita que namorar dessa forma pode ser possível? (Anônima)

Namoro à distância

A pergunta me fez lembrar o refrão de uma canção italiana dos anos 70 que pode ser traduzido mais ou menos assim: “A distância é como o vento que apaga os fogos pequenos, mas transforma os grandes em um incêndio”. Mas será que isso é verdade? De certa forma, do ponto de vista psicológico, uma vez que é subtraído dos percalços do dia-a-dia, o relacionamento amoroso pode passar a ser vivido em uma dimensão idealizada, que é revestida de uma carga emocional muito mais forte (o incêndio), como tudo o que é idealizado.

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Carmen e o amor histérico

Publicado em Vida amorosa e sexualidade

Carmen e o amor histérico

 No início da temporada lírica do Teatro S. Pedro da capital paulista, foi apresentada a Ópera de Bizet, Cármen, baseada na novela homônima de Prosper Mérimée. Ambientada na Espanha, narra a história de Don José, um soldado que é seduzido pelos encantos da cigana Carmen. Aos poucos ele é enfeitiçado pelo poder de sua beleza selvagem. Por sua causa acaba sendo preso, rebaixado de posto e finalmente resolve desertar. Como prova de amor, deixa a carreira militar para se juntar a um bando de marginais do qual Carmen faz parte.

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Não gosto do namorado de minha filha

Publicado em Vida amorosa e sexualidade

Minha filha de 16 anos começou a namorar um menino de 18 muito diferente dela: Enquanto ela está terminando o segundo grau, cheia de perspectivas, ele teve de parar os estudos por não poder pagá-los daqui em diante. Ele é negro e tem uma aparência frágil. Minha filha é uma menina exuberante que, perto dele, parece murchar. A família dele é de gente simples e honesta, mas a mãe é analfabeta e o pai gosta de freqüentar bares na rua e ter rompantes machistas. Gostaria de mostrar à minha filha que ela merece conviver em ambientes mais interessantes e saudáveis, mas qualquer coisa que eu digo soa como mero preconceito para ela, que me acusa de racista, por exemplo. Penso que isso pode decorrer de baixa autoestima, o que me arrasa. Está muito difícil conviver com essa situação. O que faço?

 

Não gosto do namorado de minha filha

 

A situação a que se refere a carta é complexa, pois movimenta mecanismos psíquicos inconscientes que envolvem ambas as partes. Os pais costumam ter um “sonho” sobre o futuro de seus filhos, que inclui também um modelo idealizado daquele que será o parceiro ideal para eles. Todos os preconceitos raciais e sociais incidem profundamente no perfil “ideal” que os pais esboçam dentro de si, influenciados pelo meio social em que vivem. Além disso, pai e mãe têm também, dentro deles, um modelo idealizado inconsciente de mulher ou de homem, que incidirá na “montagem” do perfil ideal. Desta maneira, nenhum par “real” que aparecer estará à altura do filho ou da filha e sempre causará algum tipo de decepção. Por outro lado, se os filhos influenciados pelos pais, escolherem um par para agradá-los, a probabilidade é muito grande que este se revele mais tarde uma grande decepção. Apesar de os pais quererem o “bem” dos filhos, o que eles consideram o“bem” está inevitavelmente ligado aos seus desejos, à sua maneira de ser, à sua visão da realidade. O grande papel dos pais não é portanto transmitir aos filhos sua maneira de ser, mas ajudá-los a descobrir a deles.

No caso de sua filha, ela é uma adolescente que está enfrentando os problemas normais que a idade apresenta: Grandes transformações físicas, uma ansiedade diante do “novo”, medo de se afastar do ambiente protegido da infância e necessidade de “se separar” dos pais são alguns dos problemas que se apresentam. Nesta idade o/a adolescente costuma desenvolver uma certa aversão aos pais, uma incontrolável necessidade de “negar” tudo o que vem deles. Portanto, o modelo ideal de par, sonhado pelos pais, pode ser “odiado” pelos filhos. Pode até ser que sua filha tenha escolhido, inconscientemente, exatamente o oposto do que os pais desejavam, justamente para agredi-los. Por se tratar de processos inconscientes, quanto mais os pais se opuserem, mais o adolescente se  “fechará” no seu mundo, parecendo incapaz de enxergar a realidade. Quanto menos a oposição for levada a sério pelos pais, mais rapidamente se dissolverá a necessidade do adolescente de assumir aquela atitude emburrada, arredia que o caracteriza.  Naturalmente isto não significa abandonar o adolescente a si mesmo. Seria exatamente o contrário do que ele precisa. A atitude agressiva e hostil é uma maneira de dizer: “Eu estou aqui, olhem para mim, eu existo, preciso do seu afeto”. Creio portanto que sua filha precisa do seu apoio, no sentido de auxiliá-la a descobrir o que ela realmente quer para o seu futuro. Demonstre portanto carinho e compreensão para ela, “oferecendo” o seu ponto de vista com serenidade, para ajudá-la a refletir. {jcomments on}

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Cinco ingredientes de uma relação amorosa

Publicado em Vida amorosa e sexualidade

O que é necessário para uma relação amorosa dar certo?

