Website de Roberto Girola - Psicanalista

Vamos brincar de boneca...

Publicado em Pagina Inicial

Qual é a mulher que quando menina não ganhou uma linda boneca? Desde então houve um pressentimento oculto: o mundo esperava que ela um dia pudesse brincar de ser mãe. As mulheres que não podem ter filhos frequentemente se sentem mutiladas e são estimuladas a se submeter a tratamentos caros e difíceis para poder engravidar. No fundo essa é também, na maioria das vezes, a expectativa do parceiro.

Mas, e quando a linda bonequinha se transforma em um bebê real? “O rei” chegou e se apoderou  do corpo da mulher, que começa a sofrer transformações cada vez mais visíveis e nem sempre aceitas como algo esteticamente agradável. Isso sem contar as mudanças hormonais, o mal-estar, os enjoos, as inseguranças e o medo. Sim medo de não dar conta do parto, do bebê, do sofrimento...

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Gravidez traumática

Publicado em Pais e filhos

Quando o teste de gravidez ou o médico sentenciam: “Você está grávida”, se abrem para o universo emocional feminino inúmeras possibilidades, nem sempre anunciando um céu sereno e a promessa de uma jornada luminosa.

Um primeiro fato importante é o quanto esse bebê foi “sonhado” pela mulher. Um filho pode ser sonhado, mesmo que, naquele momento especifico, não seja “esperado”, no entanto, quando ele não foi nem sonhado e nem é esperado, a descoberta de estar grávida pode acarretar para a mulher uma sensação profunda de angústia, um verdadeiro trauma.

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Aborto uma decisão difícil

Publicado em Outros

Qual a sua opinião sobre o aborto? Magda da Silva Pires, Valinhos (SP)

Aborto: uma questão complexa

O aborto é uma questão complexa e delicada que pode ser abordada sob diferentes óticas. A Ética, o Direito, a Medicina, a Religião e a Psicanálise procuram oferecer algum tipo de suporte para os que se defrontam com uma gravidez indesejada.

A legislação sobre o aborto é diferente em cada país. Quando é admitido, geralmente é considerado legal em algumas circunstâncias e em outras não. A maioria das religiões condena o aborto e, do ponto de vista ético, a questão é debatida.

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Adolescentes grávidas

Publicado em Vida amorosa e sexualidade

Adolescentes grávidas

O relatório anual do State of the World’s Mothers, publicado em 2004 com dados coletados entre 1995 e 2002 (http://www.savethechildren.org.uk), mostra que 13 milhões de nascimentos (um décimo de todos os nascimentos do mundo) são de mulheres com menos de vinte anos e que mais de 90% destes nascimentos ocorrem nos países em desenvolvimento, onde a proporção de parturientes com menos de vinte anos varia de 8% no leste da Ásia até 55% na África.

Enquanto nos países do primeiro mundo se constatava nas últimas décadas dos anos 90 uma queda dos índices de gestantes adolescentes, no Brasil os dados apontavam para uma preocupante tendência de aumento do fenômeno. Dados mais recentes parecem indicar uma pequena queda dos índices, mas ainda o número de mães adolescente no nosso país é superior àquele dos países mais desenvolvidos.

Dados do SUS indicam que a porcentagem da faixa etária dos 10 aos 19 anos no total dos partos nos hospitais conveniados chegou a 26,5% em 1997 contra os 22,34% em 1993 (os dados foram extraídos do artigo VVAA, Gravidez na adolescência: perfil sócio-demográfico e comportamental de uma população da periferia de São Paulo, Brasil, publicado pelo Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo no Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 23(1):177-186, jan, 2007, que servirá de base para as demais considerações). Alguns estudos apontam também uma diminuição da idade das adolescentes grávidas, tornando esses dados ainda mais preocupantes.

Alguns dados sobre as mil adolescentes grávidas entrevistadas na pesquisa acima mencionada, realizada na periferia da cidade de São Paulo, ajudam a entender melhor o perfil das jovens envolvidas.

A faixa etária das entrevistadas variava de 11 a 19 anos. Apenas 7,2% eram casadas legalmente, mas 62,7% diziam viver com um companheiro. Do total, 42,3% viviam exclusivamente com o companheiro e/ou filhos constituindo um núcleo familiar independente, ao passo que as demais (57,7%) continuavam morando também com outros familiares.

Em relação à classe econômica, 93% das participantes pertenciam às classes C, D e E, sendo que 68% diziam ter uma renda familiar mensal de até quatro salários mínimos. A principal fonte de sustento provinha do companheiro e/ou pais da adolescente.

