Sonhos com o além

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Meu marido sonha com a pós-morte. Acorda assustado. Esses sonhos vêm acontecendo faz um ano e são frequentes. Eu não sei o que dizer pra ele, pois que vamos morrer é fato e o que acontece depois ainda é um mistério. Será que é caso para uma psicóloga? Como ajudá-lo? (pergunta feita via site)

Sonhos com o além

Do ponto de vista da Psicanálise, o trabalho do sonho, ou seja a forma como o sonho é construído, é uma produção do nosso inconsciente, que está tentando elaborar algum conteúdo emocional reprimido, trazendo-o para a consciência.

À diferença de outras abordagens do mecanismo psíquico do sonhar, a Psicanálise vê o sonho como algo “pessoal”, o que não impede que ele tenha conteúdos e referências que podem ter sido extraídos do imaginário coletivo (mitos, crenças, literatura, etc.), mas quando isso ocorre há um processamento que é estritamente subjetivo. Dito de outra forma, para construir o cenário do sonho o inconsciente pode recorrer a imagens extraídas do dia-a-dia e em particular do dia anterior (restos diurnos), do seu repositório de memórias, ou também a imagens recorrentes no imaginário coletivo.

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Não sonho mais

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Eu não sonho mais nada. Tudo o que eu sonhei para minha vida só veio de forma contrária. Então para eu não me decepcionar, prefiro não sonhar mais. Perdi o desejo por tudo. Sandra Sueli (comentário ao artigo Sonhos que não se realizam)

Não sonho mais

Toda vez que nos autorizamos a sonhar algo (estou me referindo ao sonho acordado), o objeto desejado -- que pode ser uma pessoa, uma viagem, um projeto de vida, um bem material, etc.-- é “investido” pela nossa energia psíquica (libido). A mente fica totalmente tomada por esse processo de erotização do objeto sonhado que passa a ser visualizado pela nossa mente, e acariciado pelo nosso afeto.

O sonho porém, para não se tornar um devaneio, deve fazer as contas com a realidade, pois o objeto sonhado é um objeto interno (da nossa mente). Torna-se portanto necessária uma transição do nosso mundo interno para o mundo externo, do objeto subjetivo, para o objeto objetivo.

É nesse momento que começam as dificuldades, pois, dependendo do grau de idealização do objeto desejado, os objetos do mundo real podem parecer inadequados, ou podem resistir à tentativa de submetê-los à ditadura do objeto idealizado. Dois processos opostos podem então acontecer.

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Sonhos que se repetem

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Sonhos constantes com a mesma coisa. O que eles querem nos dizer?

Sonhos que se repetem

Os sonhos repetitivos são bastante comuns e costumam trazer para a consciência experiências emocionais, geralmente de caráter traumático, que foram relegadas ao inconsciente. A insistência com a qual o psiquismo, através dos sonhos, traz para a superfície esse material psíquico mostra por si só a sua relevância.

Na maioria dos casos, trata-se de memórias desprazerosas ligadas a situações que remetem a algum aspecto constitutivo falhado do psiquismo ou a situações traumáticas pontuais, de particular intensidade (um acidente por exemplo).

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Sonhos com morte

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Tenho sonhos relacionados a morte com frequência. Eles variam desde sonhos em que eu mesmo morri, outros são pessoas conhecidas, ou eventos como acidentes e etc. O que algo tão macabro quer dizer?

Sonhos com morte

Como já escrevi em outros dois artigos comentando o mesmo tema (Sonhando a própria morte e Sonhei que morri), sonhar com temas relacionados à morte, é uma forma do inconsciente chamar a atenção do sonhador sobre situações emocionais intensas que atormentam o seu mundo interno. Portanto quero tranquilizar o nosso leitor: com raríssimas exceções, o sonho não tem uma função premonitória.

Neste caso trata-se de sonhos que envolvem não apenas a morte de quem sonha, mas também de pessoas conhecidas. Apesar de o tema ser o mesmo: a morte, o que o sonho pretende evocar pode estar ligado a situações diferentes.

Vamos começar com o caso em que o sonho reproduz a morte de alguém conhecido. Neste caso, o sonho pode estar ligado a sentimentos aversivos que o inconsciente nutre em relação a determinada pessoa. Fazê-la morrer pode ser uma maneira de se separar dela: um desejo que responde à necessidade de se “separar” psiquicamente de determinada pessoa representado de forma radical pelo inconsciente.

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O Estranho que nos habita

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O Estranho que nos habita

Quando Freud deixou claro que havia na nossa mente uma dimensão submersa, totalmente inacessível á nossa consciência, que dominava de forma maciça o nosso pensar e o nosso agir, as reações da opinião pública foram de indignação.

Durante um seminário no Departamento de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (SP) com a participação de psiquiatras, psicofarmacólogos e psicanalistas, percebi que esse estranhamento diante da existência do inconsciente continua afetando mentes brilhantes. Um dos palestrantes, um famoso psiquiatra, perguntou aos presentes, com certo tom de deboche e uma pitada de arrogância, se algum de nós já havia visto o inconsciente. Embora me admirando que um profissional que lida diariamente com a mente humana pudesse fazer uma pergunta desse tipo, tive que reconhecer mais uma vez que o caráter paradoxal do inconsciente nos afeta de maneira desconcertante.

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Sonho premonitório?

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Sonho constantemente com um acidente de avião, às vezes eu estou nele, outras vezes vejo do chão o avião em queda no céu. O que poderia ser isso, algum poder de premonição?(Anônimo)

Sonho premonitório?

 

O nosso inconsciente constrói os sonhos com um propósito: trazer para a superfície conteúdos psíquicos que normalmente seriam rejeitados pela consciência. Mas por que a consciência se recusaria a “ver” determinados conteúdos? A resposta é simples: eles seriam demasiadamente aflitivos por remeterem  a um conflito entre forças opostas do psiquismo (a parte da mente que deseja e a parte que reprime o desejo) ou por remeter a experiências traumáticas e estados de angústia profundos.

Quem constrói os sonhos é o próprio sonhador, embora ele tenha a sensação de “participar” do sonho ou de estar vendo desfilar as imagens do sonho projetadas no telão de sua mente, como se fosse um espectador.

Tudo no sonho é cuidadosamente “preparado”, mesmo os detalhes mais insignificantes (importantes para interpretar o sonho). Apesar de seu aspecto bizarro, os sonhos respondem a uma lógica própria. À diferença da lógica racional que liga causa e efeito, seguindo o caminho dedutivo ou indutivo, a lógica do sonho segue um caminho associativo, tecendo um discurso feito, na maioria das vezes, de imagens, devidamente associadas obedecendo a determinado propósito de reconstrução de estados emocionais.

O inconsciente pode usar restos do material diurno, ou seja, fragmentos de situações vividas pelo sonhador no(s) dia(s) que antecede(m) o sonho. Tanto o cenário como os personagens do sonho são cuidadosamente escolhidos, com o propósito de veicular experiências emocionais específicas.

Para entender o conteúdo do sonho, será necessário remontar, através de associações, àquilo que esses personagens e cenários despertam no sonhador em termos de memórias emocionais.

O problema é que o sonho tem um propósito oculto: ele precisa “burlar” os controles da consciência, que, mesmo durante o sono, continua vigiando, para “fazer passar” conteúdos que normalmente seriam “barrados”. Tudo isso exige um “trabalho” que o inconsciente efetua sobre o sonho para torna-lo menos acessível à consciência. É justamente esse trabalho que torna os sonhos confusos e misteriosos.

Ao mesmo tempo, o inconsciente precisa “chamar a atenção” do sonhador sobre os conteúdos que pretende manifestar. Com esse intuito as imagens do sonho geralmente são revestidas de elementos destinados a chamar a atenção e a despertar fortes emoções -- elementos sonoros, tais como cores, músicas, vozes, ou visuais, tais como paisagens, animais, personagens conhecidos ou bizarros, etc.

O sonho não deve ser interpretado na sua materialidade, pelo seu conteúdo explícito (no caso a queda do avião). O importante é o seu conteúdo oculto, que, na maioria das vezes, tem a ver com o mundo interno do próprio sonhador (o que estaria representando um perigo interno parecido com a queda de um avião?).

É provável que o sonho em pauta represente uma situação interna angustiante, algo parecido com a queda de um avião, mas só poderíamos entender de que se trata mediante as associações de quem sonhou.

Vamos supor --insisto é uma mera suposição a título de exemplo-- que o nosso leitor associe o avião a uma tendência sua de “voar”, longe do chão, por uma dificuldade interna de lidar com a realidade. Neste caso, o sonho poderia estar refletindo a angústia, parecida com o vivenciar a queda de um avião, que ele sente ao entrar em contato com a realidade.{jcomments on} 

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