Ansiedade: qual a causa

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Tenho a impressão de sempre estar atrasado nas minhas obrigação

A ansiedade é uma síndrome que afeta de forma cada vez mais profunda o modo de vida contemporâneo. A progressiva aceleração do tempo e o encurtamento das distâncias afetam a forma como a mente percebe a dimensão espaço temporal. Tudo é para já, as interações de qualquer tipo são em grande parte online e as distâncias se tornam cada vez menos significativas, trazendo uma sensação de encurtamento dos espaços, pois tudo está ao alcance, nem que seja de forma virtual. Poderíamos dizer que a respiração da nossa psique ficou acelerada.

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A ansiedade

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A ansiedade é reflexo do que?

Ansiedade

Tudo hoje parece acontecer com extrema rapidez. Situações que antigamente se prolongavam por dias ou meses, hoje se resolvem em questão de horas, ou até de minutos, imprimindo às nossas vidas um ritmo alucinado. É bastante comum hoje que as pessoas, tomadas por certa vertigem, constatarem que o tempo passa rápido demais.

O “encurtamento” do tempo é apenas um dos fenômenos que nos remetem a um sintoma bastante conhecido do homem e da mulher contemporâneos, a ansiedade.

Trata-se de um sentimento que normalmente tem um reflexo somático perceptível. A respiração fica ofegante, um aperto parece oprimir o peito, o estomago é afetado, uma sensação geral de opressão parece tomar conta do corpo. Aumento da pressão sanguínea e interferência no funcionamento hormonal são consequências menos perceptíveis, mas não por isso menos incômodas.

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Sonhos com morte

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Tenho sonhos relacionados a morte com frequência. Eles variam desde sonhos em que eu mesmo morri, outros são pessoas conhecidas, ou eventos como acidentes e etc. O que algo tão macabro quer dizer?

Sonhos com morte

Como já escrevi em outros dois artigos comentando o mesmo tema (Sonhando a própria morte e Sonhei que morri), sonhar com temas relacionados à morte, é uma forma do inconsciente chamar a atenção do sonhador sobre situações emocionais intensas que atormentam o seu mundo interno. Portanto quero tranquilizar o nosso leitor: com raríssimas exceções, o sonho não tem uma função premonitória.

Neste caso trata-se de sonhos que envolvem não apenas a morte de quem sonha, mas também de pessoas conhecidas. Apesar de o tema ser o mesmo: a morte, o que o sonho pretende evocar pode estar ligado a situações diferentes.

Vamos começar com o caso em que o sonho reproduz a morte de alguém conhecido. Neste caso, o sonho pode estar ligado a sentimentos aversivos que o inconsciente nutre em relação a determinada pessoa. Fazê-la morrer pode ser uma maneira de se separar dela: um desejo que responde à necessidade de se “separar” psiquicamente de determinada pessoa representado de forma radical pelo inconsciente.

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Mãe superprotetora

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Mãe superprotetora

Como observava o pediatra e psicanalista inglês Winnicott, uma mãe para criar seu filho precisa apenas ser suficientemente boa. Gosto dessa expressão, pois nela não há nenhum tipo de idealização da figura da mãe. A mãe não precisa ser perfeita, basta que seja “suficientemente” boa.

Isto significa que, na maioria dos casos, a mãe seguindo o seu instinto materno tende a cumprir adequadamente o seu papel. O problema talvez seja seguir a intuição, no meio de inúmeras solicitações que vêm do ambiente esterno e do próprio mundo interno. Ora é uma crítica da sogra ou da mãe, ora é uma observação da melhor amiga, ora é um artigo em uma revista feminina sobre como cuidar do filho.

Não é fácil se proteger de todas essas “invasões” que vêm do mundo externo e seguir a própria intuição. Tudo pode ficar ainda mais difícil quando, por alguma razão inconsciente, a mãe age dominada por injunções do seu mundo interno não suficientemente elaboradas. Neste caso, o foco emocional não está mais voltado para as reais necessidades do filho e passa a ser dominado pelas necessidades internas da mãe. Dúvida, angústia, culpa podem ser sentimentos que tomam conta dela e a levam a agir de forma inadequada.