Quanto à inserção social, de maneira geral, a pesquisa revela que, independentemente da faixa de idade, a maioria das adolescentes não estudava nem trabalhava na ocasião da entrevista.

A idade média para o início da vida sexual das jovens entrevistadas é de 15 anos, variando de 10 a 19 anos. Em contrapartida, a idade média do parceiro sexual dessas jovens é de 21 anos, variando de 15 a 51 anos. Trata-se portanto de jovens que, de maneira geral, foram sexualmente exploradas por homens mais velhos, algumas delas (a maioria) ainda sendo menores de idade.

Quanto aos cuidados tomados para se preservar tanto da gravidez como das doenças sexualmente transmissíveis, 80,3% das entrevistadas alegaram nunca ter usado preservativo e 77,5% só de vez em quando. Para mais de 81% das gestantes a gravidez não foi planejada.

A entrevista constatou ainda uma forte pressão social para que o casal formalize uma união e passe a conviver sob o mesmo teto, mesmo sem oficializar o casamento ou ter uma independência financeira.

Achei interessante divulgar os dados dessa pesquisa porque mostram que a gravidez na adolescência é um fenômeno que atinge de forma dramática a população com menores recursos financeiros. Vale contudo a pena notar que, as adolescentes grávidas das classes sociais mais favorecidas (A e B) em muitos casos optam pelo aborto, menos acessível financeiramente para as classes sociais mais pobres.

Em um número preocupante de casos a pesquisa revela que a adolescente foi submetida a algum tipo de violência e que foi abusada enquanto menor.

Tanto as futuras mães adolescentes como os parceiros se dizem, na maioria dos casos, felizes com a gravidez e demonstram ter um completo despreparo para enfrentar a situação de forma responsável, com graves conseqüências para o bebê que irá nascer em uma situação de desamparo e, portanto, com enorme probabilidade de se tornar um adulto com problemas.

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A inveja do útero

Publicado em Pais e filhos

Depois que nasceu o bebê, meu marido está distante e irritadiço. Ele não parece curtir esse momento e a presença d bebê o incomoda, embora ele disfarce esse sentimento e se esforce para ajudar. O que está acontecendo e como devo agir? – MLS – São Paulo (SP)

 

A inveja do útero

 

Muito se falou, inclusive nesta coluna, da “inveja do pênis”, um tipo de inveja que Freud atribui à mulher quando ela percebe e deseja a condição masculina, tida como melhor e mais “poderosa”.

A pergunta da nossa leitora, no entanto, parece apontar para um outro tipo de inveja, desta vez sentida pelo homem, com relação à condição feminina e em particular à maternidade.

A possibilidade de gerar nas próprias entranhas um outro ser é uma experiência poderosa e assustadora ao mesmo tempo. Trata-se de uma experiência que, nós homens, assistimos, por assim dizer “de camarote”, sem nunca poder realmente adentrar seu mistério.

A reação do marido da nossa leitora pode ser apenas uma crise de ciúmes pela atenção que a mãe dedica ao seu bebê; atenção da qual ele se sente privado. Isto acontece sobretudo quando o homem mantém com a mulher um vínculo regredido, quase infantil, moldado na relação que ele tinha com a mãe e quando a mulher se presta a manter esse tipo de vínculo “ma ternal” com o marido.

Se esse for o caso, a mulher tem que rever suas atitudes, ajudando o homem a ocupar o seu lugar de marido. Nem sempre isso é fácil, pois, na maioria das vezes, o homem se torna um “bebezão dependente” por causa da relação que manteve com a própria mãe. A terapia pode ajudar nesse sentido.

Quando porém a reação envolve o nascimento de um filho homem, pode haver um conflito masculino mais profundo, menos perceptível e consciente. Pode de fato tratar-se de uma disputa “edípica” que o pai trava com o recém nascido.

Neste caso acredito que haja no inconsciente masculino um complexo que não foi bem resolvido. Ao ser impedido de ter a mãe só para si pelo pai, o futuro pai não pôde se apropriar devidamente do amor da mãe e da “potência” do pai. Isto pode acontecer quando o pai não é admirado porque é autoritário e grosso, ou então porque é muito “fraco”.

Vale a pena notar que esse conflito pode existir não apenas quando o pai está presente, mas também quando o pai está “ausente”, porque morreu ou porque não se interessa pelo filho e pela mãe. Neste caso em que a mãe está supostamente disponível para o filho sem um pai que “barre” a relação entre os dois, instala-se no inconsciente do menino o medo do incesto e a percepção de sua impotência: Ele não pode dar conta das convocações da mãe e da falta do pai que ela sente.

