O gozo inalcançável

Quando a gente deseja muito algo e depois consegue realizar esse desejo, percebe que aquilo está aquém do que esperava. Como fazer para não criar expectativas demais?

O gozo inalcançável

Quando investimos fortemente algo ou alguém com o nosso desejo, o nosso psiquismo se põe em movimento “erotizando” a situação. É o momento em que nos sentimos arrebatados por uma energia interna que nos leva em direção a algum objeto do mundo externo (entenda-se por objeto uma pessoa, uma situação, ou algum objeto material). Freud chamou essa energia de libido.

O que de fato movimenta o nosso psiquismo, contudo, não é o objeto em si e sim uma fantasia interna que “representa” o objeto. O objeto interno, investido pela libido, é portanto diferente do objeto externo que o representa. Podemos dizer que é um é um fantasma.

 Nenhum “objeto” presente no mundo externo pode de fato se comparar aos objetos produzidos pela realidade psíquica. Isto explica o sentimento de desapontamento relatado pelo nosso leitor como desfecho natural do movimento do desejo, uma vez que o objeto desejado é alcançado.

A sensação de falta continua a se fazer presente, muitas vezes nos levando á ilusão de que de fato exista esse tal objeto perfeito, que vai finalmente preencher nossas expectativas.

Isto quer dizer que devemos nos contentar com o que temos e deixar de aspirar sempre a algo maior? Na realidade esta opção não existe, pois é da própria estrutura desejante do ser humano esse descontentamento que o leva a fazer novos movimentos em direção ao mundo externo em busca de algo que lhe falta. Todo gozo remete paradoxalmente a uma falta e à busca de um novo gozo,

O que é possível é entender que essa é a essência da nossa estrutura desejante e aprender a lidar com a frustração que todo objeto do desejo encerra em si, ao se apresentar como inteiro, isto é, bom e mau ao mesmo tempo.

Quem consegue achar a satisfação nas pequenas coisas, para além dos limites que elas apresentam, está a caminho do equilíbrio emocional, mas isso implica em compreender que o nosso desejo envolve necessariamente uma decepção, desde o momento em que se põe em movimento.

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