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O que a Psicanálise busca

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Uma pessoa vingativa pode ser considerada má? Ou as qualidades e virtudes também devem servir de peso?

O que a Psicanálise busca

A Psicanálise não tem como objetivo emitir julgamentos morais sobre o comportamento alheio, definindo o que é bom ou mau, certo ou errado. O que ela busca é decifrar o mundo interno do ser humano para ajudá-lo a entender seus funcionamentos inconscientes que o levam a se posicionar diante do mundo (e dos outros) de determinada forma que gera incômodo para ele e para o ambiente que o rodeia.

Freud comparava a análise a uma escavação arqueológica. Quando o arqueólogo começa seu trabalho ainda não sabe o que vai encontrar. Determinados indícios (na análise os sintomas do paciente) o fazem desconfiar que ali em baixo existe algo que merece ser indagado e trazido à luz do dia (à consciência).

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A tristeza diante de um mundo que nos decepciona

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Acompanhando os noticiários sinto às vezes uma profunda tristeza e me dá vontade de ficar totalmente alienada diante do que acontece no mundo. Estou com depressão?

A tristeza diante de um mundo que nos decepciona

A tristeza não é necessariamente um sinal de depressão.  O cenário que se abre aos nossos olhos ao acompanhar os noticiários não é de fato agradável. Não se trata apenas das “notícias que sangram” (a violência explícita), mas de uma série de fatos que remetem a um mundo doente e perturbado.

Um exemplo disso é a reação que suscitou a notícia da renúncia do papa Bento XVI. Estranhamento, decepção, emoção, dúvida, são apenas alguns dos sentimentos que emergem. A sua confissão de impotência diante do peso de um papado chamado a lidar com questões muito graves dentro e fora da igreja católica, remete à impotência que todos sentimos diante do que acontece no mundo.

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O gozo inalcançável

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Quando a gente deseja muito algo e depois consegue realizar esse desejo, percebe que aquilo está aquém do que esperava. Como fazer para não criar expectativas demais?

O gozo inalcançável

Quando investimos fortemente algo ou alguém com o nosso desejo, o nosso psiquismo se põe em movimento “erotizando” a situação. É o momento em que nos sentimos arrebatados por uma energia interna que nos leva em direção a algum objeto do mundo externo (entenda-se por objeto uma pessoa, uma situação, ou algum objeto material). Freud chamou essa energia de libido.

O que de fato movimenta o nosso psiquismo, contudo, não é o objeto em si e sim uma fantasia interna que “representa” o objeto. O objeto interno, investido pela libido, é portanto diferente do objeto externo que o representa. Podemos dizer que é um é um fantasma.

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Memórias infantis: são importantes?

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Sei que fui uma criança amada, mas tenho poucas lembranças de meu passado. Há algum problema?

Memórias infantis: são importantes?

Embora a psicanálise frise a importância do período infantil para a formação do psiquismo, nem sempre é possível resgatar memórias desse período. Algumas pessoas têm quase nenhuma lembrança da infância.

Isto não quer dizer necessariamente que aquele período foi difícil e traumático. O nosso inconsciente é um imenso repositório de memórias que não são acessadas pela nossa consciência. Determinada memória contudo pode ser ativada de maneira inconsciente – e portanto não é percebida conscientemente -- quando a pessoa vive uma situação no presente que a remete a conteúdos emocionais a ela relacionados.

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Subjetividade versus individualismo

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Nenhum pensamento é aceito como regra geral nos dias de hoje. Essa subjetivação da vida não põe em risco uma vida saudável em sociedade? Como encontrar o equilíbrio?

Subjetividade versus individualismo

A pergunta é central para nos ajudar a entender o nosso tempo. A corrente de pensamento pós-moderna anuncia o fim das Grandes Narrativas, fazendo alusão com essa expressão aos “pensamentos” que podem ser considerados como “regra geral”.

