A perda de uma grande paixão

Vivi uma intensa paixão e tenho certeza que com outras pessoas jamais será igual. Como me libertar disso e projetar a possibilidades de viver novos amores e novas experiências. Pode brotar uma paixão por alguém por quem inicialmente não há desejo?

A perda de uma grande paixão

É um clichê do cinema americano: dois jovens convivem sem desconfiar que um dia poderão se apaixonar um pelo outro e, de repente, inicia uma história de amor. Isto não impede que, no tempo do luto pela perda de uma grande paixão, tudo pareça vazio e cinzento, sem que a possibilidade de um novo romance seja vislumbrada.

O apaixonamento responde a um processo inconsciente marcado por intensas projeções e por uma idealização da pessoa amada. Nada pode competir com o “objeto idealizado” e, ao mesmo tempo, nada é mais perigoso, pois todo objeto idealizado nos persegue.

A única chance de uma paixão sobreviver é que possa fugir dessa perturbada zona de idealização e se transformar em um amor que envolve pessoas reais, “objetos inteiros”, como diz a Psicanálise, com suas virtudes e defeitos. Percebemos que realmente amamos alguém quando conseguimos enxergar e amar seus defeitos, sem minimizá-los. Se isto não acontece, o amante viverá o resto de sua vida sentado à sombra do seu grande amor perdido, antes mesmo de perdê-lo. É assim que Freud descreve a melancolia.

 O apaixonado é um potencial melancólico. Por se tratar de uma produção de nossa mente, a pessoa idealizada é fortemente investida, dando aquela sensação de arrebatamento, típica do apaixonamento. Trata-se porém de alguém que existe apenas na nossa mente, abrindo o campo para a decepção e a sensação de falta, mesmo antes de sua perda definitiva.

A recuperação da perda de uma grande paixão exige tempo. Isto não impede que, em alguns casos, haja quem prefira se jogar em um carrossel maníaco de novas conquistas. Mais uma vez, trata-se de um comportamento neurótico que denota uma tentativa maníaca de sair do luto. Um sintoma perigoso, pois, novamente, corre-se o risco de estar à mercê dos próprios núcleos neuróticos, criando vínculos ilusórios.

Embora quem esteve apaixonado anseie reviver a mesma experiência, ficará muito feliz se poderá viver uma experiência diferente.

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