Videogame é perigoso

Pais e filhos

Até que ponto os jogos de videogame podem influenciar pessoas a praticarem atos de violência e até homicídios? (Anônimo)

Videogame é perigoso?

Os fatos recentemente noticiados pela mídia impressionaram profundamente a opinião pública ao apontar como autor do assassinato de uma família inteira o filho, um pré-adolescente que costumava jogar videogames violentos e cujo sonho era se tornar um matador profissional.

Contudo, além do uso compulsivo do videogame, houve outros elementos que contribuíram para a tragédia. Podemos salientar a doença crônica do menino, que ameaçava o seu futuro; o ambiente familiar onde pai e mãe, por serem policiais, viviam em contato permanente com o crime; o fato dos pais terem desconsiderado o processo de amadurecimento do filho ao ensiná-lo a usar armas e a dirigir em idade imprópria (uma incitação à perversão). Os depoimentos apontam também a tendência, por sinal comum, de considerar normais falas e comportamentos que deveriam ter alertado para a necessidade de um tratamento psicológico e psiquiátrico. Alguns desses fatos dificilmente poderão ser esclarecidos, inclusive do ponto de vista psicológico.

 A longa digressão é para dizer que o caso tem muitos elementos que vão além do uso compulsivo do videogame. Por um lado, crianças e jovens descarregam em suas atividades a agressividade, o que é saudável por evitar que a autuem na vida real. Se formos pensar nos contos de fada, veremos histórias carregadas de agressividade cujo teor para a psique é compensatório. Todos nós os lemos e não por isso nos tornamos psicopatas.

Por outro lado, não há dúvidas que a realidade virtual de um videogame, cada vez mais envolvente do ponto de vista sensorial, possa atuar fazendo com que a mente se desligue da realidade, ativando seus núcleos psicóticos.  Descarregar a agressividade praticando esporte certamente é bem melhor. Tudo depende do uso que a psique pode fazer desses elementos, de acordo com suas tendências constitucionais. É isso que cabe aos pais avaliar, observando o comportamento dos filhos, conversando com eles e recorrendo a ajuda profissional caso o julguem necessário.

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