Frustração e ruptura

Comportamento

Sempre "baixo a cabeça" para os outros. Isso prejudica minha vida. Como lidar?

Frustração e ruptura   

Nem sempre é possível atender o desejo do outro e às vezes atendê-lo, mesmo quando é possível, não é a recomendável e nem adequado. No entanto, ao constatar a frustração que causamos, especialmente se o “outro” for alguém que amamos (filho, cônjuge, amigo, irmão, pai/mãe) ou que ocupa um lugar relevante em nossa vida (chefe, colega, parente, ex-cônjuge, etc.), pode surgir um sentimento de angústia, que para alguns é insuportável, gerando a obrigação interna de se submeter, mesmo que isso comporte em se prejudicar.

A angústia, nesses casos, nasce de uma sensação de “ruptura”, como se a relação, por causa disso, fosse irremediavelmente destinada a se romper. O efeito é paralisante, pois leva a “baixar a cabeça” diante da imposição do outro, gerando uma sensação de aprisionamento e de esvaziamento.

 O processo terapêutico permite perceber que, quando alguém vítima dessa síndrome consegue superar a imposição interna que o obrigava a se submeter ao desejo do outro (às vezes apenas esboçado, ou sequer formulado, mas por ele imaginado), surge uma sensação de surpresa ao perceber que não houve ruptura alguma.

Fica assim claro que a “ruptura” é uma fantasia interna, pois de fato geralmente não ocorre, mesmo que fique um mal-estar. Nos casos em que ela ocorre, com o tempo, fica claro que isso era inevitável, pois o vínculo não era saudável e precisava mesmo ser rompido ou ser reavaliado,

Mas de onde vem a fantasia de ruptura e a angústia a ela associada? Na maioria das vezes, a clínica aponta para situações em que, nos primeiros meses de vida, o bebê não teve condição de “se expandir”, por causa de um ambiente que tinha dificuldade em “suportar” as manifestações da sua existência. As causas ambientais que geraram essa sensação podem ser as mais variadas, desde uma doença da mãe, luto, depressão, falta de afetividade, crises conjugais, um irmão mais velho que “ocupava” demasiadamente a mãe (por ser doente ou problemático), ou até problemas econômicos ou de ordem material.

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