A síndrome do ninho vazio

Publicado em Filmes

O que fazer para superar a síndrome do ninho vazio, quando os filhos se casam e a casa fica vazia?

O filme argentino “El nido vacío” representa de forma bastante clara a crise que o casal vive a partir do momento em que os filhos abrem asas e passam a viver suas próprias vidas longe dos pais. Varias questões emergem nesse momento da vida e se entrelaçam numa angustiante trama de sensações cujo desfecho psíquico pode ser mais ou menos difícil para o casal.

Obviamente, o mais afetado é o casal que fez do cuidado dos filhos o centro de sua vida matrimonial, deixando de cultivar a relação homem mulher e a própria vida pessoal.

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Luto pelo Brasil

Publicado em Insights

Ele está lá, estendido, diante de uma multidão pesarosa. Um velório silencioso. Depois da revolta, da negação, da incredulidade, agora a multidão está em silêncio, ainda incapaz de se conformar com o inesperado, de aceitar a perda.

Estamos vivendo um processo coletivo de luto. Luto por um Brasil mais justo e mais solidário, movido por ideais maiores, finalmente decidido a sair de décadas de obscurantismo político e social. Boa parte da população vibrou celebrando a ascensão ao poder de um partido que se apresentava como o defensor de uma utopia, voltada para os interesses dos excluídos, que deixaria de estar à serviço dos poderosos e dos endinheirados.

Durante alguns anos o Brasil parecia diferente, mais saudável. Infelizmente a doença que o levaria à morte já estava instalada. A saúde era aparente. Os sintomas da doença crônica não tinham sumido, ao contrário foram se revelando com mais com força. Antigos inimigos tornaram=se aliados, práticas e discursos condenados, começaram a ser retomados.

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Uma visita inesperada

Publicado em Outros

Quando a morte de um ente querido vem de surpresa é possível uma família se conformar?

Uma visita inesperada

A morte inesperada de um ente querido é sempre um trauma, cuja superação exige tempo, uma predisposição psíquica adequada e um ambiente favorável.

Quando pensamos em alguém que amamos ou a quem estamos ligados por um vínculo cotidiano (um conhecido ou um colega de trabalho, por ex.), a nossa mente traz imagens (memórias) ligadas a essa pessoa, criando uma linha do tempo onde passado, presente e futuro se entrelaçam. Naturalmente a quantidade dessas imagens e sua intensidade aumentam quando pensamos em alguém querido. Neste caso os sentimentos associados às imagens são muito mais intensos.

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A experiência da morte

Publicado em Outros

Minha mãe morreu há pouco tempo e embora eu lute para superar essa morte, sinto que passei a ficar insegura de me tornar mãe e isso nunca havia acontecido antes. Pode ser fruto de um luto mal resolvido, ou não tem nada a ver?

A experiência da morte

Quando a morte nos toca com a sua mão fria, a mente entra em contato com uma realidade que desafia o pensamento. Por transcender a nossa experiência de seres vivos, a morte nos remete a um paradoxo. Embora somente possa ser pensada a partir da vida, pois nada morre a não ser que esteja vivo, a morte remete a algo que é o oposto da vida, situado além da nossa experiência. Tudo o que não pode ser pensado é por si só angustiante.

Evidentemente a fé na vida além da morte pode representar um alívio para a angústia, mas mesmo assim trata-se de fé e não de uma certeza ligada a uma experiência real. A morte portanto nos remete a uma experiência radical de solidão e de sem sentido. Isto explica a forma como a experiência da morte se insinua no nosso inconsciente, podendo gerar angústia e sensação de paralisia.

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A perda de uma grande paixão

Publicado em Vida amorosa e sexualidade

Vivi uma intensa paixão e tenho certeza que com outras pessoas jamais será igual. Como me libertar disso e projetar a possibilidades de viver novos amores e novas experiências. Pode brotar uma paixão por alguém por quem inicialmente não há desejo?

A perda de uma grande paixão

É um clichê do cinema americano: dois jovens convivem sem desconfiar que um dia poderão se apaixonar um pelo outro e, de repente, inicia uma história de amor. Isto não impede que, no tempo do luto pela perda de uma grande paixão, tudo pareça vazio e cinzento, sem que a possibilidade de um novo romance seja vislumbrada.

O apaixonamento responde a um processo inconsciente marcado por intensas projeções e por uma idealização da pessoa amada. Nada pode competir com o “objeto idealizado” e, ao mesmo tempo, nada é mais perigoso, pois todo objeto idealizado nos persegue.

A única chance de uma paixão sobreviver é que possa fugir dessa perturbada zona de idealização e se transformar em um amor que envolve pessoas reais, “objetos inteiros”, como diz a Psicanálise, com suas virtudes e defeitos. Percebemos que realmente amamos alguém quando conseguimos enxergar e amar seus defeitos, sem minimizá-los. Se isto não acontece, o amante viverá o resto de sua vida sentado à sombra do seu grande amor perdido, antes mesmo de perdê-lo. É assim que Freud descreve a melancolia.

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Separação: uma decisão difícil

Publicado em Vida amorosa e sexualidade

Meu casamento não anda bem, meu marido me magoa me humilhando verbalmente. Ando triste, desanimada sem vontade de fazer nada. Não consigo ir embora e não sei o que fazer; Se o carinho acabou, o respeito também será que adianta ficar nessa relação?

Separação: uma decisão difícil

Na ótica do “consumo” se um produto não me satisfaz, o substituo. Contaminadas por essa ótica, as relações humanas tendem a se tornar cada vez mais superficiais e descartáveis. No entanto, tudo o que envolve o humano não é tão simples assim. Apesar da banalização que se faz quando o tema é separação: separar-se não é de fato uma decisão fácil.

Como psicanalista tenho acompanhado dezenas de casais, homens e mulheres, às voltas com a dúvida que aflige a nossa leitora. Seja qual for o desfecho, nunca é alcançado sem um período, geralmente longo, em que se experimenta a paralização e o desencantamento com a vida. Podemos comparar o processo da separação ao processo do luto, um luto que começa muitas vezes antes mesmo que a morte seja constatada.

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A retomada da vida após o luto

Publicado em Comportamento

Sou viúvo e estou sendo assediado por uma vizinha. Sinto culpa, como se estivesse traindo minha mulher

A retomada da vida após o luto

O que caracteriza o desfecho saudável do processo do luto é a possibilidade de poder retomar o curso de nossa vida. No caso da pessoa falecida ocupar um lugar especial por ser objeto de um vínculo amoroso intenso, o processo costuma ser mais demorado e penoso.

Como expliquei em um artigo recentemente publicado (Do amor ao ódio), o vínculo amoroso é inconscientemente vivido como uma relação de amor e ódio, o que gera sentimentos ambivalentes.

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