Embora esse pensamento possa parecer terrível, nem sempre o filho é bem-vindo para o inconsciente. Não importa o quanto a mãe “se esforce” para aceitá-lo conscientemente, no plano inconsciente o filho pode continuar sendo percebido como um “objeto” indesejado, um intruso ou até como algo aversivo. A força de tais afetos inconscientes conflitantes é tão mais forte quanto menos a mãe tem consciência deles.

Os motivos pelo quais tais sentimentos indesejados se apoderam do inconsciente podem ser os mais variados. Citarei alguns, extraídos da experiência clínica, apenas a título de exemplo sem pretender esgotar a vasta gama de situações aversivas que podem condicionar a não aceitação inconsciente do filho por parte da mãe.

Uma série bastante comum de situações está relacionada à própria vida conjugal, no momento em que o filho chega. Problemas econômicos, incompreensões entre o casal, ameaças à união por causa de casos extraconjugais, brigas constantes, podem tornar uma gravidez problemática do ponto de vista inconsciente.

Outra situação bastante comum está ligada ao filho temporão, sobretudo quando ele não é planejado. Depois de certo número de anos, o casal se adapta à vida com os filhos e tudo se ajusta em função de um equilíbrio econômico e emocional baseado na atual família. A chegada de mais um bebê pode romper esse equilíbrio, fazendo com que ele seja percebido como uma espécie de invasor que veio para romper o que tinha sido até então construído.

Outra situação bastante típica se dá quando um filho é planejado para “salvar” o casamento. Desde o início trata-se de um bebê que não foi desejado por ele mesmo, mas em função da “tarefa” que lhe foi atribuída arbitrariamente pelos pais (ou pela mãe). Na maioria dos casos isso não funciona e o bebê, já crescido, deixa então de ter um “sentido”. O casamento fracassou e a mãe fica com mais um problema para resolver. Mesmo quando a vinda do filho cumpre o seu papel, e o casamento é salvo, ele deixa de “fazer sentido”, pois já cumpriu sua missão.

Temos ainda o sentimento de inadequação da mãe que optou por não abandonar sua carreira e que em função disso “sacrifica” o filho. Qualquer manifestação de tensão na relação é lida como uma declaração aberta de sua incompetência como mãe.

Enfim esses são apenas alguns exemplos que explicam como o mundo interno de uma mãe pode vir a ser perturbado inconscientemente por sentimentos aversivos em relação ao filho nada agradáveis e, é lógico, absolutamente inaceitáveis do ponto de vista do bom senso e da ética do meio. Longos períodos de análise às vezes trazem à tona tais sentimentos e é muito doloroso para uma mãe, admitir sua existência.

Em todos esses casos, a mãe fica angustiada e com culpa, mesmo sem saber por que. O derivado natural desses sentimentos tão dolorosos é a ansiedade, que leva a mãe a “reparar” inconscientemente seus sentimentos aversivos em relação ao filho com um cuidado exagerado.

O cuidado ansioso pode levar a atitudes superprotetoras por parte da mãe, que são prejudiciais porque não partem de uma necessidade real do filho e sim da “necessidade” interna da mãe. Diante dela o filho fica fragilizado e incapaz de “superar” qualquer tipo de desafio e frustração. Sem uma adequada imposição de limites ele tende a manipular o mundo em sua volta, fazendo pouco caso das limitações que a realidade impõe. As chances dele vir a ter sérios problemas no futuro são elevadas.

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Como me preparar para ser uma boa mãe?

