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É bom ser ambicioso?

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{jcomments on}Até que ponto a ambição profissional pode ser uma desvantagem no mercado de trabalho? Rodrigo Alves, Belo Horizonte (MG)

É bom ser ambicioso no âmbito profissional?

Em primeiro lugar cabe perguntar o que entendemos por “ser ambicioso”. Quando tachamos um colega de ser ambicioso, provavelmente estamos querendo nos referir a ele como alguém que enfrenta sua carreira de forma agressiva, disposto a subir a qualquer custo, provavelmente até puxando o tapete dos outros. Neste caso, a palavra “ambicioso” tem uma conotação negativa.

A pesar disso, não é raro que, nas entrevistas de emprego, o entrevistador pergunte ao candidato se ele é ambicioso. Admitir de não ser ambicioso, nesse caso, pode resultar em um ponto a menos para ser contratado. Onde fica então a virtude da humildade? Por que as empresas preferem muitas vezes pessoas agressivas e ambiciosas e descartam os que são mais humildes e despretensiosos?

O motivo é simples, na avaliação dos que conduzem os processos de seleção, os humildes e despretensiosos geralmente tendem a ser mais passivos, fazem o que o chefe pede, ficam quietos no seu canto, mas não se preocupam em trazer melhorias para o seu trabalho, buscar novas tarefas onde possam desenvolver suas habilidades, não buscam novos desafios.

Afinal, é bom ou ruim ser ambicioso? Na maioria dos casos, pessoas ambiciosas são tidas como arrogantes e agressivas, mas deve ser necessariamente assim? O ambicioso pode ser humilde, ou é alguém disposto a fazer carreira a qualquer custo, mesmo que isso implique em puxar o tapete dos colegas?

Se consultarmos um dicionário (cf. Aurélio) o verbete ambição apresenta definições bastante diferentes:

1. Desejo veemente de alcançar aquilo que valoriza os bens materiais ou o amor-próprio (poder, glória, riqueza, posição social, etc.):

2. Desejo ardente de alcançar um objetivo de ordem superior; aspiração, anelo:

3. Aspiração relativamente ao futuro:

4. Desejo intenso.

Não devemos confundir ambição com agressividade desmedida, mau caráter e arrogância. Apenas a primeira definição pode levar a considerar a ambição sob uma ótica eticamente questionável. As demais definições se aproximam da maneira como a ambição pode ser vista do ponto de vista psíquico e ajudam a entender por que os entrevistadores preferem selecionar para um cargo alguém ambicioso.

Na realidade, a ambição está ligada à maneira como o nosso psiquismo encara o mundo externo, a vida, o futuro. Do ponto de vista psicológico, o que move o ambicioso é o desejo, a aspiração. Sem desejo a energia psíquica não se movimenta em direção aos objetos do mundo externo.

Eis porque quem não tem ambição tende a ser passivo e, portanto, pouco interessante do ponto de vista profissional. Quem “deseja” está vivo, atuante, é dinâmico, sai em busca da realização dos seus objetivos. Não há como negar que alguém assim é mais interessante para uma empresa do que alguém apático, parado, que não sabe quais são seus objetivos.

Longe de ser uma desvantagem, a ambição pode ajudar bastante no mundo do trabalho, desde que não leve a ser agressivo com os outros e a faltar com a ética profissional.

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As conseqüências do abuso

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{jcomments on}Recentemente, acompanhei pela TV o caso de uma menina de 9 anos que foi abusada por seu padrasto e engravidou. O que pode acontecer na cabeça de uma criança nessas situações e quais as conseqüências disso para a vida dela? Maria, São Paulo

As conseqüências do abuso

O adulto envolvido no abuso de uma criança é responsável por uma violência muito grande, com conseqüências destinadas a perdurar, marcando a vida da vítima e a maneira como ela irá encarar a sua sexualidade.

No caso em questão, temos a agravante de uma gravidez precoce que envolve o nascimento de duas novas vidas em condições totalmente desfavoráveis e adversas, colocando inclusive em risco a vida da mãe.

Em casos parecidos, à mercê das reações do meio que a rodeia, a criança se vê obrigada a “decidir” se vai fazer um aborto, se vai ficar com o bebê, ou se vai entrega-lo para adoção. O mais provável é que a decisão seja tomada por algum adulto, como ocorreu no caso em questão. Isto porém não impede que o peso esmagador da decisão recaia de alguma forma sobre a vítima do abuso.

