A chamada que nunca será atendida

Pais e filhos

 

 

A tragédia de Santa Maria é mais um alerta sobre os perigos “da noite” aos quais nossos filhos estão expostos. O que nós pais devemos fazer para evitar essas tragédias? Anônimo (RS)

A chamada que nunca será atendida

Enquanto os corpos da tragédia de Santa Maria aguardavam a identificação, quem estava no local ficou ouvindo os celulares guardados nos bolsos das vítimas tocarem sem parar. Um celular achado nos escombros da boate tinha mais de 100 chamadas não atendidas.

A cena descreve de forma dramática a angústia inominável que os pais dos jovens envolvidos na tragédia enfrentaram na madrugada desse fatídico domingo.

Muitos comentários já foram tecidos pela imprensa sobre o incêndio da boate e muitos outros serão acrescentados, mas a pergunta angustiada do nosso leitor permanece sem respostas. O que os pais podem fazer diante dos perigos da noite?

Pai e mãe sabem o quanto o “telemonitoramento” irrita os filhos. Já correu até uma piada na Internet comentando as diferentes reações das pessoas quando o celular não é atendido. A piada conclui que a mãe sempre pensa que o filho está morto. Exagero? Infelizmente não: as estatísticas de jovens vidas ceifadas “na noite” são altas. Talvez não sejam divulgadas com mais frequência porque “a noite” é um excelente negócio para muitas pessoas. A verdade é que quando o filho sai, os pais sabem que pode não voltar. Não importa o quanto ele seja responsável e prudente, outros irresponsáveis e imprudentes poderão cruzar o seu caminho.

A “noite” é percorrida por atos semelhantes àquele do vocalista da banda que soltou o rojão na boate, atitude que os antigos gregos chamavam de húbris. A húbris define tudo que passa da medida; toda atitude de caráter maniaco aliada a uma sensação de onipotência, envolvendo confiança excessiva e em cartos casos, até arrogância, enfim tuda atitude que remete a um desprezo temerário pelo espaço do outro, unido à falta de controle sobre os próprios impulsos.

Ligada ao núcleo psicótico de nosso psiquismo (que despreza a realidade), a húbris leva inexoravelmente à tragédia. Disso os pais devem estar conscientes, mesmo que devam enfrentar o mau-humor dos filhos caso seja necessário estabelecer limites. Da mesma forma, cabe às autoridades zelar para que a loucura da noite seja contida, através da imposição severa da lei.

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