Pais separados

Pais e filhos

Em quais aspectos a educação de um filho criado somente pelo pai ou pela a mãe pode ser prejudicada.

A ausência de um dos pais

O senso comum atribui uma importância especial à presença da mãe na educação do filho.  Apesar disso, a presença do pai do ponto de vista psicológico não é menos importante.  

Como frequentemente salientei, a presença de ambos os pais exerce um papel fundamental na formação do psiquismo infantil.  Nem sempre contudo a realidade permite que essa situação ideal se concretize. Isto não quer dizer que, faltando a presença de um dos pais, o filho será psiquicamente lesado e nem quer dizer que não sofrerá qualquer perturbação que precise de cuidados especiais.  As consequências poderão ser maiores ou menores dependendo de vários fatores. Tentarei resumir apenas alguns que considero ser os mais importantes, presumindo o caso de uma separação.

 Um primeiro fator importante é a idade da criança. Um bebê privado da mãe nos primeiros meses de vida sofrerá consequências psíquicas mais sérias do que se, neste mesmo período, perdesse o pai. É contudo importante frisar que a “perda” do pai ou da mãe sempre influencia o outro cônjuge e portanto, indiretamente, a própria criança.

A partir do momento em que o bebê passa a se relacionar com o mundo externo, o pai é percebido inicialmente como uma extensão da mãe e depois como alguém diferenciado da mãe que ocupa um lugar especial na sua vida e na vida da mãe. A partir desse momento, a perda tanto do pai como da mãe passam a ser significativas para a criança.

Entre os três e cinco anos, acontecem fenômenos extremamente importantes para a formação do mundo emocional da criança e para o seu desenvolvimento sexual. De certa forma, o processo se repete na pré-adolescência e nos primeiros anos da adolescência. Neste período a presença do pai e da mãe e a maneira como eles se relacionam influencia grandemente o desenvolvimento psíquico e emocional do(a) filho(a). É no jogo da relação parental que a criança se situa e se desenvolve. Portanto, a falta de um dos pais nessa fase é prejudicial.

Entre os três e cinco anos e novamente durante a adolescência, o pai desenvolve um papel essencial ao fixar para o(a) filho(a) uma demarcação de limites (lei) que é fundamental para o psiquismo. É muito comum que pais separados, que apenas veem os filhos a cada quinze dias, tenham dificuldade de exercer esse papel adequadamente, dosando autoridade e afeto, pois costumam conviver com a culpa da separação e tendo que lidar às vezes com a revolta dos filhos.

Outro fator essencial é a maneira como a separação dos pais aconteceu e foi explicada aos filhos. Obviamente uma separação conduzida com cuidado e maturidade pode ser muito diferente de uma separação envolvendo agressões e retaliações de todo tipo. Neste sentido, é importante que mesmo separados os pais procurem manter a integridade do outro cônjuge, evitando atacá-lo e, ao contrário, valorizando seu papel diante dos filhos.

Um último fator importante é a forma como os novos parceiros do pai e da mãe são introduzidos na vida dos filhos. Embora seja doloroso ser “substituído” por outra mulher ou por outro homem não apenas em relação ao ex-cônjuge, mas também no convívio com os próprios filhos, os novos parceiros passarão a ter um papel importante na vida dos filhos, que deverá ser respeitado e até incentivado.  O pai-auxiliar, ou a mãe auxiliar (expressão usada na língua inglesa creio mais feliz que padrasto e madrasta), ao casar com alguém que tem filhos devem estar conscientes e preparados para exercer esse papel. É uma triste ilusão, fadada a ter consequências desastrosas, pensar que os filhos do outro não me pertencem.{jcomments on}

(0 votos)
Visualizado 5579 vezes

Mais nesta categoria:

« Filhos e divórcio Filho nervoso »

Log in

fb iconFazer login com Facebook
Criar uma conta