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Vida amorosa e sexualidade

Vida amorosa e sexualidade (55)

Vida amorosa e sexualidade

O papel do homem mudou?

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Anos atrás o homem tinha o papel de suprir as necessidades de sua família. Trabalhava para isso. Hoje, em dia, as coisas mudaram muito e o homem tem outras tarefas também, como cuidar da casa. O que aconteceu? O senhor acredita que haverá mais mudanças daqui para frente na convivência homem-mulher? - Lúcia, de São Paulo

 Mudou o papel do homem?

No convívio com meus pacientes, homens e mulheres, percebo que a questão trazida pela nossa leitora está se tornando cada vez mais relevante, mesmo quando o casal não é consciente disso. É difícil contudo fazer um levantamento objetivo do que de fato está acontecendo, pois as mudanças desse tipo são lentas e repletas de ambigüidades.

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Mulher do lar: é ainda uma opção?

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Por que ainda existem mulheres que sonham ser sustentadas pelo marido, se tornar donas-de-casa? Isso não seria uma postura machista? Tenho 19 anos e não desejo esse tipo de postura para mulher alguma porque pode servir de empecilho na ascensão profissional. Estou certa? (Bárbara, Salvador/BA)

 

Ser mulher “do lar” é ainda uma opção?

 

Os tempos em que vivemos tornam cada vez menos viável para a mulher ficar em casa e ser sustentada pelo marido. Estatísticas recentes mostram que no Brasil há cada vez mais lares sustentados por mulheres que cuidam sozinhas da casa e dos filhos.

Mesmo para as casadas é cada vez mais difícil optar por ficar em casa. Os baixos salários, o crescente custo de vida e o risco do marido perder o emprego fazem com que a mulher opte por ter uma carreira profissional, garantindo assim uma maior estabilidade econômica ao lar.

Prescindindo das necessidades concretas, impostas pela realidade atual, é bom do ponto de vista psíquico para a mulher ficar em casa, sendo sustentada pelo marido? Tudo depende da postura que a mulher tem diante da opção de ficar em casa ou trabalhar.

O que torna o ser humano saudável do ponto de vista psíquico é a possibilidade de estar integrado, ou seja, de harmonizar da melhor forma possível os aspectos de sua personalidade. A grande “tarefa” do ser humano é tornar-se “uno”: unificar em si os aspectos inicialmente cindidos, superando sua fragmentação interna. Diante da opção de ficar em casa ou desenvolver uma vida profissional, a primeira pergunta que a mulher deve fazer é qual dos dois caminhos a ajuda a se tornar mais integrada consigo mesma.

O que geralmente impede a mulher de optar pela vida profissional é a falsa idéia de que tal opção irá “prejudicar” os filhos e a relação com o marido. A experiência clínica mostra o oposto. O que é realmente bom para um, nunca prejudica o outro, ao contrário, o ajuda a se desenvolver de forma mais saudável. Por outro lado, o que é ruim para um acaba afetando os outros de maneira sutil, através das atuações do inconsciente.

Mas por que é aconselhável que a mulher desenvolva uma vida profissional ao lado do seu companheiro? Em primeiro lugar para desenvolver a sua autonomia, elemento indispensável para que as trocas “amorosas” sejam realmente trocas e não apenas gestos de submissão. O marido que quer “segurar” a mulher porque teme a sua autonomia, além de mostrar a sua insegurança, está mostrando a sua total incapacidade de amar o outro.

Uma outra necessidade da alma humana é a expansão, em buscas de seus sonhos e da realização de suas necessidades internas. Se ficar em casa transmite à mulher uma sensação de aprisionamento, cedo ou tarde ela desenvolverá algum tipo de síndrome depressiva que, além de prejudicar sua saúde psíquica, acabará “pesando” de forma altamente negativa sobre filhos e marido.

Uma terceira necessidade do ser humano é significar a sua existência, dar um sentido ao seu estar no mundo. Mais uma vez, o aprisionamento na vida doméstica pode transmitir à mulher a sensação de uma vida sem sentido e alimentar sentimentos negativos de menos-valia.

Quanto à relação com os filhos, de início, é obvio, a criança solicita de forma constante a presença materna. Este, no entanto, depois dos primeiros seis meses, é um desejo narcísico da criança e não necessariamente uma necessidade real. Aliás, com o tempo, crescendo, a criança precisa se distanciar. Quando isto acontece, a mãe perde “o seu mundo” que ficou demasiadamente confundido com aquele do filho. Passa então a sufocar o filho com uma presença invasiva que não é saudável. Ao contrário, uma mãe que trabalha pode desenvolver uma relação saudável com o filho que, geralmente, a vê com orgulho e nela se espelha. Naturalmente, mães compulsivamente preocupadas com a carreira podem prejudicar sua relação com os filhos, mas este é um tema a parte.