 

Os cinco ingredientes de uma relação amorosa

 

O que torna uma relação estável e prazerosa? Quais os elementos necessários para que uma relação dê certo e seja saudável? Em um primeiro momento vou falar de quatro ingredientes. Poderíamos compara-los aos quatro elementos da vida terrestre: a água, o fogo, o ar, a terra. O que permite que uma relação se mantenha aquecida (fogo)? O que faz uma relação “respirar” (ar)? Qual é o elemento no qual uma boa relação fica plantada (terra). E, finalmente, qual é o elemento que impede que uma relação se torne árida e seca (água)?

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Dificuldade para namorar

Publicado em Vida amorosa e sexualidade

Estou com um problema. Sou solteira e tenho 34 anos e nunca namorei. Sinto um pouco de medo de ter uma companhia e também um pouco de dificuldades em todos os sentidos: abraçar, beijar... Será que isso é normal? Estou triste pois todos os meus familiares e amigos me cobram por eu não ter um namorado. Preciso de uma ajuda.

Dificuldades para namorar

 

Embora pareça a coisa mais natural do mundo, nem sempre é fácil namorar. Para algumas pessoas, dentre elas a nossa leitora, a dificuldade começa no momento de procurar alguém, ou de se abrir para que alguém se aproxime.

Para outros, a dificuldade surge quando o vínculo tende a se estreitar e começa a despontar a ameaça do “compromisso”, seja ele representado por uma oficialização do namoro ou pelo casamento.

Para um terceiro grupo, a dificuldade se apresenta na hora de “manter” o vínculo, que acaba a se mostrando sufocante, aprisionador e decepcionante. A pessoa escolhida não parece de fato ser “adequada” às necessidades de quem a escolheu. O comentário mais comum é: “Gosto dele(a), mas não é o homem/mulher da minha vida”.

Embora as situações sejam diferentes, por trás delas existe algo em comum: o psiquismo se sente ameaçado ao tentar estabelecer um vínculo. O que pode variar nos exemplos citados é a intensidade da angústia que os vínculos desencadeiam e a reação que cada um tem a partir dessa angústia.

No primeiro caso, a dificuldade é tão grande que sequer existe a autorização interna para procurar um vínculo afetivo mais intenso com alguém. Nos outros casos, a inibição não é tão severa, mas acaba se revelando na medida em que os vínculos se estreitam. Geralmente a experiência clínica mostra que, em todos esses casos, a história de vida da pessoa remete a vínculos parentais que não foram sentidos como adequados pelo inconsciente.

O fato dos vínculos serem percebidos como ameaçadores pelo inconsciente, não quer dizer que o sejam para a consciência. A pessoa de fato “quer” estabelecer vínculos, mas não consegue. Aliás, é justamente a falta de comunicação entre as percepções do inconsciente e a consciência que gera dor, sofrimento, surpresa, dificuldade de compreender por que as coisas não acontecem da maneira certa. “Por que os outros conseguem namorar e eu não?”, é a pergunta que atormenta essas pessoas. 

Naturalmente, o fracasso ou a dificuldade de namorar gera uma baixa auto-estima. A pessoa começa a se sentir inadequada, feia, chata, pouco atraente aos olhos dos outros. O problema é atribuído à falta de interesse dos outros, e não à dificuldade pessoal de se vincular.

As defesas contra o vínculo, movimentadas por essa estrutura inconsciente e pela sua rede de memórias que remetem a vínculos tidos como ruins ou insuficientemente adequados, podem ser as mais variadas. Pode acontecer, por exemplo, que os que se interessam sejam percebidos como pouco interessantes, “bobos”, inadequados, ou então que a pessoa ache que eles estão se enganando e não leve a sério suas investidas amorosas.

Pode haver também uma tendência a se apaixonar de pessoas distantes (geograficamente ou socialmente falando) ou não disponíveis (homens casados ou religiosos, por exemplo), pois elas não apresentam uma ameaça real.

A defesa pode se manifestar com uma incapacidade de manifestar afeto, como no caso da nossa leitora, ou, ao contrário, na busca fugaz de relações superficiais e inconseqüentes. Pode levar a pessoa a ficar sem tomar iniciativa alguma, ou pode despertar uma sutil raiva pelo outro, que leva a buscar constantes brigas ou a explodir em manifestações de ciúme.

