Website de Roberto Girola - Psicanalista

Vida amorosa e sexualidade

Vida amorosa e sexualidade (55)

Vida amorosa e sexualidade

Do amor ao ódio

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Acho que amava muito uma pessoa, mas ela me magoou. Agora sinto ódio profundo dela e pensamentos desejando o seu mau me perseguem o dia todo. Será que um dia isso vai passar? (Anônimo)

Do amor ao ódio

Embora possa parecer paradoxal, amor e ódio estão correlacionados. A nossa psique se liga ao mundo externo de forma ambígua, em uma mistura de sentimentos que vão desde o amor fusional ao ódio e à inveja.

Na sua fase inicial, imatura, a mente se liga aos objetos do mundo externo cindindo-os em objetos bons e ruins, não havendo ainda a possibilidade de lidar com a complexidade do objeto inteiro, que envolve aspectos bons e ruins ao mesmo tempo.

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A perda de uma grande paixão

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Vivi uma intensa paixão e tenho certeza que com outras pessoas jamais será igual. Como me libertar disso e projetar a possibilidades de viver novos amores e novas experiências. Pode brotar uma paixão por alguém por quem inicialmente não há desejo?

A perda de uma grande paixão

É um clichê do cinema americano: dois jovens convivem sem desconfiar que um dia poderão se apaixonar um pelo outro e, de repente, inicia uma história de amor. Isto não impede que, no tempo do luto pela perda de uma grande paixão, tudo pareça vazio e cinzento, sem que a possibilidade de um novo romance seja vislumbrada.

O apaixonamento responde a um processo inconsciente marcado por intensas projeções e por uma idealização da pessoa amada. Nada pode competir com o “objeto idealizado” e, ao mesmo tempo, nada é mais perigoso, pois todo objeto idealizado nos persegue.

A única chance de uma paixão sobreviver é que possa fugir dessa perturbada zona de idealização e se transformar em um amor que envolve pessoas reais, “objetos inteiros”, como diz a Psicanálise, com suas virtudes e defeitos. Percebemos que realmente amamos alguém quando conseguimos enxergar e amar seus defeitos, sem minimizá-los. Se isto não acontece, o amante viverá o resto de sua vida sentado à sombra do seu grande amor perdido, antes mesmo de perdê-lo. É assim que Freud descreve a melancolia.

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Quando o amor não é correspondido

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Quando o amor não é correspondido, vale lutar pela conquista da pessoa amada ou não adianta forçar?

Quando o amor não é correspondido

João ama Maria, que ama José, que ama Joana, que ama João. Há no repertório da MPB uma canção que diz mais ou menos isso, a testemunhar o quanto seja comum a situação do amor não correspondido.

Amar alguém sem ser correspondido é sem dúvida frustrante, apesar da psicanálise mostrar que, em alguns casos, é exatamente isso que o nosso inconsciente busca. Estranhezas da mente que procura repetir traumas primitivos que nunca conseguiu elaborar, reencenando a rejeição, na escolha de um objeto amoroso inadequado. Geralmente esta situação se repete de forma compulsiva, levando a pessoa a pensar que é realmente desafortunada no amor. Se este for o caso, melhor buscar uma terapia.

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Quando a relação aprisiona

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Estou em um relacionamento de dois anos, porém apesar de amar meu namorado, há uma sensação de prisão, de querer ter meus momentos de individualidade de volta. A questão é que fico perdida nos pensamentos não sei bem qual decisão tomar.

Quando a relação aprisiona

Passado o encantamento inicial da fase do apaixonamento, o casal entra em uma nova etapa. Neste momento, a maneira como a relação é percebida sofre uma mudança. Isto é absolutamente normal.

Embora do ponto de vista emocional este momento seja normalmente vivido com uma sensação de perda, na realidade o que se afrouxou é a neurose da paixão, que movimentava uma quantidade muito alta de energia mental, conferindo à relação uma sensação de grande intensidade.

Aos poucos este tempo muda para cada casal-- a realidade ganha terreno e a figura idealizada (e portanto imaginária) do(a) amado(a), fortemente investida pelo mundo interno do(a) amante, cede lugar a uma percepção mais próxima da realidade, que permite ver os lados bons, mas também os defeitos do(a) parceiro(a). A atração fortemente dominada pelos instintos do mundo inconsciente se transforma em afeto, dando lugar a sentimentos mais calmos e menos intensos, porque menos carregados de energia psíquica.

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Separação: uma decisão difícil

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Meu casamento não anda bem, meu marido me magoa me humilhando verbalmente. Ando triste, desanimada sem vontade de fazer nada. Não consigo ir embora e não sei o que fazer; Se o carinho acabou, o respeito também será que adianta ficar nessa relação?

Separação: uma decisão difícil

Na ótica do “consumo” se um produto não me satisfaz, o substituo. Contaminadas por essa ótica, as relações humanas tendem a se tornar cada vez mais superficiais e descartáveis. No entanto, tudo o que envolve o humano não é tão simples assim. Apesar da banalização que se faz quando o tema é separação: separar-se não é de fato uma decisão fácil.

Como psicanalista tenho acompanhado dezenas de casais, homens e mulheres, às voltas com a dúvida que aflige a nossa leitora. Seja qual for o desfecho, nunca é alcançado sem um período, geralmente longo, em que se experimenta a paralização e o desencantamento com a vida. Podemos comparar o processo da separação ao processo do luto, um luto que começa muitas vezes antes mesmo que a morte seja constatada.

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Quando o casamento ainda não aconteceu

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Minha esposa é muito dependente da mãe, vivendo mais na casa dos pais do que na nossa. Já conversei, já mudei para uma casa mais próxima, na intenção de salvar o nosso casamento, mas não adianta. Devo me separar?

Quando o casamento ainda não aconteceu

O relato bíblico, ao descrever o casamento, se refere claramente à necessidade que tanto o homem como a mulher deixem a casa dos pais para formarem um novo lar. Não resta dúvida que, mesmo para os não crentes, o ideário judaico-cristão representa um pano de fundo sobre o qual se organiza a cultura e uma visão de mundo muito antiga. . Esta “separação” (deixar a casa dos pais) na realidade é necessária para que o ser humano alcance sua maturidade emocional e possa se engajar em novas relações não apenas no casamento, mas também em qualquer outra relação que comporte algum tipo de inserção no mundo (trabalho, vida social, etc.).

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Casamento, amor e desejo sexual

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Quando o amor permanece, mas o desejo sexual acaba é possível continuar um casamento? (Anônima)

Casamento, amor e desejo sexual

O desejo sexual é parte integrante da relação amorosa, assim como a perna é parte integrante do corpo. Isto não quer dizer que alguém não possa sobreviver sem uma perna e continuar sua vida dentro de certa normalidade, eventualmente substituindo-a por uma prótese.

O exemplo é banal, mas creio que possa dar uma noção de como o casamento possa sobreviver sem sinais explícitos do desejo sexual. No entanto não devemos minimizar a importância deste aspecto: embora a relação amorosa não tenha como único ingrediente o desejo sexual, este é importante e sua ausência pode ameaçar o vínculo.

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A transferência erótica

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Por que algumas mulheres têm uma relação "pegajosa" com sacerdotes? (Anônima)

A força do amor proibido

A ligação afetiva caracterizada por aquilo que em Psicanálise se define como amor transferencial ou transferência erótica não é um fenômeno isolado aos ambientes religiosos e não ocorre unicamente envolvendo mulheres. Toda vez que se estabelece uma relação que supõe algum tipo de “cuidado”, ou situações em que a figura do padre, do terapeuta, do médico, do professor ou do chefe aparece rodeada por uma aura de poder e de autoridade, é possível que se estabeleça algum tipo de ligação amorosa.

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Medo do casamento

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Tenho medo do casamento. Para mim, é um inimigo desconhecido. O que faço?

Medo do casamento

Por que o casamento seria percebido como um “inimigo”? A escolha do termo “inimigo desconhecido” certamente não é casual. Tudo o que é desconhecido é apavorante, pois remete a algo que não pode ser nomeado, a algo sem forma, não visível, mas presente. O primeiro desafio é tentar “nomear” esse inimigo desconhecido, para tirá-lo da sombra.

Evidentemente aqui não podemos adentrar o campo das fantasias inconscientes do nosso leitor, mas podemos tentar ver a questão a partir dos significados que o discurso social atribui ao casamento.

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A expectativa que o outro mude

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Tenho três anos de casada e meu marido já mentiu para mim várias vezes sobre vários assuntos diferentes. Tivemos conversas francas, pedi que ele mudasse, voltei a acreditar nele e ele voltou a mentir. Isso foi minando minha confiança e eu contratei detetives que o monitorassem. Agora  descobri que ele está mexendo com maconha. Cheguei a confrontá-lo, mas ele mente descaradamente. Que explicação há nisso? O que leva alguém a mentir assim? Existe alguma forma de fazê-lo parar de mentir?

A expectativa que o outro mude

A reconstrução da confiança na relação amorosa é muito difícil quando o vínculo fica abalado pela descoberta de que o outro mentiu ou escondeu algo importante. O desvelamento da mentira ou da situação ocultada causa um profundo sentimento de estranhamento que torna o parceiro um desconhecido. É uma situação muito dolorosa, pois remete à impotência que sentimos quando alguém que achávamos próximo e íntimo, se torna um “outro” distante, envolvido em toda a radicalidade do seu mistério.

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