Do ponto de vista do casal, há ainda uma outra vantagem. O marido é estimulado a ver a mulher como alguém que está do seu lado e não apenas como alguém que está ao seu dispor, sendo assim convocado para compartilhar as tarefas domésticas e a condução da casa com a mulher.{jcomments on}

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Diferenças que pesam na relação

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Brigo muito com minha namorada, pois sou muito caseiro e ela quer sair todo dia. Tento ser flexível, porém às vezes isso chega a ser uma tortura para mim. Qual seria a melhor solução? Ayslan Camargo - Recife (PE)

As diferenças que pesam na relação

 

É normal que um casal enfrente dificuldades no convívio por causas dos diferentes pontos de vista sobre as situações que surgem no dia-a-dia. Os problemas mais sérios começam a se apresentar quando um dos dois acha que sua maneira de ver as coisas é “a certa” e que o outro está “errado”.

O aparecer das palavras certo e errado para julgar situações do dia-a-dia mostra que os diferentes “pontos de vista” se tornaram verdades absolutas. Um ponto de vista é na realidade um ponto para ver as coisas. É como se o casal estivesse vendo um vale, cada qual postado em uma vertente oposta da montanha. O que um vê é diferente do que o outro vê, embora ambos estejam olhando para a mesma coisa.

O importante é perceber que cada um tem “um ponto para ver” as coisas e não a percepção total e absoluta da realidade. Esta, de fato, é objetivamente percebida, mas subjetivamente concebida. O primeiro obstáculo a ser superado em uma relação é a síndrome do certo e do errado, que denota uma apropriação indevida, por parte de um ou de ambos, do direito de julgar a maneira como o outro enfrenta as situações do dia-a-dia a partir de uma “verdade” individual que é sempre suspeita.

Tudo isso mostra uma dificuldade, por parte do casal, que impede de se “deslocar” para o  território do outro, na tentativa de compreender seu mundo, seus valores e sua maneira de enfrentar as coisas. Tentar assumir o ponto de vista do outro não é fácil, mas também não é impossível, desde que haja uma certa empatia com a maneira de ser do  outro.

A maneira de ser de cada um está relacionada com hábitos, costumes, percepções subjetivas e até com a “cultura” do ambiente familiar onde a pessoa foi criada. Naturalmente influencia também a maneira de ser de cada um sua “neurose”, ou seja a estrutura psíquica que o(a) caracteriza. Ninguém foge disso. Nem tudo o que nós vemos é fruto de um olhar “isento” e saudável. O nosso olhar é distorcido pelas percepções do mundo interno que nos levam a ocnceber as coisas de uma maneira ou de outra independentemente de como elas de fato são.

Existe contudo um limite intransponível nessa possibilidade de “acolher” a maneira de ser do outro. Algo que define a possibilidade de uma relação ser mantida ou não. Trata-se de situações ligadas às “formas” que caracterizam a personalidade de cada um.

 Quando a vida a dois exige constantemente deslocamentos para um território que se distancia radicalmente da maneira de ser da pessoa, esta entra em sofrimento e começa a nutrir uma profunda mágoa interna, pois se sente ameaçada em algo que a constitui no seu íntimo, ameaçando sua “forma” de ser.

As formas de cada um são ligadas aos que eu chamo de “objetos cintilantes” do self, ou seja, a aspectos profundamente ligados à estética e à ética de vida de cada um. Pedir a alguém de abrir mão disso, é pedir que ele se “despersonalize”, ou sehja que perca sua identidade. Trata´se de uma violência que atinge profundamente o psiquismo, com conseqüências que varia de pessoa para pessoa.

A agressividade que esse processo desperta, pode ser canalizada contra o mundo externo, tornando a pessoa mal-humorada e agressiva, ou então pode se voltar contra a própria pessoa, fazendo com que ela desenvolva síndromes depressivas, pânico ou até reações psicossomáticas algum tipo de doença física).

O namoro é um período importante justamente porque permite ao casal de avaliar esses aspectos, antes de se comprometer definitivamente com a vida a dois. É um periodo de experimentação e é bom que mantenha essa característica. Ingnorar isso, achando que o casamento ajudará a resolver as  diferenças pode ser uma atitude irresponsável que irá causar grandes problemas futuros.{jcomments on}

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Infidelidade, deslealdade e traição

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Infidelidade, deslealdade e traição

 

 

Infidelidade e traição são palavras que abalam qualquer relação amorosa. Para a maioria dos casais, trata-se da fronteira que não pode ser ultrapassada. No entanto não é raro que tanto os homens como as mulheres traiam seus parceiros mesmo tendendo a se manterem leais à sua relação. Parece confuso, não é?

Quero esclarecer desde já que o objetivo deste artigo não é questionar ou minimizar o valor moral e religioso do compromisso matrimonial. A abordagem psicológica é feita na tentativa de entender o que acontece de fato na vida real, sem questionar se isso é o que deveria acontecer e seria recomendável do ponto de vista moral.

