Mulher do lar: é ainda uma opção?

Vida amorosa e sexualidade

Por que ainda existem mulheres que sonham ser sustentadas pelo marido, se tornar donas-de-casa? Isso não seria uma postura machista? Tenho 19 anos e não desejo esse tipo de postura para mulher alguma porque pode servir de empecilho na ascensão profissional. Estou certa? (Bárbara, Salvador/BA)

 

Ser mulher “do lar” é ainda uma opção?

 

Os tempos em que vivemos tornam cada vez menos viável para a mulher ficar em casa e ser sustentada pelo marido. Estatísticas recentes mostram que no Brasil há cada vez mais lares sustentados por mulheres que cuidam sozinhas da casa e dos filhos.

Mesmo para as casadas é cada vez mais difícil optar por ficar em casa. Os baixos salários, o crescente custo de vida e o risco do marido perder o emprego fazem com que a mulher opte por ter uma carreira profissional, garantindo assim uma maior estabilidade econômica ao lar.

Prescindindo das necessidades concretas, impostas pela realidade atual, é bom do ponto de vista psíquico para a mulher ficar em casa, sendo sustentada pelo marido? Tudo depende da postura que a mulher tem diante da opção de ficar em casa ou trabalhar.

O que torna o ser humano saudável do ponto de vista psíquico é a possibilidade de estar integrado, ou seja, de harmonizar da melhor forma possível os aspectos de sua personalidade. A grande “tarefa” do ser humano é tornar-se “uno”: unificar em si os aspectos inicialmente cindidos, superando sua fragmentação interna. Diante da opção de ficar em casa ou desenvolver uma vida profissional, a primeira pergunta que a mulher deve fazer é qual dos dois caminhos a ajuda a se tornar mais integrada consigo mesma.

O que geralmente impede a mulher de optar pela vida profissional é a falsa idéia de que tal opção irá “prejudicar” os filhos e a relação com o marido. A experiência clínica mostra o oposto. O que é realmente bom para um, nunca prejudica o outro, ao contrário, o ajuda a se desenvolver de forma mais saudável. Por outro lado, o que é ruim para um acaba afetando os outros de maneira sutil, através das atuações do inconsciente.

Mas por que é aconselhável que a mulher desenvolva uma vida profissional ao lado do seu companheiro? Em primeiro lugar para desenvolver a sua autonomia, elemento indispensável para que as trocas “amorosas” sejam realmente trocas e não apenas gestos de submissão. O marido que quer “segurar” a mulher porque teme a sua autonomia, além de mostrar a sua insegurança, está mostrando a sua total incapacidade de amar o outro.

Uma outra necessidade da alma humana é a expansão, em buscas de seus sonhos e da realização de suas necessidades internas. Se ficar em casa transmite à mulher uma sensação de aprisionamento, cedo ou tarde ela desenvolverá algum tipo de síndrome depressiva que, além de prejudicar sua saúde psíquica, acabará “pesando” de forma altamente negativa sobre filhos e marido.

Uma terceira necessidade do ser humano é significar a sua existência, dar um sentido ao seu estar no mundo. Mais uma vez, o aprisionamento na vida doméstica pode transmitir à mulher a sensação de uma vida sem sentido e alimentar sentimentos negativos de menos-valia.

Quanto à relação com os filhos, de início, é obvio, a criança solicita de forma constante a presença materna. Este, no entanto, depois dos primeiros seis meses, é um desejo narcísico da criança e não necessariamente uma necessidade real. Aliás, com o tempo, crescendo, a criança precisa se distanciar. Quando isto acontece, a mãe perde “o seu mundo” que ficou demasiadamente confundido com aquele do filho. Passa então a sufocar o filho com uma presença invasiva que não é saudável. Ao contrário, uma mãe que trabalha pode desenvolver uma relação saudável com o filho que, geralmente, a vê com orgulho e nela se espelha. Naturalmente, mães compulsivamente preocupadas com a carreira podem prejudicar sua relação com os filhos, mas este é um tema a parte.

Do ponto de vista do casal, há ainda uma outra vantagem. O marido é estimulado a ver a mulher como alguém que está do seu lado e não apenas como alguém que está ao seu dispor, sendo assim convocado para compartilhar as tarefas domésticas e a condução da casa com a mulher.{jcomments on}

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