Por que nos apaixonamos?

Por que nos apaixonamos?

Embora a experiência de estar apaixonados seja excitante, a pergunta parece remeter a uma sensação de estranhamento diante da percepção que o apaixonamento é algo aprisionante e, pior ainda, sem explicação.

Embora quem está apaixonado possa desfilar uma série de razões para convencer e se convencer que a pessoa alvo do seu “amor” é realmente um ser especial, dotado dos atributos mais elevados, um verdadeiro achado no “mercado” das relações afetivas, para a maioria dos seus ouvintes ficará a sensação de que ele(a) “pirou”.

O “diagnóstico”, embora seja um tanto superficial e bruto, não é de todo errado. O apaixonamento, como o próprio Freud observava, é de fato reflexo de um “estado psíquico” anormal, quase psicótico, pois acarreta uma razoável distorção da realidade.

 A questão é que, feliz ou infelizmente, ainda não inventaram uma vacina contra o apaixonamento. Trata-se de uma experiência psíquica de caráter compulsivo e alucinatório. Apesar disso, é um “produto” bastante vendido na feira das ilusões humanas, aliás, é um ingrediente que não pode faltar na propaganda, nos filmes, bem como em novelas e romances. A maioria gostaria, pelo menos uma vez, experimentar o seu gosto, adocicado no início, mas um tanto amargo no final.

Mas o que a paixão tem a ver com o “amor”? Como bem observou em uma de suas palestras o professor Clóvis de Barros (cf. no Youtube: Do balanço da Empresa ao Balanço da Vida, a Vida que Vale a pena ser vivida), existem várias formas de amor. O que nós nomeamos com a palavra, amor, os gregos, mais precisos, nomeavam com três palavras diferentes: Eros, Filia, Ágape.

O apaixonamento é uma experiência que se dá no âmbito do Eros, o amor que é essencialmente marcado pela falta e pelo desejo. O apaixonamento é erótico porque movimenta nossa energia psíquica em direção a um “objeto” idealizado, supostamente capaz de preencher todas as “faltas” e portanto altamente desejável. Daí seu forte aspecto motivacional, sua força de atração e seu caráter desesperadamente compulsivo.

Com o tempo, os afortunados conseguem temperá-lo com doses de Filia (a raiz da palavra amizade) e, também, com pitadas de Ágape (o amor desinteressado).

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