Website de Roberto Girola - Psicanalista

Sob o jugo da depressão

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Um amigo sofre de depressão. Ele costuma ir ao psiquiatra, mas não toma os remédios prescritos. Está afastado do trabalho e não tem ânimo para nada. Será que é mais cômodo para ele se proclamar depressivo, já que não quer tomar os remédios? (João Francisco Cunha – Taubaté, SP)                        

O que caracteriza a depressão é um estado de desistência, justamente porque o depressivo se sente aprisionado por correntes internas que o fazem sentir impotente diante da vida como um todo. Isto acarreta uma sensação de inutilidade e, por consequência, de paralisia perante os desafios que a vida apresenta, desde os mais significativos (trabalho, família, vida amorosa, etc.) até os mais rotineiros (tomar banho, tomar remédio, cuidar do corpo, comer, etc.).

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Luto pelo Brasil

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Ele está lá, estendido, diante de uma multidão pesarosa. Um velório silencioso. Depois da revolta, da negação, da incredulidade, agora a multidão está em silêncio, ainda incapaz de se conformar com o inesperado, de aceitar a perda.

Estamos vivendo um processo coletivo de luto. Luto por um Brasil mais justo e mais solidário, movido por ideais maiores, finalmente decidido a sair de décadas de obscurantismo político e social. Boa parte da população vibrou celebrando a ascensão ao poder de um partido que se apresentava como o defensor de uma utopia, voltada para os interesses dos excluídos, que deixaria de estar à serviço dos poderosos e dos endinheirados.

Durante alguns anos o Brasil parecia diferente, mais saudável. Infelizmente a doença que o levaria à morte já estava instalada. A saúde era aparente. Os sintomas da doença crônica não tinham sumido, ao contrário foram se revelando com mais com força. Antigos inimigos tornaram=se aliados, práticas e discursos condenados, começaram a ser retomados.

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Trabalho e sentido da vida

Publicado em Insights

Trabalho e sentido da vida

As perguntas sobre o sentido da vida começam a aparecer com mais insistência nos consultórios de saúde mental, repercutindo em uma queixa existencial profunda. Não importa se o profissional consultado é psicanalista, psicólogo, coach ou psiquiatra, ele deverá lidar com essa questão de fundo.

Em particular, o questionamento afeta quem sofre de depressão, melancolia ou síndrome do pânico. Trata-se de um mal-estar difuso, que traz consigo os sinais de uma violência que não é somente individual e sim coletiva.

O que afeta o psiquismo não é apenas a violência devida a ambientes profissionais competitivos, à insegurança, às pressões por resultados e aos diferentes tipos de assédio moral que sutilmente afetam quem trabalha hoje em uma empresa. Trata-se de uma sensação mais abrangente, um sentimento que poderia ser nomeado como de “inutilidade”. A pergunta que se impõe ao psiquismo é “Para que tudo isso?”

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Uma visita inesperada

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Quando a morte de um ente querido vem de surpresa é possível uma família se conformar?

Uma visita inesperada

A morte inesperada de um ente querido é sempre um trauma, cuja superação exige tempo, uma predisposição psíquica adequada e um ambiente favorável.

Quando pensamos em alguém que amamos ou a quem estamos ligados por um vínculo cotidiano (um conhecido ou um colega de trabalho, por ex.), a nossa mente traz imagens (memórias) ligadas a essa pessoa, criando uma linha do tempo onde passado, presente e futuro se entrelaçam. Naturalmente a quantidade dessas imagens e sua intensidade aumentam quando pensamos em alguém querido. Neste caso os sentimentos associados às imagens são muito mais intensos.

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Tristeza e depressão

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Como diferenciar um momento de tristeza grande de um quadro depressivo? Esses dois fatores estão realmente ligados um ao outro? (Anônimo)

Tristeza nem sempre é depressão

A tristeza foi banida: tornou-se sinônimo de chatice e de inadequação. Isto nos obriga a viver nossas tristezas fechados no banheiro da empresa, ou chorando em silêncio embaixo dos lençóis. A tendência é considerar os estados de tristeza como “doença”, o que leva uma fatia considerável da população a recorrer ao uso continuado de antidepressivos.

Se tudo isso convoca a tirar a tristeza de nossas vidas para encenar a felicidade dos bem-sucedidos, me pergunto como assistir ao noticiário, ler o jornal ou testemunhar cenas lamentáveis do dia-a-dia nos mais variados ambientes sem sentir tristeza. A Bíblia, que, mesmo para os ateus, pode ser considerada um repositório milenar de experiências da humanidade, constata que a tristeza dos cenários humanos chega a contaminar os céus: Deus se arrepende de ter criado o homem.

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A paralisia psíquica

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Às vezes desejo tomar uma atitude, dar um basta, mas me sinto impedido pelo medo, até que as coisas tomam outro rumo e eu fico frustrado por não ter feito nada.

A paralisia psíquica

A pergunta resume a meu ver uma das experiências mais frustrantes para a mente. Trata-se de uma sensação de paralisia, que impede qualquer tipo de ação, levando a um decepcionante congelamento psíquico. Os sentimentos dominantes são o medo, a angústia e a sensação de impotência.

A paralisia pode ser um efeito temporário diante da duvida sobre a escolha de um caminho para a satisfação de um desejo ou de uma necessidade. Neste caso porém os objetos (isto é pessoas, situações ou coisas) destinados à satisfação do desejo são fortemente investidos e a dúvida é provocada justamente pela dificuldade de escolher entre uma coisa e outra.

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A experiência da morte

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Minha mãe morreu há pouco tempo e embora eu lute para superar essa morte, sinto que passei a ficar insegura de me tornar mãe e isso nunca havia acontecido antes. Pode ser fruto de um luto mal resolvido, ou não tem nada a ver?

A experiência da morte

Quando a morte nos toca com a sua mão fria, a mente entra em contato com uma realidade que desafia o pensamento. Por transcender a nossa experiência de seres vivos, a morte nos remete a um paradoxo. Embora somente possa ser pensada a partir da vida, pois nada morre a não ser que esteja vivo, a morte remete a algo que é o oposto da vida, situado além da nossa experiência. Tudo o que não pode ser pensado é por si só angustiante.

Evidentemente a fé na vida além da morte pode representar um alívio para a angústia, mas mesmo assim trata-se de fé e não de uma certeza ligada a uma experiência real. A morte portanto nos remete a uma experiência radical de solidão e de sem sentido. Isto explica a forma como a experiência da morte se insinua no nosso inconsciente, podendo gerar angústia e sensação de paralisia.

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Câncer: o fantasma da morte

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Receber o diagnóstico de câncer pode ser sinal de desafio de vida e não de morte?

Câncer: o fantasma da morte

O câncer, ou tumor maligno, representa hoje a segunda maior causa de morte no Brasil, onde são registraedos a cada ano cerca de 305.000 novos casos, dos quais 117.000 letais.

Receber um diagnóstico de câncer é, do ponto de vista psicológico, uma experiência difícil e traumática. Embora a medicina tenha avançado bastante nesse campo e possa garantir a recuperação a um número alto de pacientes afetados pela doença, sobretudo quando diagnosticada no início do seu desenvolvimento, a palavra câncer encerra em si um significante enigmático, que dificilmente pode ser ignorado.

A chance de morte, pelos números fornecidos pelo Ministério da Saúde, é de menos de 40%, mas, mesmo assim, ainda é alta e pode ser maior dependendo do tipo de câncer e o seu estágio de desenvolvimento.

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