Separação: uma decisão difícil

Meu casamento não anda bem, meu marido me magoa me humilhando verbalmente. Ando triste, desanimada sem vontade de fazer nada. Não consigo ir embora e não sei o que fazer; Se o carinho acabou, o respeito também será que adianta ficar nessa relação?

Separação: uma decisão difícil

Na ótica do “consumo” se um produto não me satisfaz, o substituo. Contaminadas por essa ótica, as relações humanas tendem a se tornar cada vez mais superficiais e descartáveis. No entanto, tudo o que envolve o humano não é tão simples assim. Apesar da banalização que se faz quando o tema é separação: separar-se não é de fato uma decisão fácil.

Como psicanalista tenho acompanhado dezenas de casais, homens e mulheres, às voltas com a dúvida que aflige a nossa leitora. Seja qual for o desfecho, nunca é alcançado sem um período, geralmente longo, em que se experimenta a paralização e o desencantamento com a vida. Podemos comparar o processo da separação ao processo do luto, um luto que começa muitas vezes antes mesmo que a morte seja constatada.

Mas quais são os sinais que apontam para uma situação sem saída? Um primeiro sinal importante é a sensação que o casamento se tornou um peso. Ao invés de dar sustentação e sentido à vida do casal, o oprime e o paralisa. Isto não quer dizer necessariamente que o casamento já esteja fadado ao fracasso, mas é sem dúvida um indicador importante que o problema é sério. Seres acuados sentem-se em perigo e a reação é o despertar da agressividade que leva a agressões mútuas explícitas (verbais ou até físicas) ou implícitas (desinteresse, críticas constantes, abandono emocional, etc.) cada vez mais intensas. Tudo isso leva a uma gradual corrosão do carinho e do respeito, que são fundamentais para a manutenção do casamento.

Mas o que torna tão atribulado o processo que leva a uma separação? Um dos principais fatores está ligado à sensação de que algo importante morreu. Há um sentimento de perda, “velando” o cadáver de uma idealização. Dificilmente as pessoas casam com seres “reais”. Geralmente o casamento inicia a partir de projeções que constroem uma imagem do parceiro totalmente idealizada. Um lento processo de desencantamento leva a perceber que essa imagem é falsa e que o parceiro na realidade é um desconhecido.

É nesse momento que a situação pode ou não ser revertida. Tudo depende do apego narcísico à imagem projetada no parceiro. Alguns tentam desesperadamente “mudar” o cônjuge. Nada mais inútil. Se o apego à expectativa criada sobre o outro não muda, dificilmente o casamento poderá ser salvo. 

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