Seja qual for a situação, a figura feminina permanece distante e idealizada, quase inacessível. O homem neste caso mal acredita que uma mulher possa se interessar de verdade por ele. Instala-se então nele uma espécie de “inveja” pwlo universo feminino tão poderoso e inacessível. Poderíamos chamar essa inveja, parafraseando a expressão de Freud, de inveja do útero. Inevitavelmente, como em toda forma de inveja, o objeto invejado passa a ser atacado.

O poder do feminino objeto dessa fantasia masculina se intensifica no momento da gravidez, ainda mais quando a mulher dá a luz um filho homem que passa a desfrutar de todas as atenções da mulher. O pai “excluído” desse amor feminino volta a se sentir inadequado e sem importância, assim como se sentia em relação à mãe. Um sentimento profundo de inveja passa então a devora-lo. Amor e ódio caracterizam então a relação com esse femininopoderoso e  inalcançável.

Por se tratar de um conflito profundo, neste caso acredito que somente uma terapia de cunho psicanalítico possa ajudar.

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Tristeza pós-parto

Publicado em Pais e filhos

Quando nasceu o meu bebê tive sentimentos que não estavam nos planos; pensei até que eu estava vivendo uma depressão pós-parto. Depois lendo as revistas que eu tinha em casa, cheguei à conclusão de que eu estava passando pela tristeza materna. Ao comentar o fato com minhas amigas percebi que elas viveram algo semelhante. Como se explica essa tristeza?

 

A tristeza pós-parto

Como comprovam as pesquisas, um número muito alto de mulheres chega a experimentar algum tipo de tristeza após o parto. Os índices identificam esse estado em quase 80% das mães que acabaram de dar á luz um bebê.

A própria pergunta da nossa leitora mostra tratar-se de algo inesperado. Viver esse estado de tristeza não estava nos planos da futura mãe e tampouco parecia haver sintomas de que isso fosse acontecer.

Por que motivo uma mãe que estava ansiosamente esperando pelo nascimento do seu bebê, experimenta tristeza quando ele nasce? Vale a pena notar que a “tristeza” nada tem a ver com o estado do bebê, que, na maioria dos casos, nasce saudável, pronto para “atacar” o seio da mãe com a primeira mamada.

Estamos portanto falando de um processo interno da mãe que nada tem a ver com o bebê e tampouco com o fato dele ter sido indesejado. Por que motivo a mãe deveria estar triste?

Para a psicanálise, sem excluir a possibilidade de mudanças hormonais que podem explicar o fenômeno desde o ponto de vista fisiológico, trata-se de um estado emocional que foge à consciência da futura mãe. Sentimentos não identificados contribuem para que se instale esse leve estado depressivo.

O nascimento do bebê é algo extremamente sofisticado do ponto de vista psíquico. A mãe que esteve vinculada ao feto durante nove meses, de repente se vê livre dele. Algo que era interno passa a ser externo. Algo que, de certa forma, era ela passa a existir como separado dela.

O corpo do bebê é intimamente conectado ao corpo da mãe e, ao mesmo tempo, não é mais o corpo da mãe. Com o nascimento, é como se a mãe perdesse o controle sobre o corpo do bebê, embora sua subsistência passe a depender completamente dela.

 Não é difícil perceber que tudo isso não é simples para a mãe e é bastante compreensível que uma certa angústia se estabeleça diante desse ser que já foi ela e que, a partir do nascimento, não é mais ela e que passa a solicitar a atenção total dela.

O bebê, por ser absolutamente narcísico, é tirânico em suas necessidades. Ele não espera, não “dá um tempo”; parece incapaz de compreender as necessidades da mãe. Tudo isso faz com que ela se sinta “pressionada”, à mercê dos desejos onipotentes do bebê, desse novo ser que ela precisa “decifrar”.

Claro que tem também outro aspecto. O bebê sorri, se aconchega no colo da mãe, adora a sua presença. Enfim é uma coisinha fofa e indefesa. Motivo a mais para a mãe sentir angústia e culpa ao perceber inconscientemente que seus sentimentos pelo bebê são ambíguos e talvez até hostis em algum momento.

Além disso, a mãe percebe que esse ser que está no seu colo vai mudar completamente a sua vida. Nunca mais vai poder desfrutar de sua autonomia como desfrutava antes. Uma série de mudanças se impõem na sua vida e as mudanças sempre angustiam.

É claro que cada caso é um caso, mas os aspectos acima descritos permitem entender um pouco melhor as angústias que a nova mãe vive e compreender o porquê de sua eventual “tristeza” após o parto, ao tomar consciência que o bebê entrou definitivamente em sua vida.{jcomments on}

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