A opção pelo aborto (como no caso em questão) ou pela adoção acarreta um sentimento mais ou menos consciente de culpa que se agrava pelos sentimentos ambíguos gerados pela situação do próprio abuso. De fato, a participação de uma criança em um ato sexual é totalmente enigmático para o seu estágio de desenvolvimento psíquico. Embora sinta repulsa, as estimulações físicas trazem prazer e dor ao mesmo tempo, gerando um profundo sentimento de culpa por se sentir cúmplice de um ato que sua psique ainda não pode processar adequadamente, mas que percebe como “errado e sujo”.

Desta maneira o sexo tende a ficar automaticamente ligado no plano inconsciente à sensação de ser algo errado e sujo, mesmo quando passará a acontecer no futuro em situações totalmente normais.

No caso em questão, surge uma agravante ainda maior. Uma condenação oficial, por parte da autoridade local eclesiástica. Embora a menina tenha sido inicialmente mantida ao escuro de sua gravidez, a mesma acabou se tornando pública pela repercussão que teve a atitude que tomou o arcebispo de Olinda e Recife ao excomungar a mãe e os médicos que realizaram o aborto.

Um princípio ético foi salvo, mas a vida de uma vítima inocente foi marcada pelo peso de uma condenação que, por vir de um bispo que representa a Igreja Católica, é revestida de um caráter irrevogável e transcendente no plano simbólico. Trata-se de uma punição divina. É muito difícil que a menina não acabe se sentindo de alguma forma responsável.

O fato do estuprador ser o padrasto, ou seja, que supostamente deveria cuidar dela, torna o trauma ainda maior. O homem que deveria protege-la e ampará-la é o agressor e o causador da tragédia. Trata-se claramente de um ataque frontal à possibilidade de “confiar” em relações futuras que envolvam vínculos afetivos.

Nestes casos, tudo fica ainda mais difícil quando a mãe se torna cúmplice do estuprador, escondendo o “crime” atrás do seu “silêncio”, deixando de tomar claramente posição em favor da vítima. No caso em questão, a mãe alegou não estar a par dos estupros que o padrasto realizava com as duas enteadas. Mesmo assim, o fato dela não “enxergar” o que estava ocorrendo, do ponto de vista psíquico, equivale, para a menina, a um não reconhecimento da situação.

Além de ser mais um ataque a possibilidade de confiar em alguém, esta situação é particularmente prejudicial para o psiquismo por introduzir uma sensação de “irrealidade” diante do ocorrido. Se ninguém vê e reconhece o fato é como se o fato, embora real e terrivelmente doloroso, não existisse para os outros. Uma pesada sensação de inconsistência é jogada sobre as sensações e percepções da vítima. É como se tudo o que ela sente e sofre deixasse de fazer sentido.

A condenação eclesial joga sobre essas sensações um peso ainda maior, pois a vítima tornou-se definitivamente a “ocasião” de um “crime”, o aborto. No plano emocional, de vítima se tornou “algoz”. Até “deus”, na voz do bispo, parece dizer a essa menina que tudo o que ela viveu e sofreu merece apenas execração. A mãe foi condenada pela Igreja, o padrasto foi preso pela justiça. Será que alguém vai se preocupar por ela para lhe dizer: “Você existe e merece ser olhada com amor”?

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Como descobrir o próprio dom?

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À descoberta do próprio dom: o Self

Não consigo descobrir qual é o meu dom. Amo meu trabalho, mas tenho ciência que aquilo que realizo foi desenvolvido, eu sei a técnica, eu gosto, mas não acredito que seja o meu dom. Como articulo em mim uma reflexão que me leve a descobrir tal questão? Sei que Deus tem uma missão para cada um e não devemos passar por essa vida como apenas mais um.(anônimo)

Certamente alguém poderá dizer que minha visão é fantasiosa, talvez forçada, mas eu gosto de pensar que, quando um ser humano nasce, não importa se ele é rico ou pobre. branco, amarelo ou negro, cristão, muçulmano, judeu ou budista, um novo dabar divino é lançado no universo. O dabar é a palavra criadora de Deus.

