Motivação e desistência

Mundo corporativo

Motivação e desistência

A desistência é um aspecto característico das síndromes depressivas. Incapaz de suportar a pressão da cobrança interna/externa, o depressivo vive um estado crônico de paralisia psíquica que o leva a desistir não apenas de um desejo específico, mas, diria, da própria possibilidade de desejar. Amorfo e sem “esperança” o depressivo passa para o mundo externo a imagem de alguém fraco, derrotado, “preguiçoso” e até displicente.

No mundo corporativo, a luta contra a desmotivação dos funcionários vem se focando, na maioria dos casos, em torno da definição de “metas”, acompanhadas da “cenoura” de um possível “bônus” que recompense os esforços do funcionário que não desiste e supera as metas estabelecidas. Neste sentido a meta é vista como um aspecto “motivacional”, capaz de gerar energia positiva.

Por outro lado, como a maioria das empresas visa o máximo resultado com o mínimo investimento, as metas são constantemente revisadas, na maioria das vezes puxando-as acima dos limites razoáveis de um crescimento baseado não apenas no “desejo” dos acionistas, mas na realidade do mercado.

É nesse sentido que o tiro pode sair pela culatra, pois o excesso de cobrança causa depressão e não motivação. Para que a motivação seja possível é necessário que a estrutura desejante do funcionário entre em sintonia com o desejo da empresa.

Isto evidentemente supõe um vínculo do funcionário com a empresa que vai além do contrato de trabalho. Trata-se de um vínculo emocional, difícil de ser estabelecido por causa da precariedade dos laços que hoje caracterizam o mercado de trabalho. A troca empresa/funcionário é mais um contrato de compra e venda do que um contrato de parceria. O funcionário “vende” o seu trabalho ao que oferece mais e a empresa “vende” o seu emprego a quem exige menos ou a quem promete se “submeter” a suas regras.

Submissão e desistência do próprio desejo de forma alguma geram motivação. Na lógica do lucro fácil e imediato as empresas acabam perdendo espaço frente à concorrência e dinheiro por causa do “retrabalho” fruto da desmotivação e da desatenção. O que parecia ser lucrativo acabou sendo um tiro no pé.

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