Lições da (minha) história

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Lições da (minha) história

Em Agosto de 1969 chegava ao centro de Praga. As ruas da cidade estavam tomadas pelos tanques russos. O Exército Vermelho tinha invadido a Tchecoslováquia para dissuadir qualquer reivindicação de liberdade.

O movimento libertário encabeçado por estudantes e intelectuais, descrito no romance   A insustentável leveza do ser (que mais tarde inspirou o filme homônimo), culminou com o sacrifício do estudante Jan Palak, que, um ano antes, tinha atado fogo ao seu corpo na principal praça da cidade em protesto contra a invasão.

O primeiro impacto foi na fronteira (a Tchecoslováquia estava na época além da Cortina de Ferro). Um enorme tanque apontava o seu canhão para o meu carro, enquanto os soldados russos revistavam o seu interior. Uma vez em Praga, o primeiro a me abordar foi um policial tcheco que me repreendeu por ter estacionado em um lugar “reservado aos membros do partido”. Foi uma decepção.

 Para um jovem que se inspirava nos ideais humanitários do socialismo, tudo aquilo começava a tomar os contornos de um pesadelo. Além de haver discriminação, pois os membros do partido desfrutavam de um tratamento diferenciado, ali as pessoas eram “presas” nos bares e nas ruas para serem “interrogadas” nos porões da ditatura soviética, caso não concordassem com “o partido”.

Anos depois, em 1976, a cena se repetiu. Estava atravessando Campos de Marte, um reduto de Buenos Aires. Soldados fortemente armados e tanques de guerra indicavam que o cidadão era um potencial inimigo, caso fosse julgado como tal pelos representantes da ditadura militar argentina.

Tanto os soldados do Exército Vermelho como os soldados do Gral. Videla alegavam defender os “interesses” do país. Na realidade, defendiam os interesses de uma burocracia política corrupta que conseguiu concentrar em suas mãos o poder e o controle sobre a sociedade.

. O perigo do autoritarismo abusivo infelizmente continua presente de forma sorrateira na nossa sociedade. Ele se instala lá onde a “Lei”, que protege o bem comum, é substituída oportunamente pela “lei abusiva” de indivíduos e grupos que se autoconstituíram legisladores em causa própria, sejam eles políticos, Movimentos Sociais, sindicalistas ou policiais.

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