Enfim, os ataques ao vínculo podem ser os mais variados e ardilosos. O mais curioso é que, na maioria dos casos, eles acontecem sem que a pessoa se dê conta que está de fato sabotando o vínculo por medo ou por não suporta-lo. Mais uma vez, trata-se de estruturas inconscientes que requerem o apoio de um terapeuta, pois dificilmente a pessoa, por si só, conseguirá desmascara-las e aprender a lidar com elas.{jcomments on}

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Diferenças que pesam na relação

Publicado em Vida amorosa e sexualidade

Brigo muito com minha namorada, pois sou muito caseiro e ela quer sair todo dia. Tento ser flexível, porém às vezes isso chega a ser uma tortura para mim. Qual seria a melhor solução? Ayslan Camargo - Recife (PE)

As diferenças que pesam na relação

 

É normal que um casal enfrente dificuldades no convívio por causas dos diferentes pontos de vista sobre as situações que surgem no dia-a-dia. Os problemas mais sérios começam a se apresentar quando um dos dois acha que sua maneira de ver as coisas é “a certa” e que o outro está “errado”.

O aparecer das palavras certo e errado para julgar situações do dia-a-dia mostra que os diferentes “pontos de vista” se tornaram verdades absolutas. Um ponto de vista é na realidade um ponto para ver as coisas. É como se o casal estivesse vendo um vale, cada qual postado em uma vertente oposta da montanha. O que um vê é diferente do que o outro vê, embora ambos estejam olhando para a mesma coisa.

O importante é perceber que cada um tem “um ponto para ver” as coisas e não a percepção total e absoluta da realidade. Esta, de fato, é objetivamente percebida, mas subjetivamente concebida. O primeiro obstáculo a ser superado em uma relação é a síndrome do certo e do errado, que denota uma apropriação indevida, por parte de um ou de ambos, do direito de julgar a maneira como o outro enfrenta as situações do dia-a-dia a partir de uma “verdade” individual que é sempre suspeita.

Tudo isso mostra uma dificuldade, por parte do casal, que impede de se “deslocar” para o  território do outro, na tentativa de compreender seu mundo, seus valores e sua maneira de enfrentar as coisas. Tentar assumir o ponto de vista do outro não é fácil, mas também não é impossível, desde que haja uma certa empatia com a maneira de ser do  outro.

A maneira de ser de cada um está relacionada com hábitos, costumes, percepções subjetivas e até com a “cultura” do ambiente familiar onde a pessoa foi criada. Naturalmente influencia também a maneira de ser de cada um sua “neurose”, ou seja a estrutura psíquica que o(a) caracteriza. Ninguém foge disso. Nem tudo o que nós vemos é fruto de um olhar “isento” e saudável. O nosso olhar é distorcido pelas percepções do mundo interno que nos levam a ocnceber as coisas de uma maneira ou de outra independentemente de como elas de fato são.

Existe contudo um limite intransponível nessa possibilidade de “acolher” a maneira de ser do outro. Algo que define a possibilidade de uma relação ser mantida ou não. Trata-se de situações ligadas às “formas” que caracterizam a personalidade de cada um.

 Quando a vida a dois exige constantemente deslocamentos para um território que se distancia radicalmente da maneira de ser da pessoa, esta entra em sofrimento e começa a nutrir uma profunda mágoa interna, pois se sente ameaçada em algo que a constitui no seu íntimo, ameaçando sua “forma” de ser.

As formas de cada um são ligadas aos que eu chamo de “objetos cintilantes” do self, ou seja, a aspectos profundamente ligados à estética e à ética de vida de cada um. Pedir a alguém de abrir mão disso, é pedir que ele se “despersonalize”, ou sehja que perca sua identidade. Trata´se de uma violência que atinge profundamente o psiquismo, com conseqüências que varia de pessoa para pessoa.

A agressividade que esse processo desperta, pode ser canalizada contra o mundo externo, tornando a pessoa mal-humorada e agressiva, ou então pode se voltar contra a própria pessoa, fazendo com que ela desenvolva síndromes depressivas, pânico ou até reações psicossomáticas algum tipo de doença física).

O namoro é um período importante justamente porque permite ao casal de avaliar esses aspectos, antes de se comprometer definitivamente com a vida a dois. É um periodo de experimentação e é bom que mantenha essa característica. Ingnorar isso, achando que o casamento ajudará a resolver as  diferenças pode ser uma atitude irresponsável que irá causar grandes problemas futuros.{jcomments on}

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