Crimes desumanos e Direitos Humanos

Os programas de televisão que noticiam a violência em suas diferentes facetas ajudam a criar algum tipo de consciência contra a impunidade e a própria violência?

Diante de comportamentos desumanos podemos falar em direitos humanos?

Aproveitando uma tarde de repouso forçado, resolvi assistir o programa Brasil Urgente. Naquele dia, o apresentador mandou reprisar inúmeras vezes as cenas que mostravam um senhor de idade sendo barbaramente torturado pelos bandidos, após ter sido assaltado no ferro velho de sua propriedade.

 Até o próprio apresentador ficou em dúvida se não estaria exagerando exibindo sem parar essas cenas violentas, mas, para tranquilizar sua audiência, acabou dizendo que isso era para que os defensores dos direitos humanos se convencessem que não é possível defender os direitos de bandidos cujos crimes são desumanos.

 Que sentimentos essas cenas despertam no telespectador? Procurei buscar em mim os sentimentos mais primitivos, que antecedem qualquer tipo de “censura”. O resultado foi perceber que os pensamentos mais animalescos passavam pela minha cabeça, me deixando em dúvida se, em uma situação real, conseguiria reprimi-los. Certamente não sou uma exceção: notícias desse tipo despertam na maioria das pessoas sentimentos conflitantes de ódio, impotência e depressão. Fica então a pergunta: que sentido faz falar de “direitos humanos” diante de tanta barbárie?

Aqui está o grande equívoco. Defender os direitos humanos não é sinônimo de defender a impunidade. Ao contrário, defender os Direitos Humanos é defender tanto os direitos das vítimas, como reconhecer que ao fazer isso a sociedade não pode simplesmente se entregar à barbárie e à vingança cega, se igualando à falta de humanidade dos agressores.

O pior efeito da violência é fazer com que as vítimas se tornem por sua vez opressores injustos. Mesmo assim, quando a justiça se enreda em suas próprias leis e acaba garantindo a impunidade ou uma absurda disparidade entre o crime cometido e a repressão aplicada certamente não serve à sociedade. É no equilíbrio entre o recurso indiscriminado à violência vingativa e a manipulação do sistema legal para garantir a impunidade que encontramos uma esperança de civilidade.

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