A Depressão

Meu pai tem sintomas típicos da depressão, mas não admite, não quer se abrir e menos ainda procurar ajuda psicológica. De que forma a família pode ajudar dentro de tal contexto?

Depressão

A depressão é uma doença típica do nosso tempo. O curioso é que isso acontece em um contexto dominado pelos apelos ao consumo, à qualidade de vida, ao conforto, aos cuidados obsessivos com o corpo. Como explicar então que a depressão esteja cada vez mais presente?

Alguns psicanalistas apontam para novas formas de cobrança que dominam o nosso dia-a-dia. Trata-se da cobrança interna, uma das instâncias do inconsciente (o Supereu). Sua função é de dar suporte à delicada mediação que a parte consciente da mente (Eu) faz entre o mundo interno (inconsciente) e o mundo externo (realidade externa).

O Supereu, eoriginalmente, está ligado à experiência da “castração”, ou seja, à noção (em grande parte inconsciente) de lei, dos limites, das exigências vindas do mundo externo, representado pela sociedade e pela tradição cultural e religiosa à qual a pessoa pertence.

As novas formas do Supereu se originam do oposto da “castração”, ou seja, de imperativos transmitidos pela sociedade contemporânea (mídia, redes sociais, propaganda, etc.) que apontam para a necessidade do gozo sem fim, da adesão ao cortejo dos bem-sucedidos, dando aos que se sentem excluídos a sensação de fracasso e de exclusão. Aspirações supostamente legítimas, da forma como se apresentam, se tornam imperativos opressivos para a mente, causando sintomas depressivos.

O que responder então ao nosso leitor? Em primeiro lugar é necessário ver se os sintomas depressivos são realmente tais, pois a depressão traz paralisação psíquica que não deve ser confundida com tristeza. Com a idade é natural que o sujeito se depare com questões que o afligem: a aproximação da morte, a perda de suas habilidades físicas e mentais, a perda de interesse por coisas que antes eram relevantes, etc. A mente precisa de tempo para assimilar tudo isso. A cobrança não ajuda, apenas reforça os sentimentos depressivos. O que importa é a presença, mesmo que seja silenciosa, talvez apenas para compartilhar a impotência que o outro está sentindo.

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