A tristeza diante de um mundo que nos decepciona

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Acompanhando os noticiários sinto às vezes uma profunda tristeza e me dá vontade de ficar totalmente alienada diante do que acontece no mundo. Estou com depressão?

A tristeza diante de um mundo que nos decepciona

A tristeza não é necessariamente um sinal de depressão.  O cenário que se abre aos nossos olhos ao acompanhar os noticiários não é de fato agradável. Não se trata apenas das “notícias que sangram” (a violência explícita), mas de uma série de fatos que remetem a um mundo doente e perturbado.

Um exemplo disso é a reação que suscitou a notícia da renúncia do papa Bento XVI. Estranhamento, decepção, emoção, dúvida, são apenas alguns dos sentimentos que emergem. A sua confissão de impotência diante do peso de um papado chamado a lidar com questões muito graves dentro e fora da igreja católica, remete à impotência que todos sentimos diante do que acontece no mundo.

 O sentimento de impotência não tarda a se transformar em tristeza, diante do suceder-se de notícias que nos mostram um mundo deturpado, distante daquilo que imaginávamos e que gostaríamos de poder transmitir aos nossos filhos e netos.

Não se trata de depressão porque o sentimento de impotência não é fruto de um funcionamento distorcido do nosso mundo interno, de uma paralisia psíquica, e sim da percepção de um perigo que nos ultrapassa, por remeter a um sistema social, político e econômico disfuncional, caracterizado pela total ausência de valores e pelo cinismo. Um mundo supostamente preocupado apenas com os “resultados”, geralmente a curto prazo, mas, ao mesmo tempo, irremediavelmente marcado por uma colheita desastrosa de fracassos presentes e anunciados a médio e longo prazo.

Se o ex-palhaço Tiririca se confessa decepcionado por ter percebido que nunca se sentiu tão palhaço como no parlamento brasileiro, percebemos que a sensação de nos sentir “palhaços” por ter que encenar uma falsa felicidade à la Disney World é justificada. Isto só pode inspirar tristeza.

Enfim, temos o direito de ficar tristes, sem que alguém nos “diagnostique” como doentes, quase a dizer que ser triste é um sintoma gravíssimo  que deve ser curado em um mundo que prega o dever de se mostrar sempre bem-dispostos e alegres.

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