Comodismo ou pés no chão?

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Acho que perdi a característica de sempre arriscar mais pelos meus sonhos. Hoje procuro manter minha vida o mais estável possível. Isso é normal?

A pergunta mostra claramente dois polos em torno dos quais se organiza a atividade psíquica. Por um lado a “capacidade” de sonhar e, por outro lado, a “necessidade” de estabilidade, de segurança e de “manter os pés no chão”.

O funcionamento “normal” do psiquismo é de fato “bipolar”. Freud identificou essa bipolaridade inicialmente nos conflitos que se interpõem à busca da realização dos nossos desejos e, mais tarde, de forma mais radical, nos dois instintos que governam o funcionamento psíquico: a “pulsão de vida” e a “pulsão de morte”. Uma nos ajuda a nos voltarmos para o mundo externo e procurar “investi-lo” com nossa libido, enquanto a outra nos leva para dentro, desliga os apelos do mundo externo e tende a nos paralisar na busca da “paz”, fazendo com que a nossa capacidade de “ligamento” com o mundo externo seja suspensa.

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Bipolaridade e transtorno bipolar

Publicado em Outros

{jcomments on}Ouvi tempos atrás que uma pessoa estava sofrendo de transtorno afetivo bipolar. Trata-se de uma doença? Como este transtorno se manifesta? Maria das Dores, Vale do Paraíba (SP).

Bipolaridade: sinal da ambivalência do psiquismo

 

“Transtorno bipolar” é uma designação genérica para indicar diferentes estados psíquicos marcados pela ambivalência. As oscilações podem envolver estados afetivos (amor/ódio), emocionais (depressão/exaltação), volitivos (querer/não querer), e intelectuais (saber/não saber; negar/afirmar a mesma coisa ao mesmo tempo).

Na realidade o psiquismo, em seu funcionamento normal se apresenta como “bipolar”, pois oscila entre a necessidade de se fechar em si (mundo interno) e de ir em busca de objetos fora de si (mundo externo).

Na criança a bipolaridade se manifesta com maior intensidade e é observável em uma certa volubilidade de comportamento. O ser humano de fato nasce com uma conformação psíquica narcísica, que tem características psicóticas (poderíamos dizer que o bebê grosso modo nasce “louco”), para, aos poucos, com a ajuda da mãe e do meio que o recebe, se abrir para a realidade externa.

No adulto, se tudo correr bem, se estabelece, entre esses estados opostos do psiquismo, uma harmonia que permite um maior equilíbrio emocional, afetivo, volitivo e intelectual. Quanto mais uma pessoa é equilibrada, tanto mais é considerada madura.

O termo transtorno bipolar é usado de maneira genérica para indicar síndromes de diferente tipo que podem ser mais ou menos graves. A bipolaridade de fato se apresenta tanto em casos de neuroses obsessivas, como em casos chamados limítrofes (borderline, ou seja, no limiar entre a neurose e a psicose), nas próprias psicoses maníaco-depressivas e na esquizofrenia.

No neurótico “normal”, a mente reprime no inconsciente os núcleos emocionais e afetivos de caráter psicótico ligados ao mundo interno, por considera-los “inadequados” para lidar com o mundo externo (agressividade, ódio, idéias persecutórias e obsessivas, desejos demasiadamente intensos e inaceitáveis, etc.).

No psicótico, ao contrário, esses núcleos não podem ser controlados e aparecem de forma muito intensa, cindindo 9separando0 a mente em personalidades múltiplas (esquizofrenia), em estados emocionais opostos (depressão e exaltação maníaca), ou em comportamentos compulsivos que são negados pelo intelecto, mas que não conseguem ser evitados pela vontade.

As oscilações afetam o comportamento da pessoa, seus estados afetivos, sua maneira de “sentir” os outros e até a maneira como o mundo externo é percebido.

O bom-humor se transforma em mau-humor sem motivos aparentes. Ao entusiasmo se alterna um profundo desânimo. Gestos afetuosos e carinhosos se transformam em ataques de raiva muito intensos e aparentemente desmotivados. Algo que antes era negado, agora é afirmado om força. Algo considerado nocivo em um primeiro momento a seguir é perseguido de forma compulsiva.

É fácil perceber que esse tipo de funcionamento psíquico provoca um grande desconforto pessoal e problemas no convívio com os outros. É portanto necessário que seja devidamente tratado mediante uma terapia e, nos casos mais graves, com um tratamento psiquiátrico, com uso de medicação adequada.

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Não sei lidar com dinheiro

Publicado em Comportamento

Não sei lidar com dinheiro

A situação econômica do Brasil inspira cuidados. A maioria dos economistas alerta: estamos entrando em uma fase recessiva.  Apesar desse inegável dado de realidade, mudar a própria relação com o dinheiro não é fácil.  A queixa de não saber lidar com dinheiro é bastante comum, embora os motivos possam ser diferentes. Vou examinar aqui duas atitudes opostas que podem abranger um número bastante amplo de casos.

Para alguns, isto significa uma tendência crônica ao endividamento e uma dificuldade para poupar, controlando seus gastos. No outro extremo há quem não consegue se “apropriar” do dinheiro ganho com seu trabalho. É o caso de quem faz investimentos duvidosos, ou não consegue negar de emprestar suas suadas economias a desavisados amigos e familiares, mesmo sabendo que, na maioria dos casos, o dinheiro nunca será devolvido. No caso de profissionais liberais, há ainda quem não consegue “cobrar” uma justa remuneração por seus serviços, ou, se for empregado, ir para o mercado em busca de um salário melhor. Em todos esses casos estamos falando de situações psicologicamente diferentes, embora tenham em comum a dificuldade de lidar com o dinheiro.

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