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Estou grávida de uma menina. Minha gestação já passou dos 7 meses. Quanto mais se aproxima o dia do parto, mais vou ficando preocupada com a forma como vou educar minha primeira filha. O que a psicologia pode oferecer de ajuda para uma mulher que será mãe pela primeira vez? Há algo que ainda posso aprender ou vou aprendendo a ser mãe conforme a passagem dos dias com minha filha já nascida? Muito obrigada! - M. A. D. (Bahia)


Não fique preocupada! Confie na sua intuição, ela irá guiá-la! A mãe está naturalmente preparada para cuidar do seu bebê. A relação que se estabelece com ele, apesar de ser extremamente sofisticada do ponto de vista psicológico, será tanto melhor quanto menos ela se preocupar e ficar ansiosa. Existe uma comunicação natural entre a mãe e o seu bebê. Esta comunicação torna-se cada vez mais profunda na medida em que o tempo passa, permitindo à mãe perceber imediatamente as necessidades reais do bebê.  O que ela precisa é de um ambiente favorável que lhe permita uma dedicação plena ao seu bebê. Poderíamos falar em “devoção”. Uma função importante do pai (ou de quem o substitui) é garantir esse ambiente, criando, por assim dizer, um ninho, onde a mãe e o bebê não sejam incomodados por “invasões” e agressões excessivas por parte do mundo externo. Sua presença solícita, afetuosa e atenta, poderá ajudar a mãe a ter mais calma e a evitar exageros nos cuidados e uma ansiedade excessiva.

É importante ressaltar que o bebê, apesar de aparentar uma extrema fragilidade, não é tão frágil assim como parece. Ele é dependente, é verdade, mas não é frágil. Winnicott dizia que uma mãe deve ser suficientemente boa. Isto quer dizer que não é necessário que ela seja perfeita. O bebê pode tolerar pequenas falhas por parte do ambiente e em particular da mãe. Ele mesmo se preocupará em comunicar essas falhas à mãe chorando ou apresentando algum comportamento “anormal”. O importante é que as falhas não se prolonguem por muito tempo e que não sejam constantes.

Quem garante ao bebê o seu senso de continuidade no tempo é a mãe. Portanto uma certa constância é importante.  Aos poucos assim o bebê que chora pode perceber que é o mesmo bebê que ri um minuto depois. A mãe também transmite ao bebê a sensação de habitar um corpo. Isto torna muito importante o “manuseio” do bebê por parte da mãe  quando o segura, pega no colo, abraça, massageia seu corpo, troca as fraldas, dá o peito, etc. Através desses cuidados afetuosos básicos o bebê percebe que tem um corpo e que o habita.

O bebê se espelha no rosto da mãe. Se o rosto da mãe refletir afeto, amor, calma, acolhimento, serenidade, o bebê passa a sentir a si mesmo dessa maneira. Se o rosto da mãe refletir preocupação, ansiedade, medo, dor, raiva, o bebê sentirá que tem algo errado com ele e isto vai influenciar a maneira como ele irá sentir a si mesmo no futuro. Neste sentido é importante que a mãe se preserve,  procurando evitar situações que possam causar ansiedade ou depressão.

E para concluir uma palavra sobre a importante experiência da onipotência por parte do bebê. Esta é a fase de formação do psiquismo em que deve nos ser permitido “alucinar”. O bebê, ao entrar em contato com suas necessidades (fome, frio, sensação de cair, calor, incômodo causado quando está molhado, luz demasiadamente intensa, barulhos escessivos, etc.), “alucina” algo (sem contornos definidos) que irá satisfazer essas necessidades. Esse algo é um “objeto” que ele não percebe ainda como sendo externo, é um objeto “subjetivo”, que faz parte dele mesmo. Aqui entra a mãe, que, ao perceber a necessidade do bebê, e somente quando o bebê manifestar essa necessidade (tendo portanto cuidado em não confundir uma necessidade dela com aquela do bebê), oferece algo que o bebê havia previamente alucinado (seio, calor, pegar no colo, vestir uma roupa menos quente, trocar a fralda, escurecer o quarto, afastar a fonte de ruídos, etc.). A bebê tem portanto a impressão que o seu desejo “criou” algo que responde às suas necessidades. Ele se sente portanto “onipotente”, pois ainda não percebe a mãe como separada dele. Esta experiência é fundamental para a auto-estima e para que ele possa habitar futuramente o seu lugar no mundo.

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