Website de Roberto Girola - Psicanalista

A bolha institucional: ditadura da perversão...

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Quando Freud descreveu as síndromes ligadas à perversão, chegou à conclusão que elas poderiam ser classificadas em um lugar intermediário entre a neurose e a psicose. É o que podemos constatar diante do comportamento perverso da maioria dos nossos políticos, de alguns empresários e de membros da magistratura. Para qualquer pessoa de bom senso fica bastante claro o afastamento da realidade dos que supostamente deveriam estar representando os interesses da nação. A política, a gestão de negócios bilionários e, às vezes, o próprio exercício do direito se tornaram práticas narcísicas, voltadas a garantir os interesses e a sobrevivência de uma bolha institucional, que parece flutuar no nada, totalmente desconectada do país que supostamente deveria representar e da realidade que deveria nortear suas decisões.

Tudo isso parece indicar que estamos diante de um fenômeno altamente perigoso. Seria como entregar a direção de um internato de crianças à gestão de um pedófilo. Trata-se de uma tragédia anunciada. Fica extremamente difícil fazer previsões sobre um futuro que se anuncia bastante sombrio.

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Narciso em alta

Publicado em Comportamento

Quero dizer de antemão que este post é uma mera provocação, que tenta juntar alguns fios do pensamento contemporâneo, sem a pretensão de sistematizar um tema tão complexo.

Não há dúvidas de que estamos assistindo ao avançar do individualismo de caráter narcísico, que leva um número considerável de pessoas a se focarem essencialmente em si mesmas com uma reduzida capacidade de incluir o outro e, de forma mais genérica, o coletivo no seu horizonte psíquico. Isto não é apenas verificável na forma como a política é conduzida no Brasil e em outras partes do mundo, mas também em pequenas cenas do cotidiano que emergem das relações amorosas, de trabalho, das redes sociais, do comportamento no trânsito, etc.

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A escalada da intolerância

Publicado em Comportamento

As redes sociais e a mídia apontam para o crescimento dos fenômenos de intolerância em âmbito mundial. São exemplos dessa escalada a retomada dos conflitos raciais nos EUA, a crescente rejeição dos imigrantes na Europa, o recrudescimento das tendências fundamentalistas no âmbito do islamismo e, no Brasil, o multiplicar-se das agressões contra quem não compartilha das mesmas ideias políticas e o renascer de manifestações em favor do retorno da ditadura militar.

O fenômeno mostra um incômodo coletivo que se expressa em manifestações de agressividade e em bloqueios do pensamento, com a consequente perda da capacidade crítica.

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Solitários conectados

Publicado em Outros

Solitários conectados

Uma das caraterísticas do nosso tempo é a quase ilimitada possibilidade de se conectar, através das redes sociais, com pessoas próximas e distantes. Apesar disso talvez estejamos vivendo uma das épocas em que a comunicação com o outro se tornou mais difícil, fragmentada e, frequentemente, inexistente.

No livro Cegueira Moral, publicado em 2013, Zygmunt Bauman, um dos maiores pensadores contemporâneos, denuncia a “insensibilidade moral” como o problema central de nossa época, algo muito próximo ao que o Papa Francisco define como “globalização da indiferença”.

Como explicar que o ser humano, tão conectado, tão ciente dos problemas do mundo, tenha se tornado moralmente insensível? Que tipo de proximidade do outro estamos estabelecendo através da parafernália tecnológica que está ao nosso alcance? Bauman cunhou o termo “relações líquidas” para tentar nomear esta forma curiosa que temos hoje de nos vincular, permanecendo na realidade fechados em nossa bolha narcísica e à mercê de nossas fantasias que não chegam a se deixar questionar pela realidade. A realidade virtual, essencialmente líquida, se sobrepõe constantemente à realidade real, sólida.

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