Memórias infantis: são importantes?

 

Sei que fui uma criança amada, mas tenho poucas lembranças de meu passado. Há algum problema?

Memórias infantis: são importantes?

Embora a psicanálise frise a importância do período infantil para a formação do psiquismo, nem sempre é possível resgatar memórias desse período. Algumas pessoas têm quase nenhuma lembrança da infância.

Isto não quer dizer necessariamente que aquele período foi difícil e traumático. O nosso inconsciente é um imenso repositório de memórias que não são acessadas pela nossa consciência. Determinada memória contudo pode ser ativada de maneira inconsciente – e portanto não é percebida conscientemente -- quando a pessoa vive uma situação no presente que a remete a conteúdos emocionais a ela relacionados.

 A nossa mente pode de fato separar uma memória de seu conteúdo emocional, cuja energia psíquica fica assim livre para poder ser “ligada” a um conteúdo emocional atual que portanto é revestido de uma energia muito maior do que seria esperado pelo próprio evento. É dessa forma que o psiquismo produz sintomas (somatizações e todo tipo de neurose ou até psicose) e sonhos.

A ausência de memória pode ser devida ao fato que a energia emocional contida na memória foi naturalmente dissolvida, pois não precisou ficar dissociada dela. No entanto, em situações que o psiquismo considera traumáticas, a memória da situação vivida precisa ser recalcada (empurrada no inconsciente), para perder o seu efeito aflitivo sobre o  psiquismo. Neste caso, a energia emocional ligada à memória recalcada reaparece em situações aparentemente sem sentido. É quando reagimos a situações da vida real de forma neurótica, com uma intensidade emocional que vai além do esperado pelo bom senso.

Como foi dito no início do artigo, o fato de não existirem memórias da infância não quer dizer que a infância foi ruim, mas não se pode descartar a possibilidade que o inconsciente tenha “desligado” da consciência tais memórias porque de fato não foram boas. Frequentemente o processo terapêutico confirma essa hipótese, antes veementemente negada pelo paciente.

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