O filho que não era esperado

Pais e filhos

 

 

Sou filho temporão: meu nascimento não foi planejado. Pergunto-me se isso não influenciou a dificuldade que tenho para me relacionar afetivamente. Faz sentido minha dúvida?

O filho que não era esperado

Como costumo frisar em meus artigos, o contexto do nascimento de uma criança e os primeiros meses de vida influenciam fortemente o seu desenvolvimento psíquico.

O ideal é que o bebê nasça em um ambiente que o “sonhou” e o desejou, antes mesmo do seu nascimento. Isto nem sempre acontece e nem sempre é possível. Neste sentido, o período de gestação pode ser também um período de gestação psíquica, em que o casal e a família como um todo se preparam para receber o bebê que vai nascer.

Mesmo assim, apesar dos esforços que o casal realiza nesse sentido, nem sempre é possível “erotizar” a chegada do filho. Dificuldades econômicas, problemas no casamento, vida profissional, desejo de retomar a própria vida, sobretudo por parte da mãe, eventuais problemas de saúde, são alguns dos fatores que podem inconscientemente minar o vínculo com o bebê que vai nascer.

Neste caso, apesar dos esforços maternos que geralmente resultam em um cuidado ansioso marcado pela culpa gerada pelos sentimentos “aversivos” que emergem do inconsciente, o bebê se forma psiquicamente sem poder se apropriar adequadamente do seu “lugar” no mundo e sem estar seguro de que ele é “desejado” e “desejável”.

Evidentemente isso pode trazer mais tarde sentimentos ambíguos na hora de vivenciar uma relação amorosa. A dúvida sobre a possibilidade de ser desejável permanece e gera um estado de insegurança que pode abranger as relações afetivas como um todo.

Em alguns casos esses sentimentos resultam em comportamentos de “ataque” inconsciente ao vínculo, que pode levar a pessoa a “sabotar” a relação na qual se envolveu (por exemplo, traindo o parceiro). Em outros casos pode haver uma necessidade inconsciente (uma espécie de compulsão) de “repetir” a situação inicial de insegurança emocional vivida com a mãe, buscando se vincular a pessoas “complicadas” do ponto de vista afetivo, que passam uma sensação constante de insegurança e de rejeição.

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