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A síndrome do ninho vazio Destaque

A síndrome do ninho vazio

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O que fazer para superar a síndrome do ninho vazio, quando os filhos se casam e a casa fica vazia?

O filme argentino “El nido vacío” representa de forma bastante clara a crise que o casal vive a partir do momento em que os filhos abrem asas e passam a viver suas próprias vidas longe dos pais. Varias questões emergem nesse momento da vida e se entrelaçam numa angustiante trama de sensações cujo desfecho psíquico pode ser mais ou menos difícil para o casal.

Obviamente, o mais afetado é o casal que fez do cuidado dos filhos o centro de sua vida matrimonial, deixando de cultivar a relação homem mulher e a própria vida pessoal.

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The Walking Dead: a busca do humano após a barbárie

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Lyette Basset em seu livro “Ousar a benevolência” (ainda não traduzido no Brasil) analisa a influência que a teologia cristã do “pecado original” exerceu na cultura ocidental, levando a uma visão negativa da “natureza humana”, considerada essencialmente corrompida e, portanto, precisando ser “salva” de si mesma.

Embora a partir de um vértice completamente diferente, mas evidentemente não isento da influência da cultura judaico-cristã que marcou profundamente o mundo ocidental, Freud em seu Mal-estar da civilização mostra que a natureza do psiquismo humano é dominada por instintos que precisaram ser “domados” pelo trabalho civilizatório da cultura, para tornar o convívio humano viável e menos bárbaro.

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Breaking Bad (Botando para quebrar)

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O seriado Breaking Bad (que poderia ser traduzido como Botando para quebrar) conta a história de um professor de física que, ao descobrir que está com câncer, resolve fabricar um novo tipo de droga, extremamente pura e valiosa para o mercado. O intuito inicial é fazer com que, na sua morte, a mulher e o filho, deficiente físico, possam viver tranquilamente, sem dívidas e com uma renda que garanta seu futuro, algo que nunca conseguiria com o trabalho honesto como professor de segundo grau e com o emprego extra em um lavador de carros.

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“Ela”: a namorada perfeita

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O sonho de todo homem e toda mulher é encontrar um parceiro que entenda suas necessidades e desejos e saiba se adaptar a eles da melhor forma possível. Melhor ainda se para isso não tiver sequer que se dar o trabalho de “discutir a relação”.

O filme “Ela” transporta esse “sonho” para uma realidade situada em um futuro próximo. Mas não precisa ir tão longe: o mundo virtual já nos proporciona algo parecido. Basta acessar uma rede social ou um aplicativo de relacionamento para que o usuário possa viver suas fantasias e encontrar o parceiro “ideal”. Para isso terá que realizar uma “busca” até identificar o perfil adequado. Se não conseguir, já existem sites e aplicativos de relacionamento que facilitam o processo, aproximando perfis “compatíveis”.

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Para sempre (The vow): uma metáfora sobre o amor

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A trama do filme “Para sempre” (The Vow em inglês) relata a história real de um jovem casal que viu sua vida completamente transformada após Page perder a memória como consequência de um grave acidente de carro. A perda da memória é um problema mental de difícil manuseio tanto para a pessoa afetada como para os familiares. Nos casos que acompanhei, tratou-se de um fenômeno temporário, ligado a algum tipo de trauma, que pôde ser superado através da terapia. No caso que o filme relata, a perda da memória foi definitiva e abarcou o longo lapso de tempo em que a jovem saiu da casa dos pais, contra a vontade deles, para realizar o seu sonho profissional e viver uma intensa história de amor que culinou no casamento.

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A banalidade do mal: Hannah Arendt

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O filme Hannah Arendt mostra a vida dessa corajosa mulher e sua tentativa duramente contestada pelos contemporâneos de explicar o mal. Sua teoria se aplica aos dias de hoje?

 

O filme foca sobre um período específico da vida e da obra de Hannah Arendt, que resultou na publicação de seu artigo: Eichmann em Jerusalém: Um Relato sobre a Banalidade do Mal (Cia das Letras, 1999), resultado de uma cobertura jornalística encomendada pela revista New Yorker, sobre o processo contra o carrasco nazista A. Eichmann, um importante articulador do genocídio de seis milhões de judeus.

A leitura que Arendt fez dos autos do processo causou violentas reações, sobretudo por parte da comunidade judaica e dos acadêmicos da época, lhe valendo uma aberta perseguição e a acusação de ser simpatizante do Nazismo.

Mas afinal, por que incomoda tanto a tese de que Eichmann não era nenhum monstro e sim apenas um burocrata servil e obediente, uma espécie de alto executivo, a serviço de uma eficiente máquina de extermínio, de um sistema totalitário (Totalitarismo é outra obra de Arendt)) que priva o ser humano de sua capacidade de julgamento, tornando-o um ser amoral, esvaziado de si?

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As aventuras de Pi

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Assisti o filme “As aventuras de Pi”, no final tive a impressão que não entendi a fundo a mensagem, fiquei confuso? Qual é o sentido psicológico do filme?

 

O filme, além do atrativo visual da exibição em 3D, oferece uma interessante leitura das questões existenciais que mais intrigam o ser humano. O protagonista, um simpático garoto indiano, se vê às voltas com as contradições do mundo dos adultos e com os questionamentos que surgem vivendo em uma cultura onde se cruzam várias crenças religiosas e suas diferentes visões do mundo e das forças da natureza. Com extrema desenvoltura, Pi entra em contato com o cientificismo ateu do pai, venera a deusa Shiva, presente nas histórias contadas pela mãe, até se encontrar com o Deus misericordioso cristão e o onipresente Alá.

