Subjetividade versus individualismo


Nenhum pensamento é aceito como regra geral nos dias de hoje. Essa subjetivação da vida não põe em risco uma vida saudável em sociedade? Como encontrar o equilíbrio?

Subjetividade versus individualismo

A pergunta é central para nos ajudar a entender o nosso tempo. A corrente de pensamento pós-moderna anuncia o fim das Grandes Narrativas, fazendo alusão com essa expressão aos “pensamentos” que podem ser considerados como “regra geral”.

Apesar das aparências, e justamente pelo predomínio de uma Grande Narrativa sobre as outras, a vida em sociedade nunca foi “saudável”; ao contrário, sempre foi marcada por conflitos de todo tipo.

 Temos exemplos disso no mundo greco-romano, na segmentação da sociedade em patrões e servos na Idade Média, nas Cruzadas e sucessivamente nas guerras de religião entre católicos e protestantes, nos séculos XVI e XVII. Da mesma forma, o descobrimento do Novo Mundo e dos costumes exóticos de seus habitante trouxe grandes questionamentos para a civilização cristã. Apesar do consenso imposto com a força, fenômenos como a Inquisição, a perseguição aos judeus e, mais tarde, a escravatura dos negros, extirpados de suas terras na África, são provas suficientes para mostrar quão pouco saudável era a vida em sociedade.

Da mesma forma, o que era aceito no Ocidente, era rejeitado no Oriente e isso fez com que, por muitos séculos, as histórias dessas duas partes do planeta se mantivessem separadas, salvo esporádicas tentativas de aproximação.

O que prevalecia, tanto no mundo Ocidental cristão, como no Oriente era contudo uma “Regra Geral”, para usar a expressão do nosso leitor. Um Discurso aceito pela maioria, expressão de uma Tradição, codificada em leis e imposta pela força. A esse “Pai” poderoso, todos tinham que obedecer, por imposição externa e também por uma cobrança interna. Somente era considerado adequado quem obedecia a essa Lei.

Hoje a lei é outra. A lei é imposta pela necessidade do mundo capitalista de sustentar seus ganhos através da criação de sempre novas oportunidades, de novos mercados, de novos consumidores, de novos produtos a serem consumidos. O dinheiro se multiplica em progressão geométrica e, ao mesmo tempo, viver é cada vez mais caro. Bolsões de pobreza continuam a ser gerados a todo momento, como demostram por exemplo dados recentes nos EUA. Isto exige um novo tipo de submissão, a submissão às leis do Mercado. Todos, governantes e governados, a elas se submetem. O Mercado é o nosso grande Pai. Quem não consegue se submeter, automaticamente é excluído do cortejo dos bem-sucedidos, perde Status. Neste sentido não há subjetivação e sim individualismo, pois cada um luta por si só na selva impiedosa do sucesso.

O que se prospecta no horizonte é uma sociedade em que o sujeito se vê ameaçado na possibilidade de se expressar fora dos padrões estéticos e aéticos impostos pelo Mercado, embora o individualismo seja enaltecido, como meio para continuar tendo um diferencial competitivo e ser vendável nesse mesmo Mercado, custe o que custar.

 

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