A alma humana contém uma centelha dessa força criadora divina. Um dos grandes pensadores cristãos dos primeiros séculos depois de Cristo falava em sementes do Logos (Palavra) divino. Creio que ambos queremos aludir a uma presença do divino que se prolonga na criação e, em particular, no ser humano.

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Aprendendo a sonhar

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{jcomments on}Blog Image

Sempre quis ser maior de idade. Agora que tenho 18 anos estou sem perspectivas de trabalho e de namoro e confesso que com isso estou frustrado. Como posso sentir-me melhor? M.J.S. de Minas Gerais

Aprendendo a sonhar

É bastante comum deixarmos de viver os nossos sonhos “agora” e adiar a possibilidade de sonhá-los para o “amanhã”. Frases como: “Quando me mudar, quando me aposentar, quando me formar, quando casar, quando for promovido, quando for maior de idade” estabelecem marcos idealizados no caminho de nossa vida. A mesma expectativa pode ser constatada, por exemplo, no início do ano novo, sempre carregado de promessas e de propósitos.No entanto, quando o acontecimento tanto esperado se realiza, percebemos que as coisas continuam como antes. Nada mudou. Não existe uma mágica capaz de mudar por si só a nossa vida. Os sonhos precisam ser sonhados e ninguém pode sonha-los no nosso lugar.

No caso do nosso leitor, alguns “sonhos” são esboçados: namorar, ter um trabalho, ou seja conseguir a própria autonomia e o próprio lugar no mundo. A decepção no entanto é inevitável ao constatar que a maior idade não trouxe nada disso.

Mas como aprender a sonhar? Nem todos temos a mesma capacidade de sonhar. Sonhar é poder brincar com nossos desejos. Uma primeira pergunta é: quais são meus verdadeiros desejos? Curiosamente, nem sempre é fácil identifica-los. Parece simples, mas não é. Muitas vezes o que consideramos como desejos “nossos”, não são realmente nossos. Foram comprados na feira dos vendedores de desejos.

Geralmente, os primeiros vendedores de desejos são os nossos próprios pais, ou a família como um todo. Ali já encontramos desejos prontos, sonhos sonhados pelos outros. Podemos encontra-los bem passadinhos, prontos para serem vestidos por nós. Não precisamos fazer esforço algum.

O próprio meio em que vivemos nos proporciona “sonhos” prontos, já “sonhados”. São os vendidos pela mídia, pela propaganda, pela moda, que remetem ao que todos fazem, ao que todos têm, ao que todos “sonham”. Pode ser um corpo escultural, um emprego de executivo, um estilo de vida “descolado”, uma namorada tipo capa de revista.

No entanto, os sonhos sonhados pelos outros não têm força. Eles não abrem caminho para a sua realização concreta. Eles de fato não provêm daquele lugar sagrado que é o centro de nossa personalidade. Por isso, são deixados para o futuro, “quando algo – supostamente - vai acontecer”.

Somente quando um sonho é realmente nosso e se refere a um desejo autêntico e portanto a uma necessidade realmente ligada à nossa personalidade, ele pode de fato ser sonhado e se abrir caminho para a realização no concreto.

O que caracteriza o verdadeiro sonho é uma curiosa sincronia entre o nosso mundo interno, onde o sonho é elaborado acariciado e ensaiado, e o mundo externo, onde ele precisa encontrar os elementos que permitem a sua realização.

A sincronia se caracteriza por uma experiência singular. Trata-se da sensação de encontrar fora de nós algo que era esperado, conhecido, algo que tinha sido antes “criado” dentro de nós, embora com contornos ainda não definidos e claros. Sim, porque o que encontramos fora de nós, pode ser diferente daquilo que, em nosso interior, tentamos revestir de representações concretas.

O que caracteriza esse encontro entre o nosso mundo interno e o mundo externo é uma prazerosa sensação de satisfação, de plenitude, de realização. A mesma sensação que uma criança sente ao brincar com o seu brinquedo preferido, que é algo que está ali, na sua frente e que, ao mesmo tempo, ela está recriando dentro de si, para sempre novas brincadeiras.

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O instinto de morte

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Em Além do princípio do prazer, Freud introduz uma radical mudança na sua teoria sobre o funcionamento psíquico. A mudança foi tão surpreendente que muitos dos seus seguidores não a aceitaram ou tenderam a minimizá-la.

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