Apesar das aparências, e justamente pelo predomínio de uma Grande Narrativa sobre as outras, a vida em sociedade nunca foi “saudável”; ao contrário, sempre foi marcada por conflitos de todo tipo.

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Violência e barbárie

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Acredito que estamos percebendo a violência com cada vez mais naturalidade. Há riscos de voltarmos a nos barbarizar?

Violência e barbárie

Estamos enfrentando apenas um surto de violência, ou há indícios que apontam para uma volta à barbárie? As análises de vários pensadores, infelizmente confirmam esse diagnóstico. Trata-se de uma nova economia psíquica, como alguns sustentam. A violência está presente nesses processos de forma palpável, embora disfarçada.

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Voracidade

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Sempre que estou sozinho tenho a necessidade de comer, mas a satisfação nunca chega. Qual é o problema?

Voracidade

O apetite descontrolado está associado a mecanismos psíquicos inconscientes que têm como seu denominador comum a ansiedade. Um dos fatores que gera ansiedade é a sensação de “falta”. A solidão, percebida como estado de abandono e de rejeição, é um dos fatores que provoca essa desagradável sensação.

A falta pode estar associada não apenas à ausência do “objeto do desejo” (no caso a pessoa amada, o amigo, o colega, etc.), mas também à sensação de que o “objeto presente e acessível” é insuficiente e inadequado a preencher a falta. Algo do tipo: amo quem não está ao meu alcance e desprezo quem me quer.

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O instinto de morte

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Como ajudar um fumante a largar o vício, se ele não faz questão alguma de parar, mesmo sabendo dos riscos causados pelo tabaco?

O instinto de morte

A pergunta me lembrou de uma frase de Sto. Agostinho que soa mais ou menos assim: “Quem o criou sem a sua participação, não pode salvá-lo sem a sua participação”. Não há tarefa mais ingrata e inútil que tentar salvar quem não quer ser salvo. O ser humano não faz nada, a menos que tenha alguma motivação pessoal, mesmo que seja apenas aquela de se safar de algum perigo (a perda da vida, do dinheiro, do emprego, do parceiro, etc.).

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Medo de cachorro

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Minha sobrinha de 11 anos tem pânico de cachorro. Ela também sente ciúmes do irmão mais novo, mais paparicado. Esse pânico pode ser uma forma de ela mostrar que existe e também precisa de carinho, atenção, afeto?

Medo de cachorro

Não creio que o medo de cachorro seja uma forma de chamar a atenção. Aliás, trata-se de uma interpretação que, caso seja comunicada à menina, pode aumentar o seu sentimento de culpa e de inadequação por causa do ciúme que sente em relação ao irmão.

O medo contudo é sim uma forma do inconsciente chamar a atenção para algo que foi ocultado à consciência. Neste sentido trata-se de um sintoma que remete a algum material psíquico “recalcado” por ser considerado “perigoso” ou ambíguo.

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A experiência da morte

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Minha mãe morreu há pouco tempo e embora eu lute para superar essa morte, sinto que passei a ficar insegura de me tornar mãe e isso nunca havia acontecido antes. Pode ser fruto de um luto mal resolvido, ou não tem nada a ver?

A experiência da morte

Quando a morte nos toca com a sua mão fria, a mente entra em contato com uma realidade que desafia o pensamento. Por transcender a nossa experiência de seres vivos, a morte nos remete a um paradoxo. Embora somente possa ser pensada a partir da vida, pois nada morre a não ser que esteja vivo, a morte remete a algo que é o oposto da vida, situado além da nossa experiência. Tudo o que não pode ser pensado é por si só angustiante.

Evidentemente a fé na vida além da morte pode representar um alívio para a angústia, mas mesmo assim trata-se de fé e não de uma certeza ligada a uma experiência real. A morte portanto nos remete a uma experiência radical de solidão e de sem sentido. Isto explica a forma como a experiência da morte se insinua no nosso inconsciente, podendo gerar angústia e sensação de paralisia.

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