Globalização

Mundo corporativo

Globalização

(c) Roberto Girola

 

As últimas décadas do século XX foram marcadas por mudanças profundas, que atingiram a vida das empresas e da sociedade. O gradual desmantelamento do bloco socialista provocou não apenas uma série de reajustes políticos, mas trouxe conseqüências cuja importância é difícil avaliar até hoje. A situação polarizada pelo confronto ideológico entre dois blocos foi substituída por uma tendência totalizante, que, traz, como pressuposto, uma unilateralidade perversa. Não é por acaso que ouvimos falar hoje, com bastante superficialidade e desenvoltura, de eixos do bem e do mal. O mundo parece condenado a viver essa polarização entre bem e mal em diferentes níveis.

Mudança e incerteza caracterizam o início do Novo Milênio. Grandes avanços tecnológicos, sobretudo na área das telecomunicações e da informática, provocaram uma verdadeira revolução desde a produção de bens e serviços, até as diferentes fases da comercialização e distribuição de produtos. O fenômeno da globalização acabou se estabelecendo como uma tendência irreversível trazendo profundas mudanças nos padrões culturais, econômicos, sócias e políticos. As relações de trabalho apontam para um crescente clima de instabilidade e de insegurança, que tem como contrapartida angustiante a necessidade cada vez maior de qualificação profissional e um clima de trabalho cada vez mais competitivo e estressante.

Os solavancos econômicos a que são submetidos todos os países, inclusive os mais ricos, mostram uma economia instável, submetida às oscilações do enorme volume de capitais que circulam nos mercados financeiros. Os humores e os temores dos investidores seguem uma lógica eminentemente especulativa, estabelecendo uma cisão entre mundo da produção e mercado financeiro. As bolhas especulativas, geram uma realidade virtual que se sobrepõe à lógica e ao bom senso da realidade dos fatos. O cenário tornou-se ainda mais complicado por causa do fantasma da guerra e do terrorismo que volta a rodar as mentes, com o seu cortejo de horrores. Tudo isso representa um grande fator de pressão e estresse sobre o ambiente empresarial, determinando uma situação que passou a marcar o dia-a-dia de pessoas e instituições.

No entanto, o observador mais atento poderá perceber que, timidamente, alguns “sonhos” emergem do perturbado cenário mundial, perfilando novos desafios para as empresas e para a economia do novo milênio e questionando o valor supostamente incontestável do modelo de globalização neoliberal. Dentre eles podemos destacar: uma maior atenção ao meio ambiente; uma preocupação com a distribuição de riquezas mais justa entre ricos e pobres; a introdução de mecanismos de controle internacional que atenuem a perversidade do modelo neoliberal; a urgência de evitar o consumo irresponsável dos recursos limitados do planeta; uma maior atenção para a valorização do fator humano no ambiente de trabalho e uma maior atenção aos valores. O guru empresarial Deepak Chopra chega a falar abertamente de uma espiritualidade corporativa.

Neste contexto,  o que pode determinar o sucesso de uma empresa?  Chopra responde de forma clara e cortante: “As empresas que serão bem-sucedidas no futuro serão aquelas que, na verdade, estão tentando suprir a natureza e as necessidades básicas da vida”.  Em outros termos podemos dizer que sobreviverão as empresas que tem um sonho, que motiva sua presença na sociedade e se manifesta em gestos criativos.

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