No entanto, a visão infantil e encantada do mundo é atravessada com brutalidade pela tragédia, que leva o menino a conhecer a maldade do coração humano e as forças poderosas da natureza, do destino e dos próprios instintos.

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As neves do Kilimanjaro

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Ao reafirmar sua fé no ser humano, o filme As neve do Kilimanjaro surpreende pelo seu olhar despojado e ao mesmo tempo poético. Com sensibilidade e profundidade a produção francesa vai tecendo considerações que envolvem cenários sociais de extrema atualidade: a violência, a exclusão, o desemprego, ao lado de temas mais intimistas, como o perdão e a solidariedade.

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O naufrágo: solidão e capacidade de estar só

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O filme O náufrago relata a história de Chuck Noland (Tom Hank), um executivo da FedEx que sobrevive à queda do avião da empresa, nadando até uma ilha deserta. Uma das cenas mais comoventes do filme mostra a terrível angústia que ele experimenta ao perder no mar uma bola de vôlei, recuperada dos destroços do avião, que ele tinha caracterizado como a cabeça de um ser humano e com a qual “conversava” ao longo dos quatro anos em que ficou sem nenhum contato com a civilização, na mais absoluta solidão.
 
Infelizmente, no mundo que habitamos, não precisa ser um náufrago para experimentar a solidão. Mesmo quem vive no meio da civilização e tem à sua disposição centenas de “amigos” no Facebook pode experimentar esse sentimento angustiante. Todos os dias conversamos com seres humanos que são tão interativos quanto a “bola de vôlei” do Chuck Noland, com uma única diferença, a bola do naufrago pelo menos dava a impressão que sabia escutar, enquanto no mundo dos humanos é cada vez mais raro encontrar alguém disposto a ouvir o outro.
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Os Descendentes: a difícil arte de perdoar

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A temática do perdão é abordada de maneira tocante no filme “Descendentes”, vencedor do Oscar Alexander Payne, protagonizado por George Clooney. Diante de uma tragédia que se abate sobre a família, pai e filhas adolescentes têm que lidar com as limitações mútuas, mas o mais difícil é lidar com os erros da mãe que já não pode ser confrontada por estar em coma.

O filme retrata uma situação familiar complexa, envolvendo abandono afetivo, falhas no relacionamento e traição, onde o perdão não é fácil. Todos acabam mergulhando no ressentimento acumulado, em suas próprias culpas e no turbilhão de suas emoções, tendo que lidar com a agressividade que marca as relações familiares. O amor prevalece, mas não sem antes passar pelo espinhoso caminho da reconstrução dos vínculos e da redenção pessoal. É justamente sobre isso que gostaria de refletir. Muitas vezes o perdão é apresentado como uma imposição moralista, baseada em um simplismo voluntarista, que não leva em conta a complexidade dos sentimentos envolvidos e a necessidade de entrar em contato com eles para que seja possível elaborá-los e integrá-los.

A necessidade de perdoar surge a partir do momento em que nos sentimos agredidos por uma situação considerada injusta e de alguma forma violenta, provocada por alguém com quem mantemos vínculos mais ou menos estreitos. Naturalmente, quanto mais profunda for a relação, mais difícil é o perdão.

Na prática, é necessário antes de tudo poder lidar com a raiva, que será administrada de acordo com a autorização que cada um tem de acessá-la. Contrariamente ao que se pensa, nem todos têm um acesso consciente à sua agressividade. Para muitos ela atua apenas no plano inconsciente ou subconsciente e acaba se manifestando de forma sorrateira, através de agressões veladas, involuntárias, que jogam uma sombra de amargura nos relacionamentos. O perdão concedido de forma superficial, às pressas, geralmente acarreta esse tipo de ressentimento que perdura por anos a fio e provoca o afastamento emocional.

Entrar em contato com a própria raiva significa reconhecer que ela existe e que tem o direito de existir. O que vamos depois fazer com ela é outra questão. A raiva é importante para poder encarar a injustiça e eventualmente quem consideramos ser o autor da injustiça ou da violência que nos atingiu.

Do ponto de vista psíquico, é extremamente importante que haja algum reconhecimento do erro cometido. Não é sobre a manutenção da injustiça que se pode construir o perdão. O reconhecimento do erro cometido paradoxalmente pode vir por parte do próprio autor da agressão ou de quem perdoa (como no caso do filme em que a “culpada” está em coma).

A grande metáfora cristã do perdão é a parábola evangélica do Filho Pródigo. Nela há o reconhecimento por parte do filho dos seus erros e a disposição de aceitar as consequências dos seus atos. A generosidade do pai contudo resolve recoloca-lo no lugar de destaque que ele ocupava antes de abandonar a casa paterna. Esta acredito ser a parte mais difícil do perdão. Até que ponto alguém pode voltar a merecer a nossa confiança? Como isso pode ser feito de forma plena, sem forçação voluntaristas, com a adesão do nosso psiquismo? Creio que isto seja possível somente desde que haja o reconhecimento da injustiça sofrida e a disposição para repará-la. Este reconhecimento é a meu ver fundamental para que o psiquismo não se sinta violentado e possa participar do processo do perdão.

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