A autoajuda ajuda?

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{jcomments on}Por que a nossa mente é bastante suscetível aos “ensinamentos” dos livros de auto-ajuda?(Maria Carolina, Ribeirão Preto/SP)

A auto-ajuda... Ajuda?

Como em tudo o que envolve algum tipo de sofrimento, a mente também anseia pelo caminho mais breve possível em busca do alívio quando é atingida por alguma situação difícil que gera angústia ou algum incômodo no dia-a-dia de sua vida profissional ou pessoal.

A grande maioria dos livros de auto-ajuda se propõe oferecer caminhos simples e rápidos para que a pessoa se liberte de algum tipo de problema. O que diferencia um livro de auto-ajuda de qualquer outro tipo de publicação, é a crença de que a pessoa poderá se libertar de algo que a incomoda fazendo uso de sua boa vontade e dos conhecimentos adquiridos com a leitura. Técnicas mais ou menos complexas guiam o leitor para que possa “condicionar” sua mente de uma forma positiva, retirando os maus hábitos psíquicos, adquiridos com o tempo.

Freqüentemente, esse tipo de publicação aponta para fenômenos psíquicos reais e, às vezes, mostra algum embasamento em conhecimentos sobre o funcionamento psíquico inconsciente. A descrição dos sintomas é cuidadosa e permite ao leitor identificar o seu problema a partir do que o autor escreve.

As técnicas apontadas podem vir a ter alguma utilidade para que a pessoa passe a identificar seus sintomas e “trabalhá-los”, obtendo assim uma sensação de melhora. A duração dos eventuais resultados obtidos, no entanto, costuma ser breve. O leitor, porém, não precisa se preocupar. Sempre haverá mais um livro, do mesmo autor ou de outro, que poderá renovar a sensação de alívio. Não é por acaso que os consumidores desse tipo de literatura costumam manter sua biblioteca bem atualizada com as últimas novidades do momento.

Com isso não quero dizer que os livros de auto-ajuda, de maneira geral, não têm utilidade nenhuma. Alguns deles, aliás, são interessantes e bem escritos e trazem reflexões que podem ajudar o leitor. O que quero dizer é que, para resolver seus problemas, a pessoa não pode se contentar com um livro de auto-ajuda.

Assim como uma grávida pode recorrer com proveito a um bom livro sobre gravidez, ou uma mãe de primeira viagem a um livro sobre como cuidar do bebê, da mesma forma, quem sofre de algum problema psíquico pode recorrer a um livro de auto-ajuda e dele tirar algum proveito. Porém se o livro for sério, irá ajudá-lo a compreender o seu problema e encorajá-lo a buscar um profissional qualificado, assim como o livro sobre gravidez deveria aconselhar o recurso a um obstetra e o livro sobre como cuidar do bebê deveria sugerir a necessidade de acompanhamento pediátrico.

A maior dificuldade, no que se refere aos problemas psíquicos, é que a maioria das pessoas se recusa a acreditar que realmente tem um problema. A tendência é minimizar os sintomas e dizer que tudo não passa de uma dificuldade “normal”. Recorrer a um profissional qualificado então, nunca. Isto é coisa de louco...

Geralmente as pessoas tendem a recorrer a uma terapia somente em última análise, quando já não há como negar que as coisas não estão indo bem. Para a maioria, cuidar da mente ainda é uma coisa supérflua. Cuidamos dos cabelos, da aparência física, das unhas,mas da mente não, pois achamos que ela funciona por si só.

O recurso aos livros de auto-ajuda e o seu sucesso editorial mostra claramente que muitos sentem algum tipo de desconforto psíquico e buscam ajuda de forma anônima de descompromissada, através da simples leitura de um livro.

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