Uma primeira constatação talvez surpreenda. Apesar de o nosso imaginário considerar o casal de amantes como o símbolo supremo da paixão desenfreada e do prazer, quem trai geralmente não é tão feliz como parece. Ter um caso não costuma ser uma experiência fácil, Pelo menos é o que a clínica tem mostrado. Na maioria das vezes, a “traição” é acompanhada de uma sensação de frustração e de raiva.

Independentemente das convicções religiosas, parece haver no próprio psiquismo um incômodo com a infidelidade, pelo menos nos neuróticos (isto pode ser diferente nos casos de psicose e perversão). As estatísticas parecem comprovar esse dado ao mostrar que a maioria que se separa tendo um caso raramente casa novamente com a pessoa com quem teve o caso.

Outro dado curioso: na maioria das vezes, quem resolve ter um caso, raramente admite que esteja “traindo”. A experiência tende a ser percebida pelo psiquismo como uma forma de preencher algo que falta na relação com o parceiro, mais do que uma substituição de uma relação pela outra. A necessidade de ter um caso geralmente nasce da percepção que algo falta na relação e da tentativa de preencher essa falta.

Inicialmente, a paixão e a sensação do proibido erotizam fortemente a relação e distorcem a percepção do “outro’. Quando porém aparecem os primeiros conflitos, a sensação geralmente é de estar revivendo situações conhecidas. E, que ninguém se engane, os conflitos inevitavelmente aparecem. Se o(a) amante for casado(a), haverá inevitáveis limitações de tempo e de disponibilidade. Isto se torna claro, quando a relação sai das quatro paredes de um quarto de motel e é testada no terreno da vida real. Isto é particularmente doloroso quando a relação envolve alguém casado com uma pessoa que é solteira ou divorciada, que se verá passando longas horas durante os feriados e fins de semana sozinha(o), enquanto o(a) amante está com a sua família. Necessidades diferentes inevitavelmente geram conflitos no casal.

É fácil imaginar a surpresa ao descobrir que o amante não está de fato disposto a deixar o seu parceiro e a sua família. O que de fato é bastante comum. Isto nos remete novamente à constatação inicial. Quem “trai” raramente está realmente pensando em “trair”. As duas relações são cindidas, como se uma não tivesse nada a ver com a outra. Neste sentido, quem está tendo um caso, embora admita estar sendo infiel do ponto de vista sexual, não sente isso como uma verdadeira “deslealdade” com o seu parceiro, pois o que ele está vivendo fora, não é algo que ele se nega a viver na sua relação oficial.

Neste sentido é bastante comum que algumas mulheres tolerem as escapadinhas sexuais do marido, mas cobrem dele a lealdade ao vínculo, mantendo o compromisso com elas e com os filhos. Já para os homens costuma ser mais difícil tolerar a infidelidade sexual da mulher, embora existam homens que se dispõem a isso, desde que seja mantida a relação e certa lealdade ao compromisso mútuo de serem parceiros, amigos e de dar suporte um ao outro. A difusão da prática do swing, da relação aberta e o multiplicar-se de casa noturnas com essa finalidade parece confirmar essa tendência. Neste caso, não podemos falar em deslealdade e em traição, embora haja infidelidade sexual, pois trata-se de um acordo mútuo.

Quanto a essas práticas pouco comuns, não tenho dados sobre os efeitos psíquicos que provocam no casal. Acredito ser possível que o afrouxamento do vínculo possa levar com mais facilidade à separação, embora os praticantes garantam que a experiência fortaleceu o vínculo e o senso de cumplicidade. O que a prática clínica mostra é que nem sempre infidelidade, deslealdade e traição são percebidas como sendo a mesma coisa do ponto de vista psíquico, embora muito raramente a relação extraconjugal deixe de trazer angústia e seja vivida com leveza pelo psiquismo.{jcomments on}

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Guerra dos sexos?

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Faz sentido falar em guerra dos sexos?

 

As relações de forma geral não são fáceis Em um mundo marcado pela “correria” e pela competição, a aproximação entre seres humanos é apressada e desconfiada, gerando um sentimento de “superficialidade”. A maioria das pessoas tende a sentir a sua existência como “descartável” e provisória. Tudo hoje pode ser facilmente substituído por algo supostamente mais novo e eficiente. Os seres humanos sentem-se inexoravelmente incluídos nessa lógica de mercado.

Quando falamos das relações entre homens e mulheres, sobretudo no que diz respeito às relações amorosas, o cenário é ainda mais complexo, O primeiro elemento complicado consiste no fato que quem se lança a viver a experiência amorosa já tem definido na sua mente o “tipo” de homem ou de mulher que está procurando. Trata-se de modelos em parte conscientes e em parte inconscientes nos quais a nossa mente se baseia para definir qual é “o tipo” ideal. A escolha do parceiro(a) segue rigorosamente essa projeção mental.

A fase do enamoramento geralmente é marcada por esse tipo de projeções. “Eureca, encontrei o homem (a mulher) da minha vida!”. Esta feliz descoberta está estampada no rosto radiante do(a) felizardo(a) e desperta a inveja dos(as) amigos(as) que ainda não tiveram essa sorte.

É inevitável contudo que, com o passar do tempo, as coisas tendam a mudar. O príncipe pode virar sapo e a princesa a bruxa malvada. A relação que fluía prazerosamente, cheia de encantamento, se torna mais áspera e desencantada. O que aconteceu?

Vamos começar com a mulher. Ela busca se apropriar de sua feminilidade, e com isso reforçar a sua autoestima narcísica, mediante a apropriação de um “falo”. O falo é o representante simbólico da potência masculina, diante da qual a mulher se sente “em falta”. Esta experiência se inicia muito cedo, desde o nascimento (ao se perceber objeto do amor da mãe), mas se intensifica durante a fase edípica (em torno dos 4 anos), na qual a menina percebe que é diferente dos homens e busca conseguir o seu lugar no mundo, disputando o amor do pai, sem perder o amor da mãe. É fácil perceber nas meninas dessa idade a “competição” com a mãe, para chamar a atenção do pai, A apropriação de um falo e a superação do senso de falta, são portanto elementos constitutivos do feminino.

O resultado dessa “falha” estrutural da mulher é a busca de uma forma de se apropriar do falo (aspecto simbólico da potência dos aspectos masculinos, que garante a capacidade de “penetrar” o mundo e dar sentido à existência, criando algo novo e específico). Vamos ver como isso acontece.

Para algumas mulheres, sobretudo hoje em dia em que a mulher conquistou um lugar cada vez mais expressivo na vida social e profissional (uma mulher é presidente do nosso País), a busca do falo se concretiza no sucesso profissional e na conquista de um lugar no mundo, competindo de par a par com os homens.

Para outras, embora possa não faltar o primeiro aspecto, prevalece a procura de um homem, à sombra de cuja potência fálica (real ou imaginária) elas se sentem valorizadas, cuidadas e protegidas.

Finalmente é no filho que a mulher se apropria plenamente de sua feminilidade e de sua potência. Isto explica também por que, em alguns casos, algumas mulheres procuram desde o início um “filho” com quem se casar, escolhendo homens fracos e inconsistentes, bastante desprovidos de aspectos fálicos.

Embora a mulher seja bastante “fálica” no seu dia-a-dia, atuando profissionalmente e garantindo muitas vezes o sustento do lar, há um aspecto fundamental que garante o andamento  harmonioso de sua vida amorosa. Ela quer se sentir “a mulher”, a única.

Se o homem descuidar desse aspecto e a fizer sentir apenas mais uma entre outras (não estou me referindo necessariamente à “traição”) a vida amorosa entra em crise, pois a mulher começa a revidar com agressividade, muitas vezes tentando “castrar” o marido.

E o homem como fica nessa história? Ele nasce com um pênis, mas isso não garante a posse de um “falo”, pois este é conquistado no plano simbólico na relação com o pai e com o mundo. Ele também procura sua realização narcísica na aprovação da mulher, começando com a primeira mulher de sua vida, a mãe. No embate com o pai, ele aprende porém que sua potência fálica é “barrada” pela realidade e pelos outros.

Será no encontro com uma mulher que ele tentará superar essa falha básica (a sua castração). A primeira superação que garante uma reposição da autoestima narcísica frustrada pelos embates com o mundo é a conquista de uma mulher, situação que pode talvez reencenar infinitas vezes durante a vida, se sua autoestima for baixa, tentando conquistar o maior número possível de mulheres..

Na sua mulher ele buscará constantemente esse “reforço” narcísico, lutando pela sua admiração. No entanto, se a mulher disputar com ele a posse de um falo (por exemplo, competindo profissionalmente com ele ou querendo “mandar” em tudo e frustrando sua iniciativa), acabará por afastá-lo, induzindo-o provavelmente a procurar em outra mulher essa admiração.{jcomments on}

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Violência doméstica

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 Apanho do meu marido há 40 anos. Não consigo reverter a situação – Anônima

Violência doméstica

 

Fico profundamente entristecido quando entro em contato com situações como aquela descrita pela nossa leitora. Quarenta anos vividos á sombra da violência evidentemente têm um efeito profundo sobre a psique. No entanto, escrever para o jornal representa uma forma de reação, um pequeno sinal de que a desistência não foi total. Trata-se de um grito de socorro que ainda fica no aguardo de algum sinal de esperança.

Quando a violência se instaura dentro da própria casa, infelizmente, não há como amenizar a situação. Para a mente o efeito é devastador. A casa é para o psiquismo um “lugar sagrado”, pois é o prolongamento do próprio Self da pessoa (do seu Eu profundo). Tudo o que acontece no âmbito da vida doméstica tem uma repercussão enorme sobre a psique. Por causa disso, violar o convívio doméstico representa uma intrusão psíquica tão violenta quanto um estupro.

Quando um caso desses se apresenta não é possível ser conivente com a situação. É necessário que a vítima perceba a necessidade de reagir e tomar todas as medidas para que as cenas de violência não se repitam. Na maioria dos casos o único jeito é recorrer à delegacia da mulher para obter orientação e ajuda.

As objeções que a mulher costuma apresentar diante da necessidade de tomar essa difícil decisão são as mais variadas. A primeira é minimizar a situação: “Meu marido só faz isso quando bebe”. Ou então: “Ele só faz isso quando fica muito bravo, depois se arrepende.” Ou ainda: “Não quero que meus filhos vejam o pai ir preso!”.

Não há justificativa para um homem que bate na mulher. Trata-se de um ato grave de perversão. Para a relação do casal é o fim de linha. Só temos duas alternativas: ou o compromisso sincero por parte dele de se tratar, ou, caso não admita que o seu comportamento é inadmissível, a denúncia.

Quanto aos filhos, não há nada pior e mais violento do que eles assistirem a cenas de violência na própria casa. Tudo isso os expõe a uma situação psíquica traumática, obrigando-os a participarem do clima de medo e constrangimento vivido pela mãe. Nada é pior do que isso, nem ver o pai ir preso.

Feita essa premissa, é importante perceber que a neurose de um dos cônjuges (ou neste caso talvez seja mais apropriado falar em perversão) se alimenta da neurose do outro. O que quero dizer é que no casal se instaura às vezes um funcionamento complementar em que o psiquismo de um se encaixa perfeitamente no psiquismo do outro gerando um funcionamento da dupla sincrônico, que gera uma cumplicidade perversa.

No nosso caso, existe um comportamento que sugere submissão incondicional ao outro. Isto faz com que os ataques violentos do marido nunca sejam revidados. No plano incosciente provavelmente há uma total desistência de si, um sentimento de menos-valia, de inexistência que só é amenizado quando o outro interage de forma violenta.

Saber-se alvo de violência, por estranho que possa parecer, é um sinal de que o outro reconhece a minha existência, repara em mim, mesmo que seja apenas para fazer de mim um objeto no qual projetar o seu ódio sádico. Sou alvo de violência, portanto existo: parece ser esse o gozo do inconsciente. Talvez seja essa a única forma que o inconsciente possa encontrar para fugir da sensação angustiante do “não existir”. Apanhar talvez seja a única experiência sensorial que possibilita a sensação de sentir-se viva. Talvez seja esse o “ganho secundário” da neurose do qual Freud falava.

Sei que o que estou dizendo pode parecer estranho, pois sugere quase uma cumplicidade da vítima com o seu carrasco, uma singular combinação de sadismo com masoquismo. No entanto, trata-se de uma hipótese que aponta para um funcionamento totalmente inconsciente e, portanto, não perceptível conscientemente. Isto pode explicar também porque às vezes o sádico percebe no comportamento de vítima uma autorização subliminar a machucá-la, o que contribui para reforçar o seu funcionamento de manipulação onipotente da realidade.

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E viveram felizes e contentes

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E viveram felizes e contentes...

Desde a infância sabemos pelos contos de fada que a história de amor entre a princesa e o príncipe encantado está destinada a terminar em casamento. A história, na maioria dos casos, termina ali. Quanto ao que vem depois, sabemos apenas que os dois viveram “felizes e contentes”.

Os contos de fada atuais também “terminam” com uma linda cerimônia de casamento. Quanto ao que vem depois, infelizmente, o desfecho costuma ser mais complicado: tédio, desentendimentos, ressentimentos, separação (as estatísticas apontam que aproximadamente 40% dos casamentos acabam em divórcio) e somente em alguns casos o casal consegue a felicidade prometida pelos contos de fada, ou pelo menos, ,algo parecido.

Como já mencionei em alguns artigos, um engano bastante comum é achar que a história do casal termina com o casamento. Além dos contos de fada, no Brasil, também as novelas costumam sugerir esse final feliz. È raro que não haja um último capítulo em que tudo se resolve, geralmente com o tão esperado casamento dos protagonistas. No cinema, as comédias românticas também seguem esse caminho, deixando para os dramas contar histórias menos  encantadas.

No seu último filme, Você vai conhecer o homem dos seus sonhos, Woody Allen se mantém a  meio caminho entre o drama e a comédia romântica, descortinado com seu olhar irreverente e irônico as aventuras, encontros e desencontros de dois casais, um na faixa dos 70 anos e outro na faixa dos trinta/quarenta anos, O desfecho não é o esperado. O único casal que consegue um final aparentemente feliz, constrói seu sonho nos devaneios de uma vidente charlatã e com a aprovação do além, obtida em uma suspeita sessão espírita. Já o casal mais jovem amarga o desencantamento de ver seus sonhos ruírem, assim como o pai da moça, que buscou inutilmente recuperar a juventude perdida casando com uma deslumbrante prostituta. Ele consegue finalmente o tão desejado filho homem, mas sem saber quem é o pai.

Se antes Roy espiava a bela vizinha pela janela do prédio, depois de deixar a esposa para ir viver no apartamento dela, acaba espiando a sua ex-mulher pela janela, como antes fazia com a jovem. O bem desejado está sempre fora do alcance, na janela do vizinho ou da vizinha.

Tudo isso nos permite vislumbrar os intensos processos de idealização que acompanham a jornada amorosa. Raramente estamos dispostos a casar com uma pessoa real, geralmente preferimos casar com nossos sonhos, ou com nossos devaneios, como no caso da septuagenária Hellen.

O casamento é um lindo vaso de cristal. No dia seguinte da cerimônia ele é guardado cuidadosamente – para que não quebre – junto com os demais presentes na estante da sala.

Muitos passam a maior parte do tempo contemplando o lindo vaso, um tanto empoeirado, sem ter a coragem de tirá-lo da estante. O casamento se torna assim um ponto de chegada, marcado por uma linda lápide de mármore com a saudosa escrita: “Aqui jazem felizes e contentes Fulano e Fulana”.

Não é fácil tirar o vaso da estante e fundi-lo novamente no crisol da aventura do cotidiano para criar sempre novas peças, mais em harmonia com a realidade do casal. Este parece ser o único caminho. O casamento não é a realização de um sonho e sim o início da sua construção. Trata-se de um sonho que deve ser construído a quatro mãos, com o que está ao nosso alcance, sem idealizações, aceitando os limites e as inevitáveis frustrações que a realidade acarreta. Nem sempre resultará no lindo vaso de cristal dos comerciais de TV, das novelas ou dos filmes, mas poderá se tornar uma criativa coleção de peças, não menos artísticas. Talvez não seja tão romântico assim, mas pode funcionar!

 

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Os filhos e a crise do casal

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Meu pai e minha mãe geralmente têm tido um relacionamento estável, mas ultimamente têm ocorrido conflitos entre eles que deixam minha mãe confusa a ponto de acreditar que o casamento acabou. Nos finais de semana meu pai sempre tem algum programa pra fazer com os amigos do trabalho e deixa minha mãe sozinha comigo, em casa. Nunca pergunta a ela se existe algum lugar ao qual ela gostaria de ir, nunca a convida para jantar fora, ou seja, a sensação que tenho (mas nunca disse isso a ela) é que, para ele, a função da minha mãe e ficar em casa e cuidar dos filhos e, como ele trabalha a semana toda fora da cidade, a diversão e o descanso dele são mais importantes. Ela acabou perdendo o interesse em si mesma, já não se arruma mais, perdeu o gosto até por coisas que ela sempre amou fazer. Não sei o que está acontecendo com meu pai. Gostaria de uma orientação. Filha preocupada - de algum lugar do Brasil

Os filhos e a crise do casal

É bastante freqüente que os filhos fiquem preocupados com a situação do casamento dos pais, sobretudo quando começam a surgir sinais de crise, como no caso descrito em sua carta. Naturalmente a forma de expressar essa preocupação varia de acordo com a idade e o grau de desenvolvimento emocional, assim como também varia a forma como os filhos são atingidos pelas crises do casal. Mas o que o filho pode fazer quando percebe que o casamento dos pais está ameaçado? É possível ajudar?

Em primeiro lugar, é importante que ele possa identificar e aprender a lidar com seus próprios sentimentos. Do ponto de vista emocional, de fato, esta situação pode acarretar reações de vário tipo: raiva, culpa, angústia... Trata-se de sentimentos incômodos, dentre eles, a culpa é o mais comum, embora muitas vezes não seja percebida de forma consciente. Ma por que culpa? Por disputar de forma inconsciente o amor exclusivo dos pais, os filhos desejam, sem ter consciência disso, separá-los e acabam por se sentir culpados quando os pais parecem não se amar mais. É como se, por ter desejado inconscientemente de ser amados de forma exclusiva, eles atribuíssem a si a crise no relacionamento do casal.

Junto com a culpa costuma surgir um sentimento de raiva. Os filhos se sentem traídos ao perceber que os pais não se amam mais como antes. A relação amorosa entre os pais representa de fato para os filhos um “ambiente” seguro. Este ambiente é descoberto muito cedo, a partir do momento em que o bebê começa a perceber a existência do mundo externo como separado dele, saindo assim da estrutura narcísica (egoísta poderíamos dizer) que caracteriza o início da sua vida psíquica. A “perda” desse ambiente seguro representa para o filho uma ameaça. É inútil dizer que, com o passar dos anos as relações com os pais podem acarretar outras “raivas”, sobretudo quando a relação com eles é difícil. Neste caso é comum que um dos filhos apóie um genitor e outro o outro. Manter uma certa imparcialidade, nestes casos é importante, para evitar de se associar às fantasias persecutórias que costumam surgir na relação do casal. O filho pode ser uma referência importante para que o casal possa identificar essas fantasias e perceber que talvez a realidade não seja exatamente como ele imagina.

No caso específico citado em sua carta parece haver de sua parte uma certa identificação com sua mãe e com o lugar de exclusão ao qual, supostamente, seu pai a relegou... Mas será que não houve também uma desistência da vida por parte de sua mãe? Ela parece ter perdido o interesse por si mesma, sua auto-estima e a possibilidade de “estar viva“. Talvez o problema não seja apenas o “descaso” do seu pai. A reação dele pode ser uma tentativa de se manter vivo, de se proteger da estrutura depressiva de sua mãe. Neste caso você poderá ajuda-la evitando se associar a essa estrutura, estimulando-a a descobrir novos interesses, a habitar novos mundos.

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Casamentos que não dão certo

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Na Bíblia, em Gênesis, está escrito que Deus criou o homem e a mulher à sua imagem, os abençoou e lhes disse "sejam fecundos, crescei e multiplicai-vos". Acredito que este foi o primeiro casal, Adão e Eva, que Deus uniu e abençoou para viverem um ao lado do outro. Mais tarde, Jesus elevou o matrimônio a um sacramento indissolúvel. Mas hoje tantos casais estão se separando. Não estão mais cumprindo o que prometeram no altar e na presença do padre ou diácono, das testemunhas e da comunidade. Qual será o motivo dessa separação? Adolfo Wiemes - Santa Rosa de Lima (SC)

Casamentos que não dão certo

Apesar do ideal cristão prever a estabilidade do casamento “até que a morte os separe” e o catolicismo pregar a indissolubilidade da união celebrada na igreja, na presença de um padre ou diácono, a realidade parece questionar a viabilidade desse ideal.

Alguns dados do IBGE parecem confirmar essa afirmação. De 1991 a 2002 o número de casamentos caiu, enquanto o número de separações aumentou. De 1991 a 2002, a queda do número de casamentos realizados no civil foi de 4%. No que diz respeito às dissoluções de casamento, entre 1991 e 2002, houve aumento de 23.470 (30,7%) no número de separações e de 45.375 (55,9%) no de divórcios. De acordo com o IBGE, o resultado é reflexo, em parte, do ingresso da mulher no mercado de trabalho, garantindo maior independência do cônjuge masculino.

Ainda de acordo com o IBGE, no Brasil a duração média do casamento, antes da separação, é de 10 anos. Enquanto a cada 1000 habitantes 4,1% casam (dados de 2002), 0,7% se separam. É uma taxa alta, mas que ainda não atinge os níveis mais elevados dos EUA, onde quase 50% dos casamentos resultam em separação. Na Europa os índices são também elevados.

Dados estatísticos não questionam o valor intrínseco dos ideais cristãos sobre o casamento, mas certamente fazem pensar, pois a realidade vivida por um grande número de pessoas não acompanha os anseios cristãos sobre a família. Surge espontânea a pergunta: por que isto está acontecendo?

Recentemente, uma novela transmitida em cadeia nacional mostrou como o casamento é vivido na cultura indiana. Ainda crianças, o menino e a menina são destinados pelas respectivas famílias a formarem um novo lar. Mais tarde, na idade adulta, eles se conhecem mais de perto e iniciam o noivado, seguido pelo casamento.

Nesse contexto cultural, o casamento não é o coroamento de um sonho romântico, como no Ocidente, e sim o início da construção de um novo lar, baseado no convívio entre um homem e uma mulher que foram destinados pelas famílias a ficarem juntos e que começam a se conhecer mais de perto.

Tudo isso soa muito estranho para a nossa maneira de conceber a vida amorosa e o casamento. O que alimenta o encontro entre um homem e uma mulher no Ocidente é, de certa forma, o acaso. Dois jovens se encontram, na faculdade, em uma viagem, no trabalho, no ônibus, etc. e se sentem irresistivelmente atraídos.

Sabemos que o que determina a atração, na maioria das vezes, é um enganoso processo projetivo, que leva a buscar no outro uma imagem idealizada de homem ou de mulher. O namoro geralmente serve para pôr em cheque tais processos projetivos, mas, se tudo der certo, o casal sobrevive, pois geralmente ainda se conhece de forma superficial e o casamento se apresenta como o grande ponto de chegada que acaba varrendo por debaixo do tapete as diferenças.

Uma vez casado, o casal realizou o seu sonho. À diferença do casal indiano, o seu casamento é um ponto de chegada e não de partida. Na realidade, porém, tudo está apenas começando. O casamento é uma experiência que precisa ser construída no dia-a-dia.

Depois de algum tempo os integrantes da dupla, que já não estão à mercê dos processos projetivos, descobrem a verdadeira realidade do outro e podem, diante disso, se desencantar por completo. Os dois passam a ser mais estranhos, um para o outro, do que as crianças indianas que se tornaram marido e mulher por vontade das respectivas famílias.

Naturalmente, este é apenas um aspecto que torna difícil fazer com que o casamento seja realmente uma união estável. O caráter formal e bastante pomposo, com que o casamento é celebrado, pode fundar a união sobre a falsa segurança que vem de saber que tudo foi de “papel passado”, deixando para trás a real preocupação de construir uma união estável.

Se a isso acrescentarmos a sensação de que hoje tudo é “descartável”, também o casamento passéa a ter um “prazo de validade” bastante curto. Neste caso, o que determina o fim da união do casal é a sensação de que deve haver “no mercado” alguém mais adequado, mais interessante e mais atraente. Geralmente a decepção é muito grande quando se constata que é muito fácil trocar seis por meia dúzia, pois o novo produto, embora venha com um design mais avançado tem também seus problemas, que tornam o antigo mais confiável, já que, pelo menos, é conhecido.

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Adolescentes grávidas

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Adolescentes grávidas

O relatório anual do State of the World’s Mothers, publicado em 2004 com dados coletados entre 1995 e 2002 (http://www.savethechildren.org.uk), mostra que 13 milhões de nascimentos (um décimo de todos os nascimentos do mundo) são de mulheres com menos de vinte anos e que mais de 90% destes nascimentos ocorrem nos países em desenvolvimento, onde a proporção de parturientes com menos de vinte anos varia de 8% no leste da Ásia até 55% na África.

Enquanto nos países do primeiro mundo se constatava nas últimas décadas dos anos 90 uma queda dos índices de gestantes adolescentes, no Brasil os dados apontavam para uma preocupante tendência de aumento do fenômeno. Dados mais recentes parecem indicar uma pequena queda dos índices, mas ainda o número de mães adolescente no nosso país é superior àquele dos países mais desenvolvidos.

Dados do SUS indicam que a porcentagem da faixa etária dos 10 aos 19 anos no total dos partos nos hospitais conveniados chegou a 26,5% em 1997 contra os 22,34% em 1993 (os dados foram extraídos do artigo VVAA, Gravidez na adolescência: perfil sócio-demográfico e comportamental de uma população da periferia de São Paulo, Brasil, publicado pelo Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo no Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 23(1):177-186, jan, 2007, que servirá de base para as demais considerações). Alguns estudos apontam também uma diminuição da idade das adolescentes grávidas, tornando esses dados ainda mais preocupantes.

Alguns dados sobre as mil adolescentes grávidas entrevistadas na pesquisa acima mencionada, realizada na periferia da cidade de São Paulo, ajudam a entender melhor o perfil das jovens envolvidas.

A faixa etária das entrevistadas variava de 11 a 19 anos. Apenas 7,2% eram casadas legalmente, mas 62,7% diziam viver com um companheiro. Do total, 42,3% viviam exclusivamente com o companheiro e/ou filhos constituindo um núcleo familiar independente, ao passo que as demais (57,7%) continuavam morando também com outros familiares.

Em relação à classe econômica, 93% das participantes pertenciam às classes C, D e E, sendo que 68% diziam ter uma renda familiar mensal de até quatro salários mínimos. A principal fonte de sustento provinha do companheiro e/ou pais da adolescente.

Quanto à inserção social, de maneira geral, a pesquisa revela que, independentemente da faixa de idade, a maioria das adolescentes não estudava nem trabalhava na ocasião da entrevista.

A idade média para o início da vida sexual das jovens entrevistadas é de 15 anos, variando de 10 a 19 anos. Em contrapartida, a idade média do parceiro sexual dessas jovens é de 21 anos, variando de 15 a 51 anos. Trata-se portanto de jovens que, de maneira geral, foram sexualmente exploradas por homens mais velhos, algumas delas (a maioria) ainda sendo menores de idade.

Quanto aos cuidados tomados para se preservar tanto da gravidez como das doenças sexualmente transmissíveis, 80,3% das entrevistadas alegaram nunca ter usado preservativo e 77,5% só de vez em quando. Para mais de 81% das gestantes a gravidez não foi planejada.

A entrevista constatou ainda uma forte pressão social para que o casal formalize uma união e passe a conviver sob o mesmo teto, mesmo sem oficializar o casamento ou ter uma independência financeira.

Achei interessante divulgar os dados dessa pesquisa porque mostram que a gravidez na adolescência é um fenômeno que atinge de forma dramática a população com menores recursos financeiros. Vale contudo a pena notar que, as adolescentes grávidas das classes sociais mais favorecidas (A e B) em muitos casos optam pelo aborto, menos acessível financeiramente para as classes sociais mais pobres.

Em um número preocupante de casos a pesquisa revela que a adolescente foi submetida a algum tipo de violência e que foi abusada enquanto menor.

Tanto as futuras mães adolescentes como os parceiros se dizem, na maioria dos casos, felizes com a gravidez e demonstram ter um completo despreparo para enfrentar a situação de forma responsável, com graves conseqüências para o bebê que irá nascer em uma situação de desamparo e, portanto, com enorme probabilidade de se tornar um adulto com problemas.

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