Microcefalia psíquica

Publicado em Pagina Inicial

Já temos no Brasil milhares de casos de bebês nascidos com microcefalia. A possibilidade que a doença se espalhe e assuma proporções bem maiores infelizmente ainda existe. No entanto, o que sem dúvida já assumiu proporções bem mais sérias é outro tipo de microcefalia, que poderíamos chamar de microcefalia psíquica.

Em seu livro O sujeito na contemporaneidade, o psicanalista Joel Birman, um dos maiores e mais respeitados pensadores da psicanálise no Brasil, analisa com profundidade as características do mal-estar da contemporaneidade (que, aliás, é o título de outro livro dele), parafraseando o famoso texto de Freud, escrito em 1927, O mal-estar da civilização.

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O trabalho enobrece?

Publicado em Mundo corporativo

Por que o trabalho honesto não satisfaz, não é investido como algo que por si só faz sentido e que “enobrece”, como se dizia antigamente? Por que a corrupção se faz necessária nas relações de trabalho em todos os níveis?

A expressão “o trabalho enobrece” é fruto de uma visão judaico-cristã em que o homem é colocado por Deus no centro do universo como coparticipe da função criadora de Deus, como sugere o relato bíblico do Gênesis (cf. o texto de minha autoria “Desemprego e subemprego: um desafio”, publicado em 1991). Neste sentido, o livro do Gênesis vê o ser humano como um ser essencialmente “relacionado”: uma relação que se constitui em três níveis, com Deus, com seus semelhantes e com o Cosmos.  O trabalho é algo que enobrece quando o ser humano, através do seu trabalho se vê inserido nessa relação cocriadora, quando o trabalho para ele significa uma inserção criativa no mundo.

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A Divina Comédia: os desafios da meia idade

Publicado em Comportamento

“No meio do caminho de minha vida me encontrei em uma selva obscura, pois o caminho reto estava perdido”. Com esta constatação Dante Alighieri começa a sua Divina Comédia, uma viagem mística que o levará às três dimensões da existência, o inferno, o purgatório e o paraíso.

A selva obscura costuma se apresentar justamente na meia idade, quando a ilusão do “gozo sem fim” se dissipa. É o momento em que a alma humana começa a sua viagem em direção ao inferno, para passar para um renovado processo de amadurecimento que envolve a aceitação da castração (purgatório), e, finalmente, se tudo der certo, alcançar o paraíso da contemplação serena, guiados pelos aspectos femininos (a Beatriz dantesca).

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É possível amar duas mulheres ao mesmo tempo?

Publicado em Vida amorosa e sexualidade

É possível amar duas mulheres ao mesmo tempo? (Adolfo, via e-mail)

O termo amor na linguagem corrente se aplica a três diferentes conceitos que os gregos associavam a diferentes formas de amor: eros, philia, ágape. O amor erótico é movido pelo desejo e tem como objetivo a fruição do outro (gozo). Este tipo de amor pode envolver duas formas de atração. A primeira é a atração meramente sexual. Neste caso o homem pode “amar” (sentir atração por) diferentes mulheres, assim como uma mulher pode “amar” (sentir atração por) diferentes homens ao mesmo tempo. Neste caso, podemos sentir atração por alguém, mesmo amando outra pessoa.

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O gozo inalcançável

Publicado em Outros

Quando a gente deseja muito algo e depois consegue realizar esse desejo, percebe que aquilo está aquém do que esperava. Como fazer para não criar expectativas demais?

O gozo inalcançável

Quando investimos fortemente algo ou alguém com o nosso desejo, o nosso psiquismo se põe em movimento “erotizando” a situação. É o momento em que nos sentimos arrebatados por uma energia interna que nos leva em direção a algum objeto do mundo externo (entenda-se por objeto uma pessoa, uma situação, ou algum objeto material). Freud chamou essa energia de libido.

O que de fato movimenta o nosso psiquismo, contudo, não é o objeto em si e sim uma fantasia interna que “representa” o objeto. O objeto interno, investido pela libido, é portanto diferente do objeto externo que o representa. Podemos dizer que é um é um fantasma.

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Violência e barbárie

Publicado em Outros

 

 

Acredito que estamos percebendo a violência com cada vez mais naturalidade. Há riscos de voltarmos a nos barbarizar?

Violência e barbárie

Estamos enfrentando apenas um surto de violência, ou há indícios que apontam para uma volta à barbárie? As análises de vários pensadores, infelizmente confirmam esse diagnóstico. Trata-se de uma nova economia psíquica, como alguns sustentam. A violência está presente nesses processos de forma palpável, embora disfarçada.

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Voracidade

Publicado em Outros

 

Sempre que estou sozinho tenho a necessidade de comer, mas a satisfação nunca chega. Qual é o problema?

Voracidade

O apetite descontrolado está associado a mecanismos psíquicos inconscientes que têm como seu denominador comum a ansiedade. Um dos fatores que gera ansiedade é a sensação de “falta”. A solidão, percebida como estado de abandono e de rejeição, é um dos fatores que provoca essa desagradável sensação.

A falta pode estar associada não apenas à ausência do “objeto do desejo” (no caso a pessoa amada, o amigo, o colega, etc.), mas também à sensação de que o “objeto presente e acessível” é insuficiente e inadequado a preencher a falta. Algo do tipo: amo quem não está ao meu alcance e desprezo quem me quer.

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Gozar a qualquer preço

Publicado em Comportamento

Gozar a qualquer preço

“Gozar a qualquer preço” é o interessante subtítulo de um livro publicado recentemente trazendo as considerações do famoso psicanalista francês Charles Melman sobre o homem contemporâneo: “O homem sem gravidade”, como ele o define no título da obra.

Em contato com as pessoas que buscam o processo analítico para se curar de suas angústias, é fácil perceber que uma das grandes fontes de ansiedade é a dificuldade do sujeito de responder a um imperativo socialmente aceito: gozar